Exposição “Terror Celestial” apresenta obras de artistas LGBTQIA+ que tem o terror como base criativa

Com curadoria de Lucas Dilacerda, as obras reunidas buscam discutir como a vivência atravessada pelo medo pode ser transformada em força criativa

Nicolas Gondim Fortaleza 1972 da serie Papangus da Sucatinga 2016 impressao em metacrilato 80 x 53 cm. Imagem Divulgacao 2 1 2
Obra de Nicolas Gondim da série "Papungas da Sucatinga" soma à exposição. (Foto: Divulgação)

Neste sábado (18), o Museu de Arte Contemporânea (MAC-CE) inaugura Terror Celestial, exposição que apresenta o gênero do terror sob a perspectiva de artistas LGBTQIA+. Com curadoria de Lucas Dilacerda, as obras reunidas buscam discutir como a vivência atravessada pelo medo pode ser transformada em força criativa. O acesso é gratuito e segue em cartaz até 4 de outubro.

Diante da histórica associação entre a comunidade LGBTQIA+ e às figuras de terror, exemplificada nos apelidos violentos “monstros” e “aberrações”, por exemplo, a mostra reforça visualmente que há uma relação entre o horror e a vivência queer acompanhada pelo medo de ser quem é.

Por isso, cada vez mais pessoas LGBTQIA+ transformam o medo em coragem e ressignificam os xingamentos em expressão cultural. Nesse sentido, Terror Celestial se divide em três linhas curatoriais: 1) Monstros e quimeras; 2) Espiritualidade terrena; e 3) Terror das formas. Conheça um pouco sobre cada uma:

Monstros e Quimeras

Nesta linha, as obras reunidas discutem a monstruosidade como objeto que transcende o entendimento de humano. Nesse sentido, são obras mais-que-humanas que propõem um cruzamento entre o reino dos animais, plantas, minerais, encantados e forças sobre-humanas.

Espiritualidade Terrena

Na segunda, a temática da religião atravessa a vivência LGBTQIA+ por meio de obras  discutem a espiritualidade como um local de cura, diferentemente da religiosidade que associam corpos dissidentes ao pecado e os condena ao inferno. Assim, raízes com saberes de matriz africana, tradições populares, cosmovisões indígenas e outras formas de conexão com a natureza espiritual são apresentadas.

Terror das Formas

Já a terceira tem o conceito de “terrorismo de gênero” como base e intuito de refletir como a produção artística de pessoas LGBTQIA+ provoca um terrorismo nos gêneros considerados clássicos (retrato, paisagem, natureza-morta). Ou seja, apresenta produções que criam outras visualidades e expressões pensadas para resistir às categorias e classificações normativas da História da Arte.

A exposição conta com recursos de acessibilidade que estão disponíveis em uma plataforma digital e podem ser acessados por meio de QR Code ou com o auxílio da equipe educativa. Entre as opções disponíveis estão textos em Libras, audiodescrição, prancha de comunicação alternativa e a possibilidade de agendamento de visitas acompanhadas por intérprete de Libras.

Lista de Artistas:

Antônio Breno
Bárbara Banida
Camila Albuquerque
Carnaval no Inferno
Céu Vasconcelos
Charles Lessa
Darwin Marinho
Davi Ângelo
Georgia Vitrilis
Gi Monteiro
Higo José
Honório Félix
insiranomeaqui (Yvy Alves)
Isadora Ravena
Jonas Pinheiro
Jonas Van
Juno B
Luciana Magno
Maurício Coutinho
Nicolas Gondim
Pedra Silva
plantomorpho
Sérgio Gurgel
Trojany

O Museu de Arte Contemporânea (MAC-CE) fica localizado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema, Ceará.

Horário de funcionamento:

Quarta a sábado – 9h às 19h (acesso até 18h30)
Domingo e feriados – 10h às 19h (acesso até 18h30)