Nesta terça (23), o disco Banzeiro completa uma década desde a estreia em 2016. Segundo trabalho musical de Dona Onete e responsável por consolidar a professora e articuladora cultural por formação como a cantora coroada Rainha do Carimbó Chamegado. Aos recém-completados 87 anos, a paraense celebra um legado construído a partir da musicalidade amazônica e a continuidade do trabalho musical que teve início aos 73 anos.
Com produção musical de Pio Lobato, o disco foi gravado no Estúdio APCE Music, em Belém. Além de Pio, que também assina as guitarras, integram a banda base do álbum os músicos JP Cavalcante (percussão), Vovô (bateria) e Breno Oliveira (contrabaixo). A direção artística é assinada por Dona Onete, Rodrigo Viellas, Marcel Arede e Geraldinho Magalhães. A produção executiva é de Rodrigo Viellas e Viviane Chaves, com gestão de carreira da AmpliDiversão. O projeto foi selecionado pelo edital Natura Musical 2014, com apoio da Lei Semear.
Em músicas como “Tipiti” e “Banzeiro”, o universo de costumes amazonenses ganham dimensão poética. Já em “Proposta Indecente” e “No Sabor do Beijo”, a sensualidade bem-humorada se transforma na marca registrada da artista. Entre as 12 canções que compõem o álbum, a intitulada “No Meio do Pitiú” é destaque. Virtualmente, acumula mais de 37 milhões de reproduções no YouTube. Dentro dos limites do Norte do país, especialmente em Belém, o reconhecimento acompanha apelidos pelo qual é lembrada hoje: A Mulher do Pitiú, Dona Pitiú ou Tia do Pitiú.
Igualmente importantes, o primeiro álbum da carreira, Feitiço Caboclo (2012), foi o responsável por revelar Dona Onete artista e registrar musicalmente o Carimbó Chamegado, enquanto Banzeiro (2016) transportou o gênero paraense para além das fronteiras do Norte, transformando expressões locais em um linguagem reconhecida pelo mundo.
Dos marcos conquistados com o segundo trabalho: o primeiro lugar na parada internacional dedicada à música, World Music Charts Europe; a regravação com axé e carimbó incorporadas por Daniela Mercury em 2018; a edição em vinil comercializada a partir de 2021; bem como as mais de um milhão de reproduções nas plataformas de música digitais, revelam o potencial artístico de Banzeiro. Não somente, apontam o caminho de ainda mais prosperidade que aguarda por Dona Onete na próxima década.


