Disk.phe aposta na pista de dança como espaço de protagonismo drag no Recife

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Proposta reforça o protagonismo de artistas drag na construção da experiência de pista. Foto: Arthur Aldo / Divulgação).

Entre performances, DJs e memórias afetivas compartilhadas na pista, o disk.phe surgiu no Recife como uma nova extensão do universo do Phenomena Drag. O selo estreou no último dia 5 de junho, no Quintal do Sossego, no bairro de Santo Amaro, na área central da capital pernambucana, com a proposta de deslocar a arte drag para além do palco, transformando a música e a discotecagem em ferramentas de expressão artística tão importantes quanto a própria performance.

A iniciativa nasce em um momento em que coletivos e artistas locais têm buscado ampliar os espaços de atuação da cultura drag dentro da cena noturna recifense. No disk.phe, a cabine assume protagonismo. Mais do que uma sequência de DJs, a primeira edição foi pensada como uma experiência construída a partir das referências pessoais e musicais de cada artista convidado.

O line-up reuniu Lea Farsaid, Mia J, Norman Bancks, Dhalia Mayfair, Leviathan e Kyary, em sets que passearam por diferentes territórios sonoros. Hyperpop, funk, música eletrônica, brasilidades, cultura pop e faixas marcadas pela nostalgia ajudaram a construir uma narrativa coletiva que aproximou artistas e público ao longo da noite.

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A proposta também manteve uma das características mais marcantes do Phenomena: a valorização da performance drag como linguagem múltipla. Entre uma troca de DJs e outra, o público acompanhou apresentações de Mayven Hoffmann, Lola Bllum, G Amazone e Gretchen Fischer, ampliando o caráter híbrido do evento e transformando a festa em um espaço onde música, visualidade e performance coexistiam sem hierarquias.

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Primeira edição reuniu artistas que transitam entre diferentes linguagens e estéticas (Foto: Sandir Costa / Divulgação)

Mas talvez o principal resultado da estreia não tenha acontecido no palco nem na cabine. Segundo a organização, o retorno mais recorrente do público foi a sensação de acolhimento. Em meio à movimentação da pista, relatos sobre conforto, pertencimento e conexão afetiva passaram a fazer parte das conversas que circularam após a festa.

Essa dimensão comunitária aparece como um dos pilares do projeto. O disk.phe não surge apenas como mais uma festa da cena LGBTQIAPN+ do Recife, mas como uma tentativa de construir encontros através da música. A escolha dos repertórios, marcada por referências compartilhadas e memórias afetivas, contribuiu para criar momentos de identificação coletiva que atravessaram toda a programação.

A estreia também abriu espaço para novos artistas. Além de performances surpresa e momentos de palco aberto, a noite recebeu a primeira edição do Debut Drag adaptada ao formato do selo. Tradicionalmente voltada para artistas que realizam sua primeira performance nos eventos do Phenomena, a iniciativa ganhou uma nova versão: desta vez, uma drag estreante assumiu a cabine e realizou seu primeiro set como DJ diante do público.

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Mia J, Lea Farsaid, Mayven Hoffmann, G Amazone (atrás), Lola Bllum e Norman Bancks (agachadas).
(Foto: Brug/Divulgação)

A ação reforça uma das diretrizes do coletivo, que busca criar oportunidades para artistas em início de trajetória e fortalecer a renovação da cena local. Nesse sentido, o disk.phe funciona menos como um braço paralelo do Phenomena e mais como uma expansão natural de suas propostas.

Ao transformar a pista em espaço de experimentação artística e protagonismo drag, o selo aponta para novos caminhos dentro da noite recifense. Um lugar onde a performance não termina quando as luzes do palco se apagam, ela continua pulsando entre batidas, encontros e corpos em movimento.