A Companhia Brasil por Dança ganha o filme O Cia é Show, um documentário assinado por mulheres pernambucanas. Com 40 minutos de duração (média-metragem), acompanha os bastidores e preparativos do trabalho da Companhia, revelando as alegrias, os desafios e a paixão que movem o maior frevo do mundo. Criada em 1988 por um grupo de passistas formado pelo mestre Nascimento do Passo, atualmente é coordenada pela mestra e passista pernambucana Adriana Lima, também fundadora e conhecida como Adriana do Frevo.
Com direção de Karen Aguiar e roteiro assinado por Beatriz Nascimento, a obra O Cia é Show contribui para o audiovisual pernambucano a partir da memória, da história, do território e da continuidade. A estreia do filme ocorre no Cinema São Luiz, com sessão única nesta quinta-feira (17 de setembro), às 19h. Tem entrada gratuita (sem necessidade de retirada de ingresso) e acessibilidades — Libras (Língua Brasileira de Sinais) e legenda descritiva para pessoas surdas e ensurdecidas (LSE) — e classificação indicativa livre.
Sediada no Clube Vassourinhas, que fica no bairro olindense do Guadalupe, a companhia atua com frevo acompanhando blocos de tradição do carnaval de rua pernambucano e desenvolvendo projetos que envolvem danças populares. Além disso, forma diversas gerações por meio da arte-educação, com a realização de encontros artístico-culturais e aulas gratuitas de frevo para jovens passistas, em sua maioria mulheres, pessoas negras e LGBTQIAP+, oriundas das periferias de Olinda. Hoje, são mais de 150 pessoas na Companhia Brasil por Dança, entre diretoras, diretores, professoras, professores, passistas e famílias.
“Esse documentário vai falar sobre a nossa história, dia-a-dia, arte e sobretudo da nossa luta. Luta de sair de casa para dançar e de poder dizer que existimos. E ter nosso documentário estreado no Cinema São Luiz é algo incrível. Eu particularmente nunca pensei que isso poderia acontecer. Mas as passistas e os passistas estão ocupando lugares que nunca ocuparam”, afirma Adriana do Frevo, que costura o fio do documentário com suas falas.

A ideia do filme é fruto do desejo de Beatriz Nascimento de documentar a vivência social e comunitária da Companhia Brasil por Dança. Ela também é passista da própria companhia e artista do circo, e neste projeto roteirizou e coordenou a produção do documentário. Ao mesmo tempo em que resgata a história e registra a atualidade da companhia, o audiovisual reúne entrevistas, imagens poéticas, videodança, captações do cotidiano, dos ensaios, da preparação para o carnaval e dos desfiles da companhia neste ano de 2026.
“Com a feitura do filme, a gente reforça a importância do acesso, da acessibilidade, da preservação da memória e da valorização do frevo e da cultura popular, convidando o público a conhecer essa trajetória e a frevar conosco. Mas também buscamos mostrar as relações, quem são essas pessoas e o que acontece por trás do show que a companhia dá.”, declara a roteirista Beatriz Nascimento.
“Gravar, dirigir e presenciar essa história foi uma das coisas mais significativas para mim nesse trabalho de salvaguarda da cultura popular, que até então eu só tinha feito com o maracatu nação. E a história do Cia é uma das coisas mais bonitas que eu já vi, principalmente quando se fala de transformação social. Ter esse documentário é um presente para o futuro e para as pessoas que estão fazendo essa história”, pontua Karen Aguiar, diretora do filme, realizadora audiovisual na Ará Produções e regente do Maracatu Leão Coroado.
Programação
O curta-metragem pernambucano “Graxa e o Zepelim”, recém-estreado no Festival de Gramado, é exibido gratuitamente no encontro de lançamento de “O Cia é Show”. Com direção de Camilo Soares e estrelado pelo músico Ângelo de Souza (PE), a obra tem 20 minutos de duração e classificação indicativa livre.
Serviço:
Data: 17 de setembro (quinta-feira)
Local: Cinema São Luiz (Rua da Aurora, nº 175 – bairro da Boa Vista, centro do Recife/PE)
Horário: 19h
Entrada: gratuita (sem necessidade de retirada do ingresso)
Acessibilidades: Libras (Língua Brasileira de Sinais) e legenda descritiva para pessoas surdas e ensurdecidas (LSE)


