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“Porto Alba” sonha com o terror de perder uma comunidade: uma conversa com Irka Barrios

Novo livro da gaúcha Irka Barrios tem elementos do fantástico, do romance e do horror corporal para falar de uma cidade às voltas com uma tragédia ambiental

Irka Barrios lança seu novo livro “Porto Alba” no Recife (Foto: Divulgação/Oblíquo Imagens)

Nascido de inquietações, sonhos e distopias reais, Porto Alba, o novo livro da gaúcha Irka Barrios, editada pela Autêntica Contemporânea, tem elementos do fantástico, do romance, do horror corporal, de uma mistura complexa que o torna uma teia de relações humanas. A obra surge da necessidade de retratar o conflito, de falar de uma comunidade que luta com todas as armas que tem. Ou talvez de uma comunidade livre de pressões sociais, onde a relação da mulher com seu corpo é cheia de risos e poder. Talvez, ainda, seja um retrato de uma sociedade assombrada por promessas, por ameaças, por fake news e pelo terror do comum.

O livro acompanha Ana, uma médica da cidade grande que aceita o desafio de ir a Porto Alba tentar descobrir a origem científica do “mal do rio”, uma doença que assola os moradores. Mas a cidade-personagem se revela por meio de enigmas e mistérios costurados por seus moradores, e Ana embarca em uma jornada pessoal intensa enquanto encara a comunidade.

Cada personagem da trama revela um elemento da cidade, que vai se construindo nos acordos, nas conversas e nos segredos. Babilônia, amiga de Ana e figura extremamente emblemática dentro das relações de poder da comunidade, aparece como uma mulher que não se desculpa pelas suas formas, que manipula para conseguir o que quer e que carrega consigo as dualidades do mundo exterior e de Porto Alba, as dualidades do que se impõe e das escolhas. Os homens com quem Ana se envolve, Tomás e Verón, carregam consigo, de maneiras distintas, os fardos da cidade e do rio, seja navegando para distribuir mercadorias ou desenhando as marcas do rio no rosto.

Ana é um caso à parte. Ela chega como uma representante cética da cidade, como uma voz de razão e ciência que começa a questionar seus saberes quando esses batem de frente com a sabedoria popular, a incerteza, a resistência e, talvez, até o sobrenatural. A “doutorinha”, então, como é chamada por Bete, sua assistente, tenta resistir à cidade enquanto seu corpo vai, aos poucos, incorporando as linguagens da comunidade, consumindo e se adequando aos entorpecentes que marcam as fronteiras de Porto Alba.

Porto Alba é, ao mesmo tempo, romance e indignação, distopia e realismo, e ciência e dúvida. “Gosto da sensação de que estou convidando o leitor a entrar e debater comigo as possibilidades. Eu desejo que o leitor consiga mergulhar em Porto Alba. Aceitar as regras pouco usuais do local. Ao fechar o livro, desejo suscitar questionamentos políticos porque o livro parte de uma revolta. Também gostaria de suscitar insights sobre a condição da mulher, as inúmeras repressões que o corpo feminino enfrenta durante a vida”, disse a autora em entrevista à Revista O Grito!.

Sobre a construção de um final para o encontro de Ana com Porto Alba, Barrios permite ao leitor se surpreender sem perder o mistério, e afirma que “Sustentar uma mentira é um feito, sustentar várias pequenas mentiras é como equilibrar pratos. Quando compreendi que na realidade que vivemos, cada um se permite suas pequenas mentirinhas diárias, determinei que a resolução do grande mistério não devia ser uma revelação”, diz.

Em tempos de fragmentação das noções basilares de cooperação e verdade, de individualismo exacerbado, de neocolonialismo e de ameaças à soberania, em uma sociedade cada vez mais fragilizada e solitária, uma comunidade que se recusa a abrir mão da sua terra é revolucionária.

Irka Barrios estará hoje, sexta-feira (14/08), na Livraria Leitura do Shopping Recife para o lançamento do romance Porto Alba, às 19h. O evento gratuito contará com um bate-papo entre a autora e a escritora Patrícia Gonçalves Tenório.

Leia a nossa entrevista completa com Irka Barrios, abaixo:

Você coloca o leitor dentro do livro, desde a sinopse, dizendo que “Há algo errado em Porto Alba”, e a sensação que atravessa o romance é exatamente essa, de que tem algo acontecendo. E falo algo porque passei o romance inteiro tentando apontar o dedo e decifrar as pessoas e a cidade sem sucesso. De onde nasceu essa cidade fictícia de fronteira e o que ela te permitiu dizer que um cenário real não permitiria?

Vejo muito elemento sobrenatural em Porto Alba. Alguns leitores podem considerar um sobrenatural mais sutil, ligado a visões ou delírios das personagens, ligado a sonhos. Eu gosto de trabalhar em cima do fantástico bem clássico, aquele que permite a hesitação. Poderia transportá-lo para uma cidade bem fincada no mundo real, sem problemas. E acho que funcionaria, confiando na possibilidade de hesitação do leitor. 

A minha leitura particular da história, entretanto, busca imaginar um universo além, como se eu precisasse torcer meia volta a mais o parafuso da realidade. A dificuldade em identificar padrões de comportamento e conduta das personagens, eu sei, leva a esse lugar de dúvida. Mas quer saber? Eu acho que isso é bem real hoje, agora em 2026. Vejo pesoas se tornando cada vez mais controversas, vejo linhas de raciocínio que se entortam para provar a tese que a pessoa defende. 

A complexidade das relações humanas tornou o mundo mais complexo, penso eu. Fomos todos tragados para esse lugar de difícil compreensão e precisamos viver, trabalhar, acreditar, seguir em frente.

O “Mal-do-Rio” funciona tanto como enigma médico quanto como metáfora. Como você construiu essa “doença”, que é também o grande mistério do romance, para que ela carregasse esse simbolismo político, social e fosse, ao mesmo tempo, científica e narrativamente crível?

Foi um grande desafio. Pensar a doença como enfermidade e como metáfora, utilizá-la como arma e escudo de uma sociedade assombrada por uma promessa que tem muito de ameaça. O gênero fantástico entra para tornar crível (ou, pelo menos denfesável) certas atitudes desesperadas. 

E, neste ponto, recorro ao inquietante, de Freud, um recurso que cabe tão bem às histórias que trabalham sensações perturbadoras: o que nos aterroriza são aqueles 20% que destoam do que nos é familiar. Tentei levar a forasteira Ana para este lugar de dúvida, em que o cotidiano todo é ordinário, mas aqueles 20% extraordinários causam enorme perturbação.

O livro mistura suspense psicológico, horror corporal, crítica ambiental, desejo e romance. Qual desses registros veio primeiro na concepção da história, e como foi o processo de equilibrar tons tão diferentes sem que um anulasse o outro?

A primeira faísca, o disparo inicial para contar a história veio do conflito. Eu queria muito falar de uma sociedade que luta com as armas que tem. Imaginei essa sociedade em 2019/dezembro, antes mesmo da Covid se tornar uma pandemia. Lembro de acordar de um “sonho intranquilo” sobre um local atingido por uma epidemia de piolhos. Meu viés fantástico, é claro, imaginou super piolhos, impossíveis de combater, com potencial de se tornarem arma biológica. 

Depois a Covid se espalhou, tomou o mundo, e as reações desesperadas (que todos nós presenciamos na mídia e nas redes sociais) me ajudaram a delinear algumas personalidades. Ana veio primeiro e Babilônia logo atrás. Tomás e Bete também se desenharam quando passei a explorar as questões de corpo e de sexualidade. Logo que entendi que a história tinha potencial para se transformar num romance, despejei nos conflitos das personagens muitas das questões que me inquietam e aparecem em minhas publicações anteriores. 

A relação da mulher com seu corpo e a forma como a sociedade encara isso são o ponto central de minha escrita. Sempre vai escapar uma ou outra crítica nas cenas que crio, pois muitas delas nascem de inquietações próprias. Algumas nascem de revoltas (risos). Portanto, foi inevitável tocar no tema. Acomodei-o dentro das personagens, em suas questões íntimas e tentei puxá-las aos poucos, em diálogos desconfortáveis. 

Equilibrar foi o mais difícil, eu não queria que um tema se sobressaísse ao outro. Dosar foi um exercício interessante. Depois me propus a ler, reler, cortar excessos. Neste processo todo, ouvi muita gente experiente. Foi bem importante.

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Ana chega como médica, como, de alguma maneira, a personificação da ciência, da racionalidade, como uma figura de “razão” para investigar algo que resiste à explicação racional. Até que ponto Porto Alba é também um romance sobre os limites do olhar científico diante de saberes locais?

Eu acho que Porto Alba é totalmente isso. Vejo com certa curiosidade a mudança que a figura do médico (dos cientistas em geral) sofreu após uma reconfiguração de relações sociais. O dr. Google passou a diagnosticar, receitar, sugerir hábitos e restrições. Depois, para abalar de vez uma relação que já vinha com abalos, veio a pandemia. A opinião do médico passou a ser contestada, discutida. 

E, veja bem, não estou defendendo que os cientistas deveriam voltar a ocupar um pedestal. É inegável que a horizontalidade abriu um canal de comunicação entre o conhecimento popular e o saber científico antes desprezado. O caso é que a internet veio para o bem e para o mal. Junto com canais de educação, saúde e cultura geral, as fake news se disseminaram. 

Hoje conhecemos o estrago que uma notícia falsa faz. Dissemina-se e ninguém mais desmente. Isso tudo nos trouxe até aqui, um espaço de gente maluca onde todo mundo busca provar sua razão. A ciência planta dúvidas, a religião traz certezas, na hora do desespero é mais confortável se apegar a quê?

Quis fazer de Porto Alba uma provinha desta loucura. Uma época, eu até achei inverossímil. A realidade me mostrou que não, é um lugar bem crível.

A ameaça da hidrelétrica é o motor político do livro. Você se inspirou em casos reais de comunidades brasileiras atingidas por grandes obras de infraestrutura? Como foi a pesquisa para dar corpo a esse conflito territorial?

Eu nasci, vivi a infância e a adolescência em Tuparendi, cidade que faz fronteira com a Argentina. Depois, Porto Mauá se emancipou. A cidade fictícia de Porto Alba é inspirada em Porto Mauá. 

Convivi com duas promessas: a construção de uma ponte ou a barragem. Cinquenta anos se passaram, nada se concretizou. A região, porém, mudou bastante, hoje há comércio de produtos argentinos, como vinhos (comércio legal e também ilegal), há um free shop (e outro em fase de contrução), e há o turismo em expansão, com as imobiliárias locais vendendo cotas num resort às margens do rio Uruguai. 

Quando comecei a pesquisar sobre hidrelétricas, me chamou a atenção o trabalho do MAB (Movimento de Atingidos por Barragens). Assisti a inúmeros documentários, desde os mais amadores, filmado por pessoas das comunidades, até uns bem elaborados. Pude compreender melhor as queixas de quem se viu obrigado a deixar suas terras. Pude compreender a revolta com promessas que não se concretizaram por completo. O MAB atua no Brasil inteiro, está na defesa pelas famílias das vítimas de Brumadinho e de Mariana, em Belo Monte e nas barragens construídas nas margens do rio Uruguai que banham território brasileiro. Para construir uma hidrelétrica binacional é um pouco mais complicado. A Argentina exige consulta popular e não há previsão. Em minhas pesquisas, descobri que é provável que a usina de Panambi nunca saia do papel. Mesmo assim, me interessou narrar uma comunidade assombrada por fake news e por promessas com sabor de ameças.

O mais irônico é que passei a seguir e apoiar as ações do MAB. E em maio de 2024, quando fui atingida pela enchente, as queninhas do MAB me alimentaram nos 20 dias em que vim limpar minha casa e as ruas do bairro.

A personagem Babilônia aparece com muita força cênica durante toda a obra, com os kimonos, os gestos, a ironia. Um trecho em específico marcou muito para mim a figura dela e a relação da Ana com ela, de misticidade, exaltação, quase inclinada a espelhar a figura dela naquela comunidade: “Sentou-se, dessa vez no lugar que Babilônia ocupava no sofá. Ao centro, de pernas abertas (apesar de estar com o corpo vestido), imitou o ar de satisfação que a amiga expressava no dia em que a viu com Verón.” Fala um pouco sobre a construção dessa personagem e sobre o papel do corpo, do excesso e da performance dentro da atmosfera de horror do livro.

É perceptível o olhar de admiração que tenho por Babilônia, né? Ela é uma personagem que se impôs logo no início. Pensei-a para trazer as questões de corpo. Queria Babilônia despindo Ana (já que ela é tão fechada). Queria que Babilônia fosse essa mulher que mente, dissimula e atua para conseguir realizar o que pretende. Também a criei para discutir outra doença, o câncer. Queria o contraponto da doença que vem de fora, como uma contaminação, e da doença que vem de dentro, na forma de células defeituosas, incontroláveis. 

Mas a personagem cresceu porque acabou encampando as questões sexuais que eu sempre trago para dentro de minha produção. Considero que ela ganha muito quando ocupa esse lugar de não julgamento sobre comportamentos sexuais pouco usuais de Bete e dela própria. 

Ah, eu sou uma entusiasta do horror corporal porque ele dá conta de abordar questões tão nossas (das mulheres). Comemoramos tantos avanços pautados por lutas feministas e mesmo assim seguimos aprisionadas em julgamentos que levam em consideração nosso corpo e nossos hábitos sexuais. É muito cruel. E de tão difícil libertação. 

Irka Barrios

Em meus melhores sonhos, mulheres não são julgadas por seus hábitos e preferências sexuais. Babilônia também está na história para demarcar esta não fronteira.

Ana bebe compulsivamente ao longo de todo o romance e, a cada vez, sofre reações quase desproporcionais, mas insiste em repetir a dose, como se o entorpecimento valesse o sofrimento físico que vem depois. Perto do fim, os moradores dizem a ela que talvez não consiga deixar Porto Alba porque ela é “uma deles”. Essa insistência autodestrutiva de Ana com a bebida foi pensada como um caminho de pertencimento? Uma forma do corpo dela ir se tornando corpo de Porto Alba antes mesmo que ela aceite isso racionalmente? E até que ponto os entorpecentes, que no livro passam de vício isolado para símbolo coletivo de mistério e resistência, funcionam como uma linguagem própria da comunidade, à qual Ana só consegue ter acesso pagando o mesmo preço que todos ali pagam?

Sim, o comportamento autodestrutivo foi pensado como um caminho que levará Ana à consciência de pertencimento. Não vejo Ana como uma personagem arrogante, e nos poucos episódios em que sua arrogância médica se sobressai ela é sufocada por ações ou atitudes das pessoas que a rodeiam. O único que não tem escopo para reagir às carteiradas é Rubens, e acho que o público leitor deve comemorar a submissão deste personagem. 

O corpo de Ana compreendeu sua permanência em Porto Alba antes mesmo de sua mente registrar o que ocorre na cidade. Gosto da intuição dela, e de seus insights, mesmo os mais delirantes. São esparadrapos colocados um por cima do outro para tampar feridas que ela esconde o tempo todo. E quando o excesso vem, é um festival de exageros.

Algumas pessoas entendem que Ana tem vícios. Eu penso um pouco diferente. Prefiro acreditar que ela está para o jogo. Não de peito aberto para o jogo, porque Ana é uma personagem cínica. Neste sentido, ela não destoa de outros médicos que estiveram lá, receberam suas boas cifras e se mandaram sem culpa. Mas ela ainda carrega uma esperança, uma crença, uma alegria que está pronta para escapar, e escapa assim que ela se vê apaixonada. 

Ainda sobre a bebida, há o parelelo com Diomedes, o médico que bebia demais. Tinha inúmeros defeitos, mesmo assim foi o único que desvendou o mistério de Porto Alba. Penso que Ana gosta de se aproximar da figura dele.

O horror corporal costuma ser um gênero pouco explorado na literatura brasileira contemporânea. O que esse subgênero te oferece para falar de temas como progresso, destruição e manipulação que talvez o realismo não desse conta de expressar?

Ah, eu sou uma entusiasta do horror corporal porque ele dá conta de abordar questões tão nossas (das mulheres). Comemoramos tantos avanços pautados por lutas feministas e mesmo assim seguimos aprisionadas em julgamentos que levam em consideração nosso corpo e nossos hábitos sexuais. É muito cruel. E de tão difícil libertação. 

Esse é um dos motivos de minha narradora e minhas personagens exaltarem Babilônia, uma mulher não padrão, 50+, acima do peso, com uma cirurgia de reconstituição de mama, que se ama de verdade, diz sim quando quer e não quando não quer e se permite o amor e o sexo. 

Uma história assm não devia ser fora do comum. 

Mas sou uma otimista, e acredito que muito em breve o realismo deverá abraçar situações de mulheres similares às que vivem em Porto Alba.

“Quis fazer de Porto Alba uma provinha desta loucura. Uma época, eu até achei inverossímil. A realidade me mostrou que não, é um lugar bem crível.”

Irka Barrios

Ciência, superstição, verdade e manipulação se confundem página a página. Como você trabalhou a voz narrativa para manter o leitor nessa incerteza sem entregar respostas cedo demais?

criar o universo de Porto Alba foi o maior desafio. As mentiras que se originam de todos os lados e se empilham uma sobre a outra me deram um trabalhão. Sustentar uma mentira é um feito, sustentar várias pequenas mentiras é como equilibrar pratos. Não foi à toa que levei seis anos para finalizar a história. Quando compreendi que na realidade que vivemos, cada um se permite suas pequenas mentirinhas diárias, determinei que a resolução do grande mistério não devia ser uma revelação. 

Quer dizer, no romance, bem no fim, há uma revelação, mas ela vem após tanta subtrama que sua importância perde a força. Poderia ser outra explicação, pois Ana já havia feito sua escolha. 

É assim que eu compreendo o enredo porque é assim a vida: a linha final obscurece o percurso. Não devia.

Como “Porto Alba” dialoga com outros trabalhos seus? O que mudou na sua escrita entre este romance e projetos anteriores?

Mudou minha forma de enxergar o romance. Sempre me senti contista, e sempre fui crítica ao romance, achava-o uma forma narrativa muito conservadora. Porto Alba me fez rever considerações. Acho que é possível subverter algumas regrinhas. 

OBS: tenho consciência que determinadas subversões provocam revoltas, especialmente em leitores que buscam uma história mais fechada. Mas, bem, uma história fechada não seria minha. Gosto da sensação de que estou convidando o leitor a entrar e debater comigo as possibilidades.

Depois de mergulhar tanto tempo em Porto Alba, que pergunta você espera que o leitor carregue consigo depois de fechar o livro?

Eu desejo que o leitor consiga mergulhar em Porto Alba. Aceitar as regras pouco usuais do local. Ao fechar o livro, desejo suscitar questionamentos poíticos porque o livro parte de uma revolta. 

Também gostaria de suscitar insights sobre a condição da mulher, as inúmeras repressões que o corpo feminino enfrenta durante a vida.

Pensando, aqui, tem mais fios de interpretação. Gostaria que os leitores enxergassem o livro como uma árvore.

Serviço:
Porto Alba, Irka Barrios
Grupo Autêntica, 216 páginas, R$ 69,80

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