Filmes pernambucanos foram destaque no segundo dia do XVII Janela de Cinema

Os longas Coração de Lona e Yellow Cake mostraram a potência criativa da produção local

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Kleber Mendonça Filho, diretor do Janela, e Tiago Melo, realizador do filme Yellow Cake. (Foto: Victor Jucá/Cinemascópio)

A decisão do Janela de Cinema de abrir espaço para o audiovisual pernambucano, colocando nada menos do que 15 obras entre os 31 filmes programados, mostra a diversidade da produção local e fortalece o papel do festival como agente de valorização de nossa cinematografia. Na segunda noite do evento, comprovando essa potência criativa, dois longas metragens de realizadores pernambucanos foram exibidos, Coração de Lona, de Tuca Siqueira e Yellow Cake, de Tiago Melo.

Com mais de 20 de anos de carreira como diretora e roteirista e depois do êxito do documentário Buenos Aires (2025), Tuca Siqueira voltou a ficção. Em 2017, ela realizou Amores de Chumbo, um drama amoroso sobre personagens que tiveram suas trajetórias de vida afetadas pela ditadura militar. Desta vez, Siqueira conta a história de uma dançarina de um circo decadente que após perder um bebê, resolve, junto com o filho, viver o sonho para superar o luto.

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Coração de Lona, ficção de Tuca Siqueira, exibido no segundo dia do XVII Janela de Cinema. (Foto: Alexandre Figueirôa)

O filme chegou ao Janela com o aval do Festival de Biarritz na França, onde estreou e foi o único representante brasileiro da mostra competitiva, e da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, onde foi exibido esta semana. Coração de Lona, pelas palavras da própria diretora, é uma fábula realista em que o protagonismo feminino ganha destaque ao apresentar como personagem principal uma mulher que decide sua própria jornada e não desiste do seu direito de sonhar. 

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A cineasta Tuca Siqueira apresenta seu novo filme. (Foto: Alexandre Figueirôa)

A força da trama vem sobretudo da ótima intepretação de Ane Oliva como a dançarina Inês e Zuleica Ferreira que interpreta sua mãe. A narrativa explora com precisão o conflito geracional das duas mulheres e ao mesmo tempo traz à tona as transformações por que passa o interior do Nordeste, mostrando, por exemplo, o impacto ambiental provocado pela chegada dos parques de energia eólica. Com este trabalho, Siqueira reafirma sua disposição de fazer um cinema tecnicamente impecável, mas sem perder de vista o poder da arte como defensora do humanismo.

Já Yellow Cake foi exibido na última – e concorrida – sessão da noite. O longa-metragem de Tiago Melo teve estreia mundial na principal mostra do Festival de Roterdã, na Holanda, em fevereiro deste ano. Ele acompanha Rúbia (Rejane Faria), física nuclear que integra um projeto científico sigiloso na cidade de Picuí, na Paraíba. 

A iniciativa – denominada Yellow Cake – pretende erradicar o mosquito Aedes aegypti a partir da extração e enriquecimento de urânio, mas a experiência sai do controle e ameaça a população local. Nos moldes de ficção científica e filmes de horror corporal, o filme apresenta boas ideias e alternativas estéticas interessantes, em seu primeiro ato. Infelizmente, a obra se perde na ambição de abrir várias abas e implode toda a capacidade sementada na primeira parte. Talvez isso justifique os aplausos tímidos ao final da exibição.

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Cena do filme Yellow Cake, de Tiago Melo, exibido na noite desta quinta no XVII Janela de Cinema. (Foto: Victor Jucá/Cinemascópio)

Para hoje, o Janela apresenta mais dois filmes pernambucanos super aguardados, Cão sem Plumas, de Camila Valença com sessão às 18h20 e o premiadíssimo A Margem do Rio, de Matheus Farias e Enock Carvalho, com sessão às 20h10, em sua primeira exibição pública no Recife. O filme venceu o Prêmio Especial do Júri do Festival de Locarno 2026 e conquistou o troféu de Melhor Longa-Metragem de Ficção do Festival do Rio 2026.