Nesta quinta, 16 de julho, o filme inédito de Christopher Nolan, A Odisseia, alcança as telas do cinema brasileiro. Após o sucesso de Oppenheimer (2023), vencedor do Oscar de Melhor Filme, o cineasta adiciona a linguagem visual característica da própria filmografia ao poema épico de Homero. De forma original, marca o cinema global como o primeiro longa de ficção gravado totalmente com câmeras IMAX. Inspirada no texto, a adaptação conta com Matt Damon, Anne Hathaway, Zendaya, Tom Holland, Lupita Nyong’o e Robert Pattinson no elenco, além de renovar o interesse por uma história que, há quase três mil anos, continua relevante.
Durante uma década, os gregos e os troianos estiveram em disputa em consequência da “Guerra de Troia”. O conflito responsável por colocar os deuses da mitologia grega, heróis lendários e homens dispostos a arriscar a própria vida frente a frente só chega ao fim com um cavalo gigante entregue de presente. Ao aceitá-lo, os troianos foram surpreendidos com o interior do animal repleto de soldados gregos prontos para atacar.
O autor do plano foi “Odisseu”, o rei de Ítaca. Se a queda de Troia representou a vitória dos gregos, para o herói, marcou o início de uma viagem árdua de volta para casa. É justamente dessa jornada que trata “A Odisseia”, poema épico atribuído a Homero e escrito por volta do século 8 a.C. Com 12 mil versos, a obra é considerada um dos alicerces da literatura ocidental e já inspirou diversas interpretações. Vale a pena conferir a lista com obras que seguem a jornada heróica do clássico homérico preparada pela Revista O Grito!:

Caixa A Ilíada e a Odisseia (tradução de Frederico Lourenço)

Este lançamento pela editora Companhia das Letras é uma sugestão para quem não tem tanta familiaridade com a leitura poética, uma vez que o tradutor português, Frederico Lourenço, propõe um Homero mais prosaico. Ou seja, a conhecida epopeia dá lugar ao que se aproxima do gênero romance. O cuidado de Lourenço adiciona qualidade ao material: textos introdutórios, listas de personagens e mapas são adicionados às 1296 páginas com o potencial de facilitar a compreensão sobre o mito homérico. Isso é possível pelo conhecimento do tradutor sobre o período helenístico de difusão da cultura grega para o Oriente.
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A Odisseia Comentada (tradução de Frederico Lourenço)

A versão comentada surge pela necessidade do autor em finalizar o trabalho anterior que considerava estar incompleto, com lançamento pela editora Companhia das Letras. Diferentemente da primeira versão (2003), esta conta com notas e comentários que visam esclarecer, em primeiro lugar, a estrutura narrativa do poema, mas também problemas de teor linguístico e geográfico. Além disso, comentários que não se restringem ao tradutor e professor de Estudos Clássicos, Grego e Literatura Grega na Universidade de Coimbrã (PT), também são encontrados na obra.
Como o enxerto de Aristóteles, retirado da obra Poética: “Um homem encontra-se no estrangeiro há muitos anos. Em casa, os pretendentes à mão de sua mulher estão esgotando seus recursos e conspirando para matar seu filho. Após enfrentar tempestades e sofrer um naufrágio, ele volta para casa, dá-se a conhecer e ataca os pretendentes: ele sobrevive e os pretendentes são exterminados”.
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A Odisseia (tradução de Carlos Alberto Nunes)

Acompanhada de prefácio, introdução e dicionário dos principais personagens, termos e lugares; a tradução de Carlos Alberto Nunes também é considerada clássica da editora Sétimo Selo. Dessa vez, por oferecer ao leitor a preservação da musicalidade original grego da jornada homérica, desde o encontro com o gigante Polifemo à descida ao Hades, da perturbadora recepção da feiticeira Circe ao canto das sereias. De forma mais técnica, o tradutor recria em português o ritmo característico dos versos de Homero (conhecido como hexâmetro dactílico) por meio de versos de 16 sílabas poéticas.
Hexâmetro dactílico indica que cada verso é composto por seis unidades rítmicas (“hexa” = seis), enquanto a unidade rítmica predominante é o dáctilo, formado por uma sílaba longa seguida de duas sílabas breves.
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A Odisseia em quadrinhos

Este trabalho coletivo proporciona uma imersão visual pela epopeia clássica. Também é uma versão interessante para o público que não conhece a forma dos seres mitológicos. Publicada pela editora FTD, a versão em quadrinhos tem a jornalista e linguista Silvana Salerno como autora, o quadrinista Jeferson Costa pelas ilustrações e o posfácio assinado por Adriane Duarte.
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Ilíada & Odisseia (Série Clóvis Explica): Reflexões Sobre as Obras-primas de Homero

Neste livro, Clóvis de Barros Filho assume o desafio de resumir as duas obras basilares da literatura ocidental. Enquanto a versão de Frederico Lourenço tem 1296 páginas, esta publicação da Citadel Editora possui 288 páginas. Longe de ser um substituto, Clóvis defende que essa seja uma porta de entrada para desbravar a jornada de herói de Odisseu. O autor também busca, por meio da obra, incentivar o uso das epopeias como lições para enfrentar os desafios e encantos da vida contemporânea.
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