A jornada do curta-metragem Os Arcos Dourados de Olinda, dirigido por Douglas Henrique, é de chamar atenção. Apenas no festival É Tudo Verdade, cujos premiados foram divulgados no último domingo (19), o filme se consagrou vencedor da categoria mais importante, a Competição Brasileira de Curtas-Metragens, além dos prêmios de Melhor Direção, Melhor Montagem, Prêmio Canal Brasil e Prêmio Mistika. Fruto do trabalho de conclusão da graduação em Cinema da UFPE, o filme ganha sessão especial no Cinema São Luiz, no próximo domingo (26).
De humor sagaz e impressionante pesquisa de arquivo, o curta parte da premissa de Olinda ter sido a primeira cidade do mundo a falir um McDonalds. A partir da lenda urbana, a narrativa se vale da comicidade megalomaníaca tão entranhada na cultura pernambucana para, com muita destreza, empreender uma reflexão sociopolítica interessantíssima, utilizando como núcleo temático as eleições de 2000 para a prefeitura de Olinda. De um lado, no espectro conservador, a peemedebista Jacilda Urquiza ; do outro, Luciana Santos, a candidata do Partido Comunista do Brasil. A ótima narração em off, feita pelo ator Giordano Castro, revela o aspecto expressamente caricatural do filme, o que em nenhum momento fragiliza a sua potência.

De acordo com o diretor Douglas Henrique, o interesse em trabalhar com arquivo e pensar o audiovisual sob a ótica da memória eram basilares na concepção do filme. “Nós conseguimos abrir uma convocatória para encontrar pessoas que haviam trabalhado no McDonalds em Olinda. Fizemos um grupo no whatsapp com cerca de 15 pessoas, marcamos conversa presencial. Foi o que deu essa unidade (ao filme), porque a questão trabalhista é um arco importante”, afirmou o cineasta. Ele revelou que a equipe catalogou cerca de 300 fitas VHS, com imagens do período, tendo ao final digitalizado cerca de 20.
Em Pernambuco, o filme foi exibido no Janela Internacional de Cinema do ano passado, além de recentemente no Curta Taquary. Mas a campanha internacional também tem sido um sucesso: o filme faturou o prêmio principal de melhor documentário internacional do 23º Bogoshorts da Colômbia, além de ter sido exibido no Festival de Havana, em Cuba. A partir do próximo 30 de abril, o curta aporta em terras lusitanas, dentro da programação do IndieLisboa 2o26.

“O caminho internacional sempre foi uma ideia. Em Bogotá foi um sucesso, rolou um ótimo debate. Creio que o público se conecta na questão latino-americana, a influência que os EUA colocam na gente, essa percepção de invasão externa”, avalia Douglas. No próximo domingo (26), a partir das 18h, o público recifense poderá conferir uma versão estendida do curta, com a inserção de um clipe musical que tem sido utilizado como peça de divulgação do filme. A sessão ainda conta com a exibição de BBC Olinda (2009), produção da Telephone Colorido que é, segundo Douglas Henrique, uma forte inspiração para Os Arcos Dourados de Olinda. A sessão é gratuita.


