A Revista O Grito! publica uma série de relatos em homenagem ao poeta, cineasta e filósofo Jomard Muniz de Britto, que nos deixou no último dia 12/10. Jomard foi um dos mais inquietos pensadores pernambucanos e um irreverente agitador cultural. Sua influência se alargou por várias décadas, desde os anos 1960, e influenciou diferentes gerações de artistas.
Leia os textos
– Jomard Muniz de Britto e o desejo de “investigar tudo ou inventariar o nada”, por Yeda Bezerra de Melo
– Jomard Muniz de Britto, a estrela demolidora, por Pedro Nunes Filho
– Brasileiríssimo, Jomard sempre será o intelectual que não tira os pés do chão, por Fabiana Moraes
– Jomard Muniz de Britto e a curiosidade inesgotável, por Angela Prysthon
– “Jomard Muniz de Britto fomentava fomenta lições de inconformismo”, por Luci Alcântara
– “Jean-Luc Jomard”, por Paulo Cunha
Conheci Jomard quando tinha 19 anos, fui sua aluna. Adorava suas aulas, um frescor, vida, no início dos anos 1980, eram diferentes de tudo que tinha visto até então e me presentearam com pensamentos, conversas, livros, sessões de cinema e o desejo era “Investigar tudo ou inventariar o nada.”
Doa em quem doer, o PAPA pode ser POP e Deus continua brasileirinho da Silva. Promessas multiplicadas.
– “Não é tempo de mortos / é tempo de vida e de vivos”. É preciso e necessário que alguém saiba do Indizível.”
A vida continua sendo imprevisível? Vamos reinventá-la sempre. Tudo ao mesmo tempo, sol e chuva, suor e cerveja. Promessas, desafios, desconstruções. A relação extrapolou a universidade, as noites recifenses eram nossas, conheci outra cidade com Jomard e Cadengue, meus mestres.
Os cinemas, teatros, livros, carnavais… participavam de nossas vidas, agora amiga, era chamada de Amada Yêdinha, Jomard cooperava com vários trabalhos meus e eu com vários dele, só era nos falarmos e tudo se resolvia. Trocávamos textos, fotos, músicas, telegramas e cartões postais.
Sempre foi uma delícia, vou sentir saudades.
“Quem esquecerá o grito dos excluídos?
O sentimento trágico do mundo?
Consideram pe-ri-go-so o centro da cidade: por quê?
Com e sem pré-conceitos indagamos entre as Igrejas
e os Mercados, como freqüentar tran-qui-la-men-te
o nosso, vosso, de todas e todos?
Entre sábados e domingos, vocês, leitores e leitoras,
gostam e preferem fazer o quê?
Não temam as censuras!”
Quase tudo pode ser uma feliz conspiração!!!
Querido Jomard, companheiro de danças e azuis-piscina, colecionador de pensamentos e amores, você é luz brilhante, beijos!!!


