Jomard Muniz de Britto e o desejo de “investigar tudo ou inventariar o nada”, por Yeda Bezerra de Melo

“Não é tempo de mortos / é tempo de vida e de vivos”. É preciso e necessário que alguém saiba do Indizível."

jomard3222
Foto: Arquivo Pessoal/Cedido à Revista O Grito!

Conheci Jomard quando tinha 19 anos, fui sua aluna. Adorava suas aulas, um frescor, vida, no início dos anos 1980, eram diferentes de tudo que tinha visto até então e me presentearam com pensamentos, conversas, livros, sessões de cinema e o desejo era “Investigar tudo ou inventariar o nada.”

Doa em quem doer, o PAPA pode ser POP e Deus continua brasileirinho da Silva. Promessas multiplicadas.

– “Não é tempo de mortos / é tempo de vida e de vivos”. É preciso e necessário que alguém saiba do Indizível.”

A vida continua sendo imprevisível? Vamos reinventá-la sempre. Tudo ao mesmo tempo, sol e chuva, suor e cerveja. Promessas, desafios, desconstruções. A relação extrapolou a universidade, as noites recifenses eram nossas, conheci outra cidade com Jomard e Cadengue, meus mestres.

Os cinemas, teatros, livros, carnavais… participavam de nossas vidas, agora amiga, era chamada de Amada Yêdinha, Jomard cooperava com vários trabalhos meus e eu com vários dele, só era nos falarmos e tudo se resolvia. Trocávamos textos, fotos, músicas, telegramas e cartões postais.

Sempre foi uma delícia, vou sentir saudades.

“Quem esquecerá o grito dos excluídos?
O sentimento trágico do mundo?
Consideram pe-ri-go-so o centro da cidade: por quê?
Com e sem pré-conceitos indagamos entre as Igrejas
e os Mercados, como freqüentar tran-qui-la-men-te
o nosso, vosso, de todas e todos?
Entre sábados e domingos, vocês, leitores e leitoras,
gostam e preferem fazer o quê?
Não temam as censuras!”

Quase tudo pode ser uma feliz conspiração!!!

Querido Jomard, companheiro de danças e azuis-piscina, colecionador de pensamentos e amores, você é luz brilhante, beijos!!!