Foto: Rafael Pavarotti/Divulgação
A partir de hoje, a Revista O Grito! publica uma série de relatos pessoais, ensaios e ideias sobre Confessions II. Mais do que uma crítica do álbum, essa série busca compreender as interseções entre arte, política, memória e afetos a partir do novo trabalho da artista
Ao longo de quase 64 minutos, o novo álbum de Madonna nos presenteia com o que ela sabe fazer de melhor: colocar-nos para dançar. O que era para ser uma “continuação” do aclamado Confessions on a Dance Floor (2005), me parece ir mais além: torna-se, na minha opinião, melhor e surpreendente. E vou lhes dizer o porquê… Madonna enfrentou, ao longo dos últimos anos, momentos conturbados em sua vida pessoal e profissional: ficou em coma em 2023 devido a uma infecção bacteriana, cancelou sua turnê celebrativa de 40 anos de carreira, mas, depois de se recuperar, retornou aos palcos com a Celebration Tour, que finalizou, de forma grandiosa, nas areias de Copacabana, em 2024, dando origem ao Todo Mundo no Rio.
Atenta aos desdobramentos do mundo da música, retornando a parceria com sua antiga gravadora e com o produtor Stuart Prince, com quem produziu o álbum “original”, Madonna entrega um disco repleto de energia, emoção e sinceridade: Confessions II é o novo testamento da Rainha do Pop. Com uma divulgação massiva, com nomes da nova geração como Sabrina Carpenter, em “Bring your Love”, Feid e Stromae, Madonna também colabora, pela primeira vez, com sua primogênita, Lola Leon.
O que é mais interessante é o percurso da pista de dança do novo disco: ela inicia de forma explosiva, caminha para momentos sexy, com sua voz sussurrada e com alterações eletrônicas, e entrega uma áurea quase que testamental na finalização do disco, uma experiência quase catártica da vida e do além-vida – isso porque Madonna, além de tudo, perdeu seu irmão em 2024. “The Test”, parceria com sua filha Lola, é quase um momento de cura de traumas da vida.
Olho para o disco como algo que não vai em direção ao primeiro Confessions, mas, acredito, a uma sonoridade dos anos 1990 e 2000, de seus icônicos Erotica, Ray of Light e Music, mas também se aproxima, sutilmente, de Madame X (disco que deve ser revisitado por inúmeros de nós). Madonna cria um ambiente quase que apoteótico no desfecho do disco, com faixas emocionais e sinceras sobre si e o mundo.
Acredito que Madonna não precise provar mais, porém, ela insiste: é isso que um artista genioso faz. Ela nos coloca para dançar, sentindo a pista de dança de forma visceral, de forma única. Ela faz com que pensemos, amemos e digamos para o mundo nossa verdade. É incrível como uma mulher, aos quase 70 anos, continua atual e desafiando padrões e preconceitos. Aliás, temos muita sorte em ter artistas, já consagrados, querendo nos dizer algo… Mariah Carey, Cher, Barbra Streisand.
Listo, agora, de maneira muito pessoal, minha avaliação para cada música, lembrando que é um primeiro contato e que, como de costume, adoro revisitar tempos depois:
- I Feel So Free (10/10)
- Good For The Soul (6/10)
- One Step Away (9/10)
- Bring Your Love (ft. Sabrina Carpenter) (7/10)
- Danceteria (10/10)
- Read My Lips (ft. Feid) (7/10)
- Everything (7/10)
- Love Sensation (7/10)
- Love Without Words (8/10)
- Biarre (with Martin Garrix) (10/10)
- School (9/10)
- Fragile (10/10)
- My Sins Are My Savior (ft. Stromae) (9/10)
- Betrayal (10/10)
- The Test (ft. Lola Leon) (9/10)
- L.E.S. Girl (10/10)
Se você busca uma jornada na pista de dança capaz de fazer dançar, pular, beijar e se emocionar, você encontrou um ótimo disco. Madonna segue sendo, e sempre será, a Rainha do Pop.


