Exposição “Cozinha Sertaneja – Comer para Resistir” ganha mais tempo de visitação no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa

Mostra segue em cartaz até o dia 27 de setembro, colocando em evidência saberes, tecnologias e tradições alimentares do Sertão pernambucano

Exposicao Cozinha Sertaneja no Centro Cultural Mercado Eufrasio Barbosa Foto de Okoye Ribeiro 2
A exposição está em cartaz de terça a domingo, das 9h às 17h. (Foto: Okoye Ribeiro/Divulgação)

Quem ainda não visitou a exposição “Cozinha Sertaneja – Comer para Resistir” ganhou mais tempo para conhecer a mostra. Em cartaz de terça a domingo, das 9h às 17h, no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, a exposição foi estendida e permanecerá aberta ao público até o dia 27 de setembro de 2026. A entrada é gratuita.

A mostra, que estreou no Circuito Fenearte, programação que conecta a Fenearte a espaços de arte, cultura e economia criativa de Pernambuco, apresenta a cozinha sertaneja como um patrimônio cultural construído a partir da relação entre natureza, memória, resistência e religiosidade.

A cozinha sertaneja constitui um sofisticado sistema de conhecimentos desenvolvido ao longo de gerações para atender a uma questão fundamental dos sertanejos: como resistir? A partir dessa perspectiva, a exposição reúne objetos, utensílios, instalações cenográficas, fotografias e textos curatoriais que apresentam diferentes formas de produzir, conservar, preparar e compartilhar alimentos no Semiárido.

A mostra parte da compreensão de que cozinhar, no Sertão, sempre significou muito mais do que preparar comida. Diante da irregularidade das chuvas, das longas distâncias e da escassez de recursos, povos indígenas, africanos, sertanejos e colonizadores desenvolveram técnicas capazes de conservar, transportar e transformar alimentos. Esses conhecimentos deram origem a um repertório de práticas que atravessa gerações e permanece presente na cultura alimentar nordestina.

Organizada em diferentes núcleos temáticos, “Cozinha Sertaneja – Comer para Resistir” percorre assuntos como a mandioca — o “pão da terra” que alimenta o Brasil desde antes da colonização —, a criação de animais, a importância do porco e da banha na conservação dos alimentos, a cozinha como espaço de convivência e transmissão de saberes e a religiosidade popular. Também estão presentes referências aos oratórios domésticos e à devoção a São José, santo associado às chuvas e à boa colheita no Sertão.

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A exposição traz instalações que recriam ambientes relacionados à cozinha sertaneja como espaço de memória, encontro e afeto. (Foto: Okoye Ribeiro/Divulgação)

Fotografia e olhar do Sertão

Um dos destaques da exposição é um extrato do ensaio fotográfico “Vaqueiros de Gibão” (2025), resultado de mais de uma década de pesquisa do fotógrafo e antropólogo Pablo Pinheiro no Seridó, região entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba. Construídas a partir da convivência e da escuta de homens e mulheres que mantêm viva a tradição da vaqueirama sertaneja, as imagens revelam o vínculo entre o vaqueiro, a caatinga e os saberes transmitidos entre gerações.

Mais do que documentar um ofício, o ensaio reafirma o vaqueiro de gibão como protagonista de uma cultura viva e expressão da memória, da identidade e do patrimônio cultural do Sertão nordestino.

Outro núcleo da exposição é dedicado ao fotógrafo Xirumba, que celebra 50 anos de trajetória profissional. O público pode conferir dezenas de imagens produzidas por ele entre 1983 e 2008, resultado de mais de duas décadas de viagens pelo Sertão brasileiro.

As fotografias percorrem paisagens, personagens e modos de vida de diferentes territórios, da Bahia ao Maranhão, compondo um retrato sensível da diversidade sertaneja. “Tudo no Sertão me impressiona: as pessoas, a luz, que é única. Tem uma luminosidade que nunca vi em nenhum outro lugar do mundo”, afirma Xirumba.

Serviço:
Exposição “Cozinha Sertaneja – Comer para Resistir”
Local: Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa – Olinda (PE)
Visitação: até 27 de setembro de 2026
Dias e horário: terça a domingo, das 9h às 17h
Entrada: gratuita