Rainha da reinvenção, Madonna lança o aguardado “Confessions II”

Novo trabalho da artista é uma continuação do elogiado Confessions on a Dance Floor e traz uma ode ao hedonismo em meio ao caos

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Novo trabalho de Madonna já está no ar. (Foto: Rafael Pavarotti/Divulgação).

Nos últimos meses, desde que anunciou o seu novo disco, Madonna mostrou que segue sendo uma das mais relevantes artistas do pop. Confessions II, que chegou nesta sexta (3/7) às plataformas de streaming, traz uma ode à pista de dança e um elogio ao hedonismo como forma de enfrentar o caos. É um trabalho que faz da dance music um espaço celebratório, um processo ritualístico de cura.

“Devemos dançar, celebrar e rezar com nossos corpos. Essas são práticas que existem há milhares de anos — são, de fato, experiências espirituais. Afinal, a pista de dança é um espaço ritualístico. É um lugar onde você se conecta com suas feridas, com sua fragilidade”, afirmou Madonna em um comunicado à imprensa no mês passado.

O disco ganhou uma forte divulgação, com o lançamento de um curta-metragem, eventos fechados em várias partes do mundo, além da aparição da artista na Times Square e uma participação especial no show de Sabrina Carpenter no Coachella (elas dividem os vocais na faixa “Bring Your Love”, lançada como single). Antes da chegada do disco, ainda foram lançados remixes assinados por nomes como Peggy Gou e Honey Dijon. Madonna ainda é esperada no encerramento da Copa do Mundo, no próximo dia 19 de julho, em Nova Jérsei. Com mais de 40 anos de carreira, Madonna volta a ter uma gravidade inescapável enquanto estrela de primeira grandeza do pop.

A razão da persistência de sua imagem de ícone no imaginário popular talvez se deva à recusa em se acomodar às convenções da indústria. Sua presença como “club kid”, festeira inveterada, aos 67 anos, ainda choca algumas pessoas que esperavam de Madonna uma fase mais calma, adequada a uma “idosa”. A artista também conseguiu pular a areia movediça da nostalgia. Seus trabalhos seguem arriscados, sempre investigando novas possibilidades dentro de seu escopo artístico. Se isso nem sempre dá certo (caso de Madame X, de 2019), ao menos mostra uma artista ainda inspirada e motivada a entregar novidade aos fãs.

Esta é a primeira vez que Madonna faz uma continuação de um trabalho. O primeiro Confessions On A Dance Floor, de 2005, é considerado um dos melhores trabalhos de sua carreira e traz a artista envolvida com a disco music e referências setentistas. Rainha da reinvenção, Madonna retorna a esse trabalho com diversas referências ao disco anterior, a começar pelo produtor Stuart Price, que retornou para este novo registro.

Naquele distante 2005, Madonna também usava a pista de dança como refúgio, em meio a um período tenebroso no campo político, com o auge das tensões no Oriente Médio pós-Guerra do Iraque. As referências ao primeiro Confessions estão presentes nesta “Parte II”, mas sem ser autorreferencial demais. O foco sai dos anos 1970 e passa a incorporar mais da house music pós-2010, com acenos à efervescente cena dance atual.

Madonna Confessions on a Dance Floor II
A capa do disco assinada pelo brasileiro Rafael Pavarotti. (Foto: Divulgação.)