HQ de André Valença e Celso Hartkopf explora o universo estético do músico e já pode ser lida online

André Valença e Celso Hartkopf publicaram uma nova HQ sobre a vida e obra de Alceu Valença, um dos mais importantes músicos pernambucanos. Colcha de Retalhos saiu na Continente de julho (já à venda), mas também está disponível para leitura online no site da revista.

A HQ traz uma conversa do autor sobre o disco Vivo! (1976), um dos registros mais icônicos do músico e que foi muito influenciado pela psicodelia, mas acaba sendo uma narrativa em quadrinhos apoiada no universo estético do músico. André Valença, que é sobrinho de Alceu, disse que o desafio principal da HQ foi o dispositivo narrativo em si, uma vez que as conversas com o autor são meio erráticas e sem muita referência cronológica. Além disso, a própria história do disco Vivo, é meio obscura.

“Como sou sobrinho, já ouvi vários casos dessa fase, que foram pouco biografados”, diz André. “A ideia era fazer um registro oral daquele momento e as ilustrações de Celso seriam um tradução visual do universo musical que ele criou. Mas o estilo errático de comunicação dele acabou guinando a história para o Vivo!. E do Vivo! pulava para o presente. E depois voltava cinquenta anos.”

Para montar a história eles usaram o artifício do tempo, único nos quadrinhos, a favor da obra. “Percebemos que a inconsistência cronológica do relato já se apresentava como o mote da HQ em si”, diz. “Dos retalhos da entrevista dava pra fazer uma colcha, o que em si já era uma referência suave a uma música do Saudades de Pernambuvo (1979) e ao mesmo tempo um corta-luz pra quem captasse a referência e achasse, inocentemente (como eu), que a história seria apenas sobre o disco Vivo! (1976)”.

“Por fim, fechamos no conceito de que as cenas em que apareço o entrevistando deveriam vir no modelo sequencial clássico do quadrinho, mas as memórias seriam quadros completos, apresentando tanto a essência factual do relato quanto criando uma espécie de mitologia valenciana”, explica. “A abertura e o fechamento com a piada do não-contado são a constatação de que a história é tão importante como a forma que se conta ela”.

A HQ pode ser lida no site da Continente. Quem quiser adquirir a versão impressa da revista basta procurar em lojas de Recife, Caruaru, São Paulo, Rio de Janeiro e Niterói. Ela também está disponível nas lojas da Livraria Cultura e pela loja online. Aqui todos os pontos de venda.

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