A cidade de São Paulo sedia a partir desta quarta (3) atividades da 30ª Parada do Orgulho LGBT+. Organizado pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), o cronograma concentrado reúne a tradicional marcha na Avenida Paulista, feira cultural, encontro nacional de entidades, festa oficial e exposição em estação de metrô. O evento anunciou a programação completa após a repercussão da diminuição de patrocinadores, incluindo marcas historicamente associadas ao evento.
Com a perda de 60% do patrocínio, a parada deve movimentar na economia paulista R$ 466,2 milhões, cerca de 15% a menos que o ano passado. Os dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) levam em conta a ocupação hoteleira, movimento em bares, restaurantes e boates, além de vendas no comércio. Para não esvaziar culturalmente a parada, alguns artistas como MC Pepita, Melody, Majur, Gloria Groove, entre outros, aceitaram se apresentar sem cachê ou com uma redução do valor pago (sem contar os custos logísticos).
Pabllo Vittar criticou a falta de apoio à Parada em suas redes sociais. “No ano passado, a Parada movimentou bastante dinheiro. A população LGBTQIA+ também gasta, pega carro de aplicativo, usa cartão de crédito, usa banco, consome restaurante, lota hotel. Então é muito fácil, no mês do orgulho, colocar bandeira colorida no ícone e mudar a foto de perfil, sendo que esse apoio não é verdadeiro para a nossa comunidade”, disse.
Em entrevista à Agência Brasil, antes de conceder coletiva sobre a Parada LGBT+, na noite dessa terça-feira (26) na capital paulista, Pereira afirmou que nunca foi fácil colocar a Parada na rua. “A gente já fez paradas sem patrocínio nenhum”, lembrou. De acordo com ele, a falta de patrocínio afeta não só o evento de rua como também outros que precisariam de financiamento para serem mantidos, como a Feira da Diversidade e os projetos sociais e culturais. “Apesar disso, nossa Parada continua de pé”, reforçou.
“Se você observar, eu vou ter só dois patrocinadores na Parada, e já tivemos seis grandes empresas [patrocinando]. Eu sei que é um ano difícil, é um ano onde a gente vai ter Copa, é um ano político, mas essa redução já vem se desenhando há um tempo”, afirmou.
A diminuição da Parada de São Paulo acontece em meio ao crescimento do discurso conservador e a diminuição das políticas de diversidade no Estado de São Paulo. Na quarta (20/05), a Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação uma lei que proíbe a presença de crianças e adolescentes em evento públicos e privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, incluindo a própria Parada do Orgulho LGBT+, mesmo quando acompanhados pelos pais ou responsáveis. Juristas dizem que a medida é inconstitucional.
Com tantos desafios, a Parada LGBT+ leva para as ruas neste ano um tema político. Marcada para o dia 7 de junho na capital paulista, a organização do evento escolheu como tema para a edição deste ano “A rua convoca, a urna confirma’” ampliando o debate sobre a importância do voto e da participação política. “Não existe orgulho sem democracia”, enfatizou Pereira.
“As pessoas ainda têm aversão à política. Desde 2010, em todo ano de eleição, a gente faz esse papel de educar a população. Porque é sobre isso. Se as pessoas não entenderem que a nossa vida é decidida nas casas legislativas, e se eu não estiver lá como representante, você acha que aqueles homens héteros e cis vão pensar em pautas feministas, pautas raciais? Eles não vão”, completou o presidente da APOLGBT-SP.
Programação da Parada este ano
O evento principal ocorre no domingo (7), com concentração a partir das 10h na Avenida Paulista. A mobilização conta com a presença de artistas como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Pepita e Majur, que abriram mão de seus cachês para se apresentar no evento. Para o público geral, a emissora DiaTV realiza a transmissão ao vivo dos trios e dos bastidores a partir das 11h. (Veja programação no site da Parada).
A programação prévia começa na quinta-feira (4) com a 25ª Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+ no Vale do Anhangabaú, a partir das 10h. O evento reúne mais de 100 artistas, 60 expositores e 30 ONGs, com entrada franca mediante retirada de ingressos na plataforma Sympla. Simultaneamente, entre os dias 4 e 6 de junho, ocorre o 7º Encontro Brasileiro de Organizações de Paradas LGBT+, reunindo mais de 90 entidades em parceria com o British Council Brasil.
Na sexta-feira (5), a Neo Química Arena sedia a festa Black Pride 2026, que atua como o aquecimento oficial do fim de semana. Parte da renda obtida com a venda de ingressos na bilheteria será repassada diretamente à APOLGBT-SP para o financiamento de ações de cidadania e direitos humanos. Além disso, a partir de 1º de junho, o Museu da Diversidade Sexual exibe cartazes históricos das edições anteriores no corredor de acesso da Estação República do Metrô. [Com informações da Agência Brasil]


