Ana Karina Sebastião estreia carreira solo com “NEGA NINJA”

Rincon Sapiência, Lucas Silveira (Fresno), Sarah Thawer, Michael Pipoquinha e Michel Sebá são as participações especiais

Foto Mariana Maria 1
"NEGA NINJA" é o primeiro trabalho autoral da artista. (Foto: Mariana Maria/Divulgação)

Ana Karina Sebastião estreia sua carreira solo com NEGA NINJA, álbum que reúne diferentes encontros construídos ao longo de sua trajetória na música. Entre samba, R&B, soul e referências da música negra brasileira e norte-americana, o trabalho combina baixo, voz e composição em um repertório que atravessa afetos, relações, inquietações e experiências vividas.

O título do álbum vem da música “Nega Ninja”, composta por Ana durante o período em que tocava com a cantora moçambicana Lena Bahule. Inspirada por Lena e por outras mulheres negras, criou a expressão para representar a capacidade de se desdobrar diante das demandas do cotidiano, criar caminhos e seguir em frente mesmo com as dificuldades. A música é dedicada à mãe, à avó, às tias e às mulheres que atravessam sua história e acabou dando nome ao primeiro álbum solo da artista.

“Eu me sinto livre para fazer o que eu quiser musicalmente e para expressar meus sentimentos através das letras, contando histórias e experiências. E também existe um desejo de inspirar mulheres e outras pessoas que possam se enxergar e se reconhecer através do meu trabalho”, afirma.

Construído ao longo de cerca de cinco anos, o álbum foi tomando forma de maneira orgânica. O baixo, presente na trajetória de Ana desde o início, permanece como elemento central, agora em diálogo com a voz e as letras. Muitas das composições nasceram de ideias instrumentais e, ao longo do processo, ganharam palavras e novas camadas de interpretação. A produção de Hebert Medeiros acompanhou esse percurso, trabalhando sobre um repertório desenvolvido ao longo dos anos.

As participações também nasceram dessa relação com cada música. Em “Vamo com Calma, Malandra”, a percussão de Tiago Nunes levou Ana a imaginar a presença de Rincon Sapiência. Primeiro single do projeto, a faixa ganhou um clipe com os dois artistas e direção criativa de Larissa Queiroz.

A canção “Meu Amor, Te Amo”, é interpretada por seu irmão Michel Sebá, com quem faz música desde a época em que os dois tinham uma banda de rock. Michael Pipoquinha participa de “Inquietação”, faixa que reúne os dois músicos a partir de uma relação construída na música e do incentivo que Ana recebeu dele para cantar e apresentar suas próprias composições.

Em “Good Spell”, Ana reúne a baterista canadense Sarah Thawer e Marcelo Dai. Conhecida pela artista em Los Angeles, Sarah é uma referência feminina na música instrumental para Ana. O álbum traz ainda uma releitura de “Canção pra Quando o Mundo Acabar”, da Fresno, com Lucas Silveira nos vocais. A escolha veio da identificação de Ana com a faixa, que conheceu depois de começar a tocar com a banda e ouvir o álbum “Eu Nunca Fui Embora”.

“Todas essas participações nasceram, de alguma forma, da minha imaginação sobre quem poderia habitar cada música. Eu conseguia quase ouvir essas pessoas dentro das faixas antes mesmo de elas acontecerem”, conta.

O repertório passa por diferentes formas de falar sobre afeto, relações e experiências. Em “Ensandeceu”, Ana transforma o silêncio e o desaparecimento em reflexão sobre as marcas deixadas nas mulheres. “Seja Onde For” aborda um amor cuja intensidade não garante permanência, enquanto “Conselho Para Minha Amiga Negra” transforma uma experiência de desilusão amorosa em conversa, cuidado e fortalecimento entre mulheres.

Musicalmente, NEGA NINJA encontra sua unidade na música negra e em suas raízes afro-brasileiras. Ritmo, percussão e baixo atravessam o repertório, que passa por diferentes gêneros sem se prender a uma única definição.

CAPA
A capa do álbum foi fotografada por Lucas Coimbra e dirigida por Juh Reinert. (Foto: Capa/Divulgação)

A capa do álbum traduz visualmente essa proposta de ocupar espaços e ressignificar imagens historicamente associadas às mulheres negras. Fotografada por Lucas Coimbra, numa foto dirigida por Juh Reinert, Ana aparece sentada à mesa de uma cozinha, tomando chá com bonecas negras enquanto segura seu baixo. As bonecas remetem às que desejava ter na infância; a cozinha, historicamente ligada ao trabalho doméstico de mulheres negras, é ressignificada como espaço de escolha, criação e prazer.

Com NEGA NINJA, Ana Karina Sebastião transforma anos de experiências, encontros e música em seu primeiro trabalho autoral. Um álbum em que baixo, voz e composição se encontram para abrir espaço a novas histórias – e à liberdade de contá-las à sua maneira.