A festa que celebra 20 anos da Golarrolê, uma das maiores grifes de festas do Nordeste, no dia 9 de maio, será realizada no Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda. O line-up do “Gola 20” promete uma noite de grande celebração, reunindo nomes como Pabllo Vittar e Tati Quebra Barraco, além dos DJs Allana Marques, Iury Andrew, Safira 081 e Orly, que fazem parte da história das festas da Gola. “Me sinto feliz, amo estar em Recife. É uma grande satisfação”, conta Tati.
Cantora e compositora de 45 anos e pioneira do cenário do funk carioca, ela tem visto suas músicas fazerem cada vez mais sucesso fora do Brasil, com vídeos virais nas redes sociais e mais streamings nas plataformas de áudio. “Hoje, o funk está em alta mundialmente. Antigamente, queriam nos silenciar”, afirma.
Em outubro do ano passado, Tati fez uma turnê pela Europa, onde passou por oito países, incluindo Alemanha, Bélgica, Portugal e Dinamarca. Agora, com esse “boom” internacional, a ideia é que outras datas lá fora sejam anunciadas. Mas nem sempre foi assim. Para chegar aonde está, Tati teve que enfrentar muitas dificuldades e também muito preconceito. “É uma mulher falando sobre seus desejos. Além de ser um movimento dominado por homens, a sociedade ainda é extremamente machista”, salienta.
Ao final da conversa com a RevistaO Grito!, ela deixou um conselho para as jovens cantoras que querem começar no funk hoje: “Não desistam! Críticas e ataques sempre vão existir, mas, quando dá certo, todo mundo diz ter apoiado”. A artista fala sobre as glórias e as lutas da sua trajetória e as gravações de um documentário sobre a sua vida.

Confira:
Você é um dos destaques da festa de 20 anos da Golarrolê. Como se sente tendo sido escolhida para fazer parte dessa celebração?
Me sinto feliz, amo estar em Recife. É uma grande satisfação.
Seu último trabalho é “Da CDD pro Mundo”. O que ele representa para você hoje?
Representa onde eu cheguei, sai da cidade de Deus para o mundo. O álbum tem referências de toda a minha trajetória. Está muito gostoso de ouvir.
De que forma a Cidade de Deus moldou sua identidade artística e pessoal?
Moldou tudo! A CDD é um berço do funk; de lá saíram nomes gigantes. Acho que hoje eu sou uma das personificações da comunidade. Falar em CDD vai lembrar de Tati Quebra Barraco, e vice-versa.

Você se considera uma das pioneiras do funk feminino? Quais foram os maiores desafios no início?
Eu sou uma das pioneiras; quando cheguei, existiam poucas (MC Cacau, Deise Tigrona, MC Ellu). Acho que o maior desafio era estético, pois muitos achavam que Tati Quebra Barraco era uma loirona padrão. E eu era totalmente fora do padrão, cantando coisas que só homens cantavam.
Ao longo da sua carreira, o que mudou na forma como o público e a mídia enxergam o funk?
Acredito que mudou, sim. Hoje, o funk está em alta mundialmente. Antigamente, queriam nos silenciar.
Suas letras sempre trouxeram temas de empoderamento e sexualidade. Você acha que isso ainda causa desconforto hoje?
Claro que causa. É uma mulher falando sobre seus desejos. Além de ser um movimento dominado por homens, a sociedade ainda é extremamente machista.
Como você avalia o espaço atual das mulheres dentro do funk e da indústria musical?
Acho que falta união. Hoje, quem domina os charts são os homens, porque eles são unidos, se defendem e se levantam, mas seguimos na luta.
Claro que causa [desconforto]. É uma mulher falando sobre seus desejos. Além de ser um movimento dominado por homens, a sociedade ainda é extremamente machista.
Tati Quebra-Barraco
Depois de mais de duas décadas de carreira, o que te mantém motivada a continuar criando?
Acho que sempre temos o que expressar, o que falar. O mundo evolui constantemente, e, se minha voz é potente e ouvida, é meu dever me expressar artisticamente.
Você sempre teve uma personalidade muito direta. Isso já te prejudicou ou mais te fortaleceu ao longo da carreira?
Acho que prejudica, sim, pois o ser humano gosta de ouvir o que quer. Mas, pensando a longo prazo, é ótimo, pois sua palavra cria valor, e as pessoas sabem que ali existe verdade.
Qual é o legado que você acredita estar deixando para as novas gerações de artistas periféricos?
Legado de autenticidade e originalidade. Em uma época de trends, o que se mantém de pé é aquilo que não é passageiro.
Se pudesse dar um conselho para jovens da periferia que sonham com a música, qual seria?
Não desistam! Críticas e ataques sempre vão existir, mas, quando dá certo, todo mundo diz ter apoiado. E procurem um advogado antes de assinar contratos exploratórios.
Serviço:
Gola 20 anos
Shows de Pabllo Vittar e Tati Quebra-Barraco + DJs Golarrolê
9 de maio de 2026 às 20h
Centro de Convenções, Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n – Salgadinho, Olinda – PE
Ingressos à venda no Sympla
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