Tem algo confuso no reino dos editais
Esta é a primeira matéria de uma reportagem sobre o edital da Aldir Blanc estadual, organizado pela Secult-PE, e as políticas de financiamento público da cultura. Leia também as outras três matérias vinculadas a esse texto:
“Percebo que esses desacertos nos editais pernambucanos, independente de governo ou prefeitura, não são de hoje, eles vêm se acumulando e ficando mais críticos, a partir do momento que certos parâmetros foram se anexando, e também a área cultural foi tomando consciência de que os editais são instrumentos possíveis e viáveis, com isso se avolumando as propostas.
O que todos acham mais crítico de tudo é o despreparo dos pareceristas, porque obviamente essas pessoas não estão aptas a incluir uma comissão, que vai decidir sobre a qualidade da manutenção da cultura audiovisual pernambucana, principalmente neste momento em que estamos sob todos os holofotes.
As secretarias de cultura deveriam exigir responsabilidade desses analistas, eles estão sendo pagos, e detém um poder de decisão que está formando nossa cultura ao longo do tempo. É uma responsabilidade muito grande, e o que temos observado, já há alguns anos, é que as análises e pontuações dos projetos estão sendo levianas, em todas as categorias.
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O sistema é conivente sim, com esse desprezo pela correção das análises, devido a falta de competência dos pareceristas. Se tem excesso de projetos para analisar, contrata-se mais pareceristas, qualificados, com oficinas preparatórias para eles.
Tem casos que se percebe claramente que o parecerista nem sequer leu o projeto, ou não entende nada da área que está analisando. Isso é um erro gravíssimo, descredibiliza todo o sistema, que fica abusivamente tendencioso, ignorando até os currículos dos proponentes.
É gravíssimo que as secretarias de cultura deixem esses erros acontecerem, e a partir do momento em que estão sendo chamados atenção, até mesmo nos recursos, os responsáveis pela contratação dos analistas deveriam considerar os argumentos das defesas.
Outra coisa que me preocupa é a forma como as cotas são aplicadas e distribuídas. Mesmo quando solicitamos essas informações nos recursos, não recebemos resposta. Tenho consciência de que esse não é apenas um pensamento individual, mas o pensamento geral, compartilhado no grupo da ABD-PE / APECI, no WhatsApp”.
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