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A cineasta pernambucana Kátia Mesel. (Divulgação).

Kátia Mesel: Desacertos nos editais comprometem a qualidade da cultura pernambucana

A cineasta Kátia Mesel, dona de uma longa carreira no audiovisual pernambucano, foi uma das artistas que mais demonstraram sua indignação diante dos resultados da PNAB. Ela deu um depoimento exclusivo para a revista O Grito!

Tem algo confuso no reino dos editais

Esta é a primeira matéria de uma reportagem sobre o edital da Aldir Blanc estadual, organizado pela Secult-PE, e as políticas de financiamento público da cultura. Leia também as outras três matérias vinculadas a esse texto:

“Percebo que esses desacertos nos editais pernambucanos, independente de governo ou prefeitura, não são de hoje, eles vêm se acumulando e ficando mais críticos, a partir do momento que certos parâmetros foram se anexando, e também a área cultural foi tomando consciência de que os editais são instrumentos possíveis e viáveis, com isso se avolumando as propostas.

O que todos acham mais crítico de tudo é o despreparo dos pareceristas, porque obviamente essas pessoas não estão aptas a incluir uma comissão, que vai decidir sobre a qualidade da manutenção da cultura audiovisual pernambucana, principalmente neste momento em que estamos sob todos os holofotes.  

As secretarias de cultura deveriam exigir responsabilidade desses analistas, eles estão sendo pagos, e detém um poder de decisão que está formando nossa cultura ao longo do tempo. É uma responsabilidade muito grande, e o que temos observado, já há alguns anos, é que as análises e pontuações dos projetos estão sendo levianas, em todas as categorias.

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O sistema é conivente sim, com esse desprezo pela correção das análises, devido a falta de competência dos pareceristas. Se tem excesso de projetos para analisar, contrata-se mais pareceristas, qualificados, com oficinas preparatórias para eles.

Tem casos que se percebe claramente que o parecerista nem sequer leu o projeto, ou não entende nada da área que está analisando. Isso é um erro gravíssimo, descredibiliza todo o sistema, que fica abusivamente tendencioso, ignorando até os currículos dos proponentes. 

É gravíssimo que as secretarias de cultura deixem esses erros acontecerem, e a partir do momento em que estão sendo chamados atenção, até mesmo nos recursos, os responsáveis pela contratação dos analistas deveriam considerar os argumentos das defesas.

Outra coisa que me preocupa é a forma como as cotas são aplicadas e distribuídas. Mesmo quando solicitamos essas informações nos recursos, não recebemos resposta. Tenho consciência de que esse não é apenas um pensamento individual, mas o pensamento geral, compartilhado no grupo da ABD-PE / APECI, no WhatsApp”.

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