Quando a sala de cinema também vira palco: Festival Fabulosa celebra o imaginário queer no Recife unindo diversas expressões artísticas

Evocando as bruxas, figuras míticas femininas presentes no universo do cinema e do teatro, evento quer provocar uma nova experiência para seus espectadores

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A cultura drag é um dos destaques do Festival Fabulosa este ano. A drag Lea Farsaid é a Fabulosa 2026. (Foto: Divulgação)

Cinema, desejo, fantasia e performance voltam a se encontrar no Recife com a terceira edição da Fabulosa – Festival Internacional de Cinema Queer Especulativo do Recife. Entre 17 e 20 de setembro, o festival ocupa o Cinema da Fundação e o Cinema São Luiz com uma programação que amplia as fronteiras tradicionais da experiência cinematográfica. O recorte reúne filmes especulativos nacionais e internacionais produzidos por pessoas LGBTQIAPN+, aproximando a ficção do universo do fantástico e das diferentes formas de imaginar corpos, afetos e identidades.

A abertura, no dia 17, às 19h30, no Cinema da Fundação, parte de um objeto já incorporado ao imaginário queer: The Rocky Horror Picture Show. O documentário Strange Journey: The Story of Rocky Horror, de Linus O’Brien, revisita os bastidores do clássico de 1975, dirigido por Jim Sharman, em sessão acompanhada por performances do coletivo Phenomena Drag. O filme mostra detalhes da realização desse clássico do cinema estrelado pelo ator Tim Curry, falecido no mês passado.

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Documentário Strange Journey: The Story of Rocky Horror, de Linus O’Brien abre a mostra no Cinema da Fundação. (Foto: Divulgação)

Rompendo fronteiras

Mais do que uma mostra de filmes, a Fabulosa aposta na própria reinvenção da sala de cinema: um espaço onde assistir, performar, desejar e imaginar podem fazer parte da mesma experiência. Dessa forma, a relação entre cinema e presença cênica atravessa toda a programação. No sábado (19), às 18h30, o Cinema São Luiz recebe novamente Tatuagem (2013), de Hilton Lacerda. O filme será comentado pelo próprio diretor e terá a participação das drag queens As Malignas.

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O cineasta Hilton Lacerda comentará seu filme Tatuagem, com a participação das drags queens As Malignas. (Foto: Divulgação)

A proposta de transformar as sessões em acontecimentos vivos chega também ao teatro. O Grupo ATO de Teatro fará uma leitura ao vivo do roteiro de Inferninho (2019), de Pedro Diógenes, Guto Parente e Rafael Martins. A obra cearense, premiada em diversos festivais, tornou-se uma referência afetiva do cinema LGBTQIAPN+ brasileiro. A sessão acontece no domingo (20), às 17h30, encerrando o festival. Já a música entra em cena com FATO, artista que estreia no palco do São Luiz a canção Se Me Ver Na Rua, seu primeiro single, que será lançado nas plataformas digitais no dia 17.

Para quem procura uma experiência mais explícita, a sessão +18 Love-me Hard retorna após a repercussão da edição anterior. No dia 18, às 19h30, no Cinema da Fundação, a seleção reúne filmes eróticos de oito países, em curadoria do festival parceiro Rio LGBTQIAPN+. A sessão ganha ainda o Fabulosa Show, programa comandado por quatro drag queens que conversam com o público e oferecem conselhos amorosos antes das projeções.

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A música entra em cena na Fabulosa com a estreia no palco do São Luiz da canção Se me Ver na Rua, primeiro single de FATO. (Foto: Divulgação)

A cultura drag é, aliás, uma das marcas desta edição. A pernambucana Lea Farsaid foi escolhida como a Fabulosa de 2026 e estará à frente das principais sessões, unindo apresentação e performance. DJ, publicitária e produtora cultural, Lea também atua na articulação do Phenomena Drag, coletivo que reúne artistas da nova geração da cena recifense.

Uma curadoria instigante

Claramente a Fabulosa carrega uma marca que a diferencia de outros festivais LGBTQIAPN+. O cineasta e curador Henrique Arruda, da Filmes de Marte, diz que a proposta do evento é criar uma nova experiência dentro da sala de cinema, juntando os filmes com outras diversas artes. “O nosso pensamento é linkar os filmes com performances, teatro, música, arte drag, e entender a sala de cinema como um lugar de celebração da arte queer em toda a sua potência. Nosso desejo é que as pessoas entrem na sala para viver uma experiência além dos filmes”. 

Arruda destaca o papel da Fabulosa para a cena do audiovisual pernambucano hoje. “Eu acho que estamos criando nossa história, e percebendo que estamos ocupando o nosso espaço. Essa é nossa terceira edição, pela primeira vez realizada de forma totalmente independente, a partir de apoios de amigos e parceiros de longa data, então isso também tem sido muito significativo esse ano, principalmente depois de uma edição em que começamos com ingressos esgotados para quase todas as nossas sessões, como foi em 2025″, afirma. 

Esse ano a Fabulosa será o único festival LGBTQIAPN+ no Recife, e para Arruda isso é uma prova de que “é preciso lutar constantemente por mais espaços e janelas para que nossas histórias possam ser produzidas, mas também exibidas! Formamos um lugar seguro para os nossos, para as nossas narrativas, e esse lugar não pode deixar de existir”.  

Por estar acontecendo sem recursos, Arruda diz que foi preciso condensar um pouco mais as faixas de exibição. “Nós sentimos que a edição de 2025 foi fundamental para entendermos o que o nosso público quer, e quais fórmulas vamos continuar seguindo. Ou seja, foi uma edição em que buscamos olhar para nossos clássicos, realizando um diálogo com a produção LGBTQIAPN+ que está sendo realizada agora, a partir dos curtas da programação. Será um encontro geracional muito bonito de viver”, conclui.

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Para o cineasta Henrique Arruda, da Filmes de Marte, diretor artístico da Fabulosa, é preciso lutar para termos mais espaços para as histórias das pessoas LGBTQIAPN+. (Foto: Divulgação)

Realizado pela Filmes de Marte e Profana Produções, o festival tem entrada gratuita na maioria das sessões. As informações sobre ingressos estão disponíveis nos perfis do Instagram do Cinema da Fundação e do Cinema São Luiz.

PROGRAMAÇÃO

QUINTA-FEIRA
Cinema da Fundação

17h – SESSÃO – DA MAGIA À SEDUÇÃO
com exibição do longa-metragem ‘’Arrenego’’, de Fernando Weller e Alan Oliveira.
Curta-metragem de abertura: ‘’Lucrecia y Las Brujas’’, Eduardo Lecuona, MX, 2026.

19h30 – SESSÃO –  ABERTURA FABULOSA 2026
Strange Journey: The Story of Rocky Horror, EUA, Linus O’Brien

Performances do coletivo Phenomena Drag

SEXTA-FEIRA
Cinema da Fundação 

17h30 – SESSÃO MARACATRÔNICA
Mostra Pernambucana competitiva de curtas-metragens

19h30 – SESSÃO LOVE-ME HARD (+18)
com curadoria do RIIO LGBTQIAPN+ 

Com performances de: Cyberboneka, RosyMar, Lea Farsaid, e As Malignas


SÁBADO
Cinema São Luiz

15h – SESSÃO – ELES ESTÃO TE OBSERVANDO
Mostra Paralela nacional de curtas-metragens

16h30 – SESSÃO – PRAZER, ME CHAMO DESEJO
Mostra Nacional competitiva de curtas-metragens 

18h30 – AS MALIGNAS COMENTAM TATUAGEM
Sessão comentada ao vivo, com a presença do diretor da obra, Hilton Lacerda.

Com performances de: Lea Farsaid, e As Malignas.


DOMINGO
Cinema São Luiz

15h – SESSÃO – O ÚLTIMO VOO DA NAVE
Panorama Internacional de Curtas-metragens

17h30 – ATO LÊ INFERNINHO E SHOW DE FATO
Grupo ATO de Teatro realiza a leitura do roteiro do longa-metragem ‘’Inferninho’’, de Pedro Diógenes, Guto Parente, Rafael Martins. A abertura da sessão fica por conta do show de estreia do cantor pernambucano FATO. 

19h30 – CERIMÔNIA DE PREMIAÇÃO
Cerimônia de premiação do festival