Quanto pesa um corpo sustentado apenas por um fio? O que ainda nos mantém de pé quando a vida parece caminhar sobre o limite entre a queda e a permanência? É desse território de instabilidade, onde o desequilíbrio deixa de ser ameaça para se tornar linguagem, que nasce “Por um fio”, novo espetáculo cênico-musical da artista pernambucana MAJU, que estreia no Recife propondo uma experiência em que música, poesia, teatro, dança, performance e interpretação em Libras se entrelaçam. A apresentação de estreia acontecerá no dia 12 de setembro (sábado), às 20h, no Espaço Cênicas, Recife Antigo.
“Por um fio” convida o público a atravessar uma experiência em que arte e existência caminham juntas. Ao longo de cerca de 90 minutos, MAJU conduz a plateia por um picadeiro simbólico onde um corpo insiste em permanecer vivo diante da iminência da queda. A imagem do fio, delicado, quase invisível e, ao mesmo tempo, capaz de sustentar uma travessia inteira, atravessa toda a dramaturgia como metáfora daquilo que nos prende à vida.
“Um único fio é capaz de sustentar uma queda? Do que é feito o fio que nos ata à vida? Qual o fio que desata a morte?” As perguntas não procuram respostas definitivas. Tornam-se matéria cênica para investigar memória, ausência, sobrevivência e transformação, construindo uma poética em que cair e permanecer deixam de ser movimentos opostos para se tornar partes de uma mesma travessia.
A criação nasce de um período de profundas transformações na trajetória artística de MAJU e converte experiências de ruptura em matéria estética sem recorrer ao relato autobiográfico. Em vez de narrar uma história íntima, o espetáculo amplia essa vivência para tocar questões universais sobre luto, permanência, reinvenção e a capacidade humana de reconstruir sentidos quando tudo parece deslocado. É justamente nessa delicada transformação do íntimo em experiência coletiva que reside uma das maiores forças da obra.
Com direção assinada pela própria artista MAJU, “Por um fio” dissolve as fronteiras entre concerto, performance e teatro. O violão, o violoncelo, a percussão, as vozes convidadas, a dança, a Libras e as ações performativas não aparecem como elementos independentes, mas como partes de uma única dramaturgia. Cada canção funciona como uma corda bamba; cada gesto amplia a narrativa musical; cada imagem aproxima o espetáculo da experiência ritual.
Serviço:
Local: Espaço Cênicas – Rua Vigário Tenório, 199, Recife Antigo
Data: 12 de setembro (sábado)
Horário: 20h
Duração: 90 minutos


