Há exatos 10 dias para a data em que se celebra o Cinema Brasileiro, a cena do audiovisual nacional se despede da referência cinematográfica: Orlando Senna. Dono de um currículo vasto voltado para a cultura brasileira, o cineasta que também foi roteirista, escritor e jornalista morreu na tarde da terça-feira, dia 9 de junho, aos 86 anos, em decorrência de uma inflamação pulmonar desenvolvida após um quadro de broncopneumonia.
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Na manhã do dia do falecimento, Orlando Senna é encaminhado para uma unidade de pronto atendimento (UPA) em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, onde passou por uma intubação. A equipe médica tentou reanimá-lo, mas o quadro de saúde já se encontrava grave e Senna não resistiu.
Orlando Senna e o cinema brasileiro
As oito décadas de vida de Senna acompanham um legado de contribuição cinematográfica fundamental. Com a escrita e direção do clássico Iracema, Uma Transa Amazônica (1975), Senna já demonstrava o impacto social do cinema com uma crítica à ocupação da Amazônia durante a ditadura militar transformada em roteiro. Após seis anos censurada, a obra alcança as telas do Brasil em 1980 e vence a categoria de Melhor Filme no Festival de Brasília.
Além de Iracema, Uma Transa Amazônica, Senna também assina outros clássicos: Diamante Bruto, Brascuba, Gitirana, Idade da Água, Sol da Bahia e Longe do Paraíso são alguns dos títulos. Como prova da versatilidade criativa de Senna, deixa herança na literatura brasileira, sendo Os Lençóis e os Sonhos (2009) um dos livros mais recentes.
Já como secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura do primeiro governo Lula (2003-2006), Senna lidera iniciativas voltadas à democratização do acesso aos recursos públicos para o setor. Também foi diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) com participação ativa na implantação da TV Brasil. Globalmente, funda junto a colegas a Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba.
Homenagem e retrospectiva de Orlando Senna
Entre abril e maio de 2026, o cineasta é homenageado pela mostra Orlando Senna – Cinema, Brasil e América Latina, exposta na Caixa Cultural do Rio de Janeiro. A iniciativa, organizada pelas curadoras Diana Iliescu e Sol Moraes, reuniu exibições de filmes, debates e encontros com o público. Importante reconhecimento antes do falecimento da figura-central do audiovisual que deixa o interior da Bahia – de onde é natural – para marcar o cinema brasileiro e latino-americano.


