A escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense marcou presença no T(Muhne) no último dia 18/06. O motivo deste intercâmbio cultural foi a pesquisa para criação do samba-enredo usado no desfile do Carnaval do Rio de Janeiro (RJ) de 2027. A intenção é apresentar o maracatu-nação de Pernambuco por meio da história das calungas, bonecas sagradas responsáveis pela proteção do cortejo real.
Mais especificamente, o mistério por trás do desaparecimento da Calunga Dona Júlia é o mote da narrativa. A calunga que guarda o egun da rainha do Maracatu Nação Elefante, Maria Júlia do Nascimento, a Dona Santa, é um presente do falecido rei coroado do Maracatu Nação Porto Rico, Eudes Chagas. Após a morte do líder, no final da década de 1970, a boneca é transferida para um museu, onde desaparece sob circunstâncias misteriosas. 34 anos depois, a Calunga Dona Júlia é reencontrada, reconsagrada e salvaguardada pelo Maracatu Porto Rico.
Outra calunga que se destaca na pesquisa é a Dona Joventina, do Maracatu-Nação Estrela Brilhante do Recife. Após o falecimento do fundador do maracatu, Mestre Cosmo, em 1955, a boneca foi entregue à antropóloga e fotógrafa Katarina Real que a doou após descobrir a dissolução do grupo fundador do Estrela Brilhante com a mudança da sede e novos integrantes. Atualmente a Calunga Dona Joventina também se encontra no acervo do Munhe.
Nesta visita, a Imperatriz Leopoldinense aproveita para conhecer as demais calungas sob a guarda do Muhne, bem como a coleção do Maracatu-Nação Elefante, o mais antigo de Pernambuco. “Nós temos esse acervo do Maracatu-Nação Elefante, o primeiro do Brasil, fundado em 1800. Eles vêm visitar o Museu para conhecer as roupas e os instrumentos para a elaboração do enredo, das indumentárias e carros alegóricos”, explicou o coordenador-geral do Museu do Homem do Nordeste, Moacir dos Anjos.


