O artista pernambucano Milton Raulino transforma o Teatro Fernando Santa Cruz, localizado no bairro do Varadouro, em Olinda, em uma discoteca no fundo do mar. Esta é a primeira vez que o álbum Quem é do Mar, Ama, lançado em dezembro de 2025, é apresentado com o recorte místico original. O show acontece nesta quinta (11), às 20h.
Enquanto diverte o público com arranjos inspirados no pop eletrônico dos anos 1980, o álbum propõe uma reflexão sobre os sentimentos humanos. Nesse movimento, o mar emerge como metáfora para a abundância das emoções. “O fundo do mar remete às profundezas emocionais que a gente passa e que transitam em diferentes temperaturas do mar dentro de nós, ora um mar calmo, ora um mar combativo. Então, quis trazer o fantasioso da discoteca, mas com letras densas”, contou Raulino em exclusiva à Revista O Grito!.
A(mar) em abundância
Independentes, as oito músicas que compõem Quem é do Mar, Ama se conectam na busca pelo amor em um espectro universal. “Não de amar alguém só porque é família ou parceiro romântico, mas amar todas as pessoas como seres dignos de amor e com essa capacidade de ser abundante”, reflete.
Como pessoa umbandista e LGBTQIA+, Milton canta para reforçar que o exercício do amor é uma forma de resistência. “A gente tá vivendo um tempo de ódio e isso tem poder de minar nossa criatividade e poder de espalhar gentileza. Já sofremos tanto que não temos outra escolha se não amar. Amar nos tempos atuais é urgente”.
Intensificado pelo show feito de forma independente, a mensagem do álbum fica ainda mais nítida: quem reconhece o mar dentro de si se torna capaz de amar.
Artista solo com trajetória coletiva

Não coincidentemente, o show de lançamento acontece no dia do aniversário de Raulino e celebra uma década da carreira artística iniciada em 2016: “é um show pop e também um show sobre maturidade e sobre a possibilidade de se realizar em qualquer momento da vida”, comenta.
Apesar de assinar sozinho o projeto, Raulino faz questão de destacar o caráter coletivo da própria trajetória. Das professoras de canto ao Grupo de Teatro Cênicas, passando pelos músicos que o acompanham atualmente, o artista atribui boa parte de sua formação aos encontros construídos ao longo dos anos.
“Você pode estar só no palco cantando, mas tem iluminador, tem técnico, tem plateia. Ou seja, sem troca não não existe a arte. Eu não sou uma estrela que brilha e todos me ovacionam. Pelo contrário, se isso não atingir outras pessoas, não se multiplica”, defende.
Essa perspectiva também orienta a apresentação desta quinta, 11 de junho. Além de interpretar integralmente as faixas de Quem é do Mar, Ama, Milton sobe ao palco acompanhado por Breno Rocha, responsável pela direção musical e guitarra, Lucas Lima na bateria e Cris Oli no baixo. Juntos, eles constroem a atmosfera dançante dos anos 1980 em um convite para o público reconhecer as próprias marés emocionais.
O show de lançamento do álbum Quem é do Mar, Ama, acontece nesta quinta (11), a partir das 20h, no Teatro Fernando Santa Cruz, Olinda. Os ingressos estão à venda por R$15 (meia) e R$ 30 pelo sympla. Para conhecer mais do trabalho de Milton Raulino, acesse o perfil do Instagram @miltonraulino e ouça as músicas disponíveis nas plataformas digitais.

