Los Hermanos | Los Hermanos Na Fundição Progresso

Los Hermanos (Foto: João da Costa)

UM CORAÇÃO QUE INSISTE EM BATER
Enquanto nenhum integrante assume o fim definitivo, fãs e banda lucram com show antológico
Por Gabriel Gurman. Foto: João da Costa

Quem já foi a um show do Los Hermanos sabe: um show desta banda carioca não é apenas um show comum. Ou melhor, não era. Após divulgar que tirariam férias por tempo indeterminado, seus integrantes anunciaram dois shows de despedida (que logo foram transformados em três devido a procura por ingressos) em sua casa, o Rio de Janeiro. O DVD Los Hermanos Na Fundição Progresso, lançado em parceria com o Multishow é registro de uma dessas apresentações.

Se a produção tanto do show como da gravação não impressiona, o DVD se torna indispensável pelo repertório da apresentação. São 26 músicas gravadas no dia 09/06/2007 e mais cinco captadas no dia anterior. Estão presentes canções de todos os álbuns, incluindo o primeiro e auto-intitulado disco que é amado pelos fãs, mas praticamente ignorado pela banda. Deste CD, contam nada menos do que sete canções – incluindo “Pierrot”, a “toca Raul!” da banda carioca -, o massivo hit da década passada “Anna Júlia” e outras poucas vezes vistas ao vivo nos últimos anos como “Azedume” e “Lágrimas Sofridas”.

O grau de idolatria dos fãs perante a banda é definitivamente a principal atração do DVD. O entusiasmo é tanto que chega até a irritar quem deseja apenas ouvir (e ver) as músicas. Além do que se vê, está presente uma mistura de fãs antigos, considerados “intelectualóides”, com os recém-adquiridos apreciadores e, logicamente, alguns engraçadinhos ocasionais que gritam “toca Anna Júlia!!” só para tirarem um sorriso da menina ao lado, sem saberem que a banda reincorporou a canção no repertório já há algum tempo.

Cada linha feita pelo excelente trio de metais que acompanha a banda é sobreposto pelo coro que se acentua ainda mais durante as partes cantadas. O Los Hermanos é uma banda que não precisou do “suín” ou de refrões fáceis e pegajosos para estar na boca das milhares de pessoas que foram à Fundição Progresso nos três shows ou que lotaram centenas de outros lugares espalhados pelo Brasil inteiro.

A presença de palco dos quatro Hermanos é diretamente relacionada com sua música – estranha, mas em perfeito funcionamento. Enquanto Marcelo Camelo, acompanhado de sua guitarra, força até o limite o pouco que pode explorar de sua voz, seu parceiro de composição na banda, Rodrigo Amarante parece nem se preocupar com esta mesma limitação – somando-se ainda um talento duvidoso como instrumentista – e a toda hora chama o público para o acompanhar nas canções, seja através dos tradicionais gritos de “e aííií?!” ou de suas danças bizarras, mas contagiantes. Mais discretos, mas não menos competentes estão o tecladista Bruno Medina, que parece tocar em um ensaio, raramente esboçando um sorriso ou um olhar direto ao público, e o sempre competente baterista Rodrigo Barba (que hoje acompanha outra banda carioca, o Canastra).

Se como registro audiovisual, este lançamento perde em qualidade se comparado ao outro DVD do grupo, o Los Hermanos ao vivo no Cine Íris – além de não conter nenhum extra – ele funciona como um presente, uma lembrança para os devotos do quarteto que estão órfãos há mais de um ano (e sabe-se lá até quando) desta banda que passou da fama massiva e repentina a um total esquecimento para estourar novamente alguns anos depois. Como tudo o que é bom deve durar, esperamos apenas que este registro não se torne saudoso e nostálgico em poucos anos.

NOTA: 7,5

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