A cultura periférica contemporânea e o senso de comunidade são os principais recursos mobilizados por jovens negros do Recife para atravessar um cotidiano marcado pelo racismo estrutural em Guél Boy, curta-metragem dirigido por Ayla Òbì. Com elementos de realismo fantástico, o filme foi inteiramente gravado com celular e drone, construindo uma linguagem visual própria para acompanhar as experiências, afetos e conflitos de seus personagens.
Nesta semana, o curta inicia uma circulação por diferentes territórios do Recife e de Olinda, com quatro sessões gratuitas entre os dias 16 e 20 de setembro, seguidas de bate-papos com integrantes da equipe. A programação começa na quarta-feira (16), às 19h, no Centro Cultural Periférico Aurora Candidé, em Olinda. Na quinta (17), chega ao Coque; na sexta (19), à Ilha de Deus; e, no sábado (20), ao Recife Antigo, sempre às 19h.
O filme acompanha os amigos Uilson (Gabriel Oliveira), Marlon (Haryson Ribeiro), Duda (Rayssa Canuto) e Ninha (Kamile Nascimento), em uma narrativa que investiga os afetos, dilemas e expectativas da juventude negra. O filme também questiona a cobertura sensacionalista de programas policiais e a forma como os meios de comunicação hegemônicos historicamente contribuem para a criminalização desses jovens.
O passinho do bregafunk, a pichação, o grafite, a poesia, a produção musical, as redes sociais e os jogos online atravessam a narrativa e ajudam a construir um retrato contemporâneo do Recife. A música ocupa lugar central no curta, com uma trilha sonora que reúne diferentes vertentes do brega-funk e do hip-hop.
O próprio elenco mantém uma relação direta com essas linguagens e expressões artísticas. Entre os nomes estão Okado do Canal, que já protagonizou curtas e um longa-metragem, e Samuel Mucão, com trajetória no audiovisual.
A linguagem visual do filme também parte de uma perspectiva autônoma e contemporânea, explorando as cores, a luminosidade e as vivências características do verão recifense. A direção de fotografia é assinada por Roberto Iuri e a produção foi realizada por Rose Lima e Júlia Machado.
Para Ayla Òbì, Guél Boy é, sobretudo, um filme sobre amizade e sobre uma comunidade que se conhece, se apoia e encontra formas de construir felicidade: “Apesar da imposição e atravessamento de distorções que se originam do racismo estrutural do Brasil através da mídia e da segurança pública, no filme, as pessoas vivem suas vidas organizando momentos que contradizem essa lógica da branquitude. Sendo assim, é um filme que, em seu gesto, por si só, é uma homenagem à vida e à cultura periférica”, afirma a diretora.
O curta estreou na Semana do Audiovisual Negro e está na programação do 19º Festival Entretodos de Filmes Curtos e Direitos Humanos, em São Paulo.
Programação das exibições:
Quarta-feira (16), às 19h
Centro Cultural Periférico Aurora Candidé
Bate-papo com Ayla Òbì, Rose Lima e Roberto Iuri.
Quinta-feira (17), às 19h
NEIMFA – Coque
Bate-papo com Anne Lírio Canuto, Anne Rayssa Canuto e Kamile Nascimento.
Sexta-feira (19), às 19h
Caranguejo Uçá – Ilha de Deus
Bate-papo com Maria Gabrielly Dantas, Haryblack e Okado do Canal.
Sábado (20), às 19h
Casarão das Artes – Recife Antigo
Bate-papo com Ayla Òbì, Ana Claudia Miguel, Carbonel e Gabriel Oliveira.


