Fim de Partida, obra do dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett (1906-1989) ganha montagem inédita com exibições no Teatro Luiz Mendonça, localizado em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Os ingressos estão à venda para os dias 23 a 25 de julho, às 20h, e também para o dia 26, às 19h.
Dirigida por Rodrigo Portella, o enredo adaptado insere o contexto pós-Segunda Guerra Mundial original do clássico dos anos 1950 em um cenário brasileiro atual de ruínas físicas e emocionais. Em cena, Hamm (Marco Nanini) e Clov (Guilherme Weber) estão presos em um espaço claustrofóbico onde enfrentam uma realidade desprovida de sentido, marcada por repetições, jogos de poder e uma espera que nunca se resolve.
Nanini e Weber já estiveram nas montagens célebres de Os Solitários (2002) e A Morte do Caixeiro Viajante (2004). Logo, reuniram Helena Ignez, nome icônico do cinema brasileiro, com quem Nanini contracenou no início da carreira, e Ary França, com quem dividiu o palco no premiado O Burguês Ridículo (1996).
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Rodrigo Portella foi convidado para assumir a direção da peça e chega em um momento profissional marcado pela consagração de espetáculos recentes, como Tom na Fazenda, Ficções, Um Ensaio sobre a Cegueira (Grupo Galpão) e Ray. Portella divide o texto de Fim de Partida em três fluxos:
“O primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov, mas, numa segunda camada, a peça pode ser lida como uma alegoria política. Hamm surge como um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se funda no poder bélico e opressivo. Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem que não faz nenhum sentido. A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas”, pontua.
O diretor chama a atenção para uma terceira chave de leitura: a do metateatro. Evidenciada pela cenografia de Daniela Thomas, que coloca uma espécie de palco dentro do palco, em uma pequena caixa cênica retangular, a característica de metalinguagem proposta pelo texto se estabelece.
A equipe criativa do espetáculo reúne ainda parceiros recorrentes na trajetória de Nanini, como a cenógrafa Daniela Thomas, o iluminador Beto Bruel e o figurinista Antonio Guedes, além do produtor Fernando Libonati, responsável pela produção artística.
Serviço:
Peça Fim de Partida
Local: Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu (Av. Boa Viagem, s/n, no bairro de Boa Viagem)
Datas e horários:
23, 24 e 25 de julho (quinta, sexta e sábado), às 20h
26 de julho (domingo), às 19h
Classificação indicativa: 16 anos
Ingressos:
Plateia Premium: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia-entrada)
Plateia: R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia-entrada)
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