DIIV
ZIRP!
Fantasy, 2026. Gênero: Indie Pop, Eletrônica, Shoegaze
O quarteto de Los Angeles DIIV chega ao seu disco mais político com este ZIRP, uma espécie de fotografia de uma sociedade estadunidense perdida em suas próprias ilusões de progresso e mérito. Ainda está por aparecer o álbum que melhor traduza a era Trump em toda a sua decadência, mas este trabalho já pode contar como uma boa tentativa.
As faixas conseguem capturar a frustração de uma geração que vive em meio a um projeto de desconstrução do mundo como o conhecemos, com um capitalismo que gera mais incertezas do que ganhos reais. Há letras interessantes que dão conta de explicar essa era do absurdo, mas falta nuance na poética. É o caso de “Trillions”, que fala de consumo exacerbado e do projeto vazio dos bilionários: “Eu terei uma casa enorme, com um grande chão de ouro / E terei um bilhão de dólares guardados quando tiver 24 / Terei o carro mais rápido e um grande cérebro”.
Misturando shoegaze, distorções guitarrísticas e o apelo melódico do indie rock, o álbum contou com a produção de A.G. Cook, o que conferiu um tom mais eclético à estética do grupo. Em resumo, é o mais pop que o DIIV chegou até agora, sem abandonar seu próprio estilo. Há momentos mais melódicos, como em “When the Glow Comes for Us”, e outros mais experimentais, a exemplo de “Dare Me”, em que ouvimos ecos de My Bloody Valentine misturados ao dream pop de Beach House.
As faixas que saíram como single, “The Fountain” e “Kid”, são feitas para alcançar o mainstream, mas soam confiantes em um projeto pensado para dialogar com novos públicos. É essa ambição que credencia o DIIV como um dos nomes potenciais para se consolidar entre os principais grupos de rock alternativo desta década. Resta saber se os ouvintes mais antigos vão acompanhar essa virada estética em direção ao pop.

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