Estudantes reafirmam a Universidade Pública como espaço de defesa da democracia e pela reeleição de Lula

Atos em mais de 10 estados reunem movimento estudantil e figuras políticas para mobilização em prol da reeleição do presidente Lula

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Milhares de estudantes participam de manifestação em apoio à reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no centro da cidade. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Nessa terça-feira (06), dois dias depois do primeiro turno das eleições, o Movimento Estudantil encabeçou, ao redor do Brasil, uma série de mobilizações em apoio à reeleição de Lula. Na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o evento lotou o jardim do Centro de Artes e Comunicação (CAC) e contou com falas de membros dos diretórios acadêmicos, do movimento estudantil e de figuras como Jô Cavalcanti, a deputada federal Rosa Amorim e o deputado estadual Vinicius Castello. No Rio de Janeiro, o ato tomou as ruas e entoou o grito “Trabalhador, olha pra cá! Eu tô na rua pro seu filho estudar!”. Mais de 20 atos estudantis estão marcados para os próximos dias em 10 estados.

Quando se fala em mobilização política, um dos primeiros segmentos a se movimentar é sempre o Movimento Estudantil. Durante a ditadura, foram os estudantes que lideraram alguns dos mais históricos atos por democracia e liberdade, como a Passeata dos 100 mil, e se organizaram em assembleias, comitês e grupos de estudo para defender o direito de estudar, de pensar e de falar. E em 2026, depois de um primeiro turno que acabou com vantagem do candidato Flávio Bolsonaro, foram os estudantes os primeiros a sair às ruas para dizer que o Brasil não é terra arrasada, e que o povo vai lutar até o fim por um governo democrático, justo e inclusivo.

A educação, entre tantos outros campos, leva uma rasteira grande se houver um segundo mandato da família Bolsonaro: entre os planos de governo de Flávio Bolsonaro, uma das propostas é tirar as universidades públicas da alçada do Ministério da Educação (MEC) e transferir a gestão das instituições para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI). A ação é um indicativo claro de continuidade da gestão de Jair Bolsonaro, que sistematizou o desmonte da educação congelando verbas do MEC, cortando verbas de pesquisa, de incentivo à iniciação científica e atacando as organizações estudantis.

Para além da assembleia na cidade universitária, na Faculdade de Direito do Recife (FDR), foram organizados grupos de trabalho focais: estudantes estão mobilizados para panfletar, se articular com lideranças locais, conversar nas redes sociais, interiorizar a campanha, colar lambe-lambes pelas ruas, organizar conversas com eleitores e muito mais.

Para Frederico Corrêa, estudante de direito, militante da Juventude Socialista e membro do diretório acadêmico, são a juventude e os estudantes que pautam a revolução, e a ameaça de uma eleição bolsonarista é viver a gestão de um governo “antipovo, antibrasileiro, antinacional”. “Eu acho esse movimento dos estudantes e da sociedade civil muito bonito. Tenho muita fé no povo brasileiro, e acho que se a gente tomou uma lapada no primeiro turno foi pra acordar e entender que a campanha, como estava sendo feita, estava insuficiente, e que o discurso não pode mais ser o mesmo”, diz o estudante.

Para ele, a vitória de Jones Manoel, eleito deputado federal, é um símbolo disso: “Ele é um cara verdadeiramente antissistema, revolucionário. Precisamos aprender com ele e começar a falar de revolução de verdade. As urnas estão falando isso; se a gente não escuta, a extrema direita escuta. A extrema direita já está fazendo campanha com esse discurso antissistema, apesar de atender aos interesses do grande capital internacional, do latifúndio, do capitalismo.”

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Rosa Amorim discursou na assembleia da UFPE. (Foto: Maria Rebouças/O Grito!)

Emanuel George, presidente do Diretório Acadêmico de Publicidade e membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que participou da organização da assembleia na UFPE, estima que estiveram cerca de 6 mil estudantes simultaneamente no evento. Ele evidencia que o movimento social e o movimento estudantil têm uma marca fundamental no governo Lula. “Foram os movimentos sociais que lutaram pela Lei de Cotas, que lutaram pela criação do ProUni… É essa organização social que faz com que a gente consiga mover os estudantes, para que os estudantes consigam levar a luta também pra fora da universidade. A gente tem uma missão esse ano que é levar a campanha do Lula pra fora das portas da universidade.”

Os atos estudantis continuam acontecendo até o fim da campanha de segundo turno, com movimentações marcadas dentro das universidades públicas e privadas. Além disso, acontecem mobilizações com profissionais da cultura, grupos de vira-voto na rua, panfletagem e uma série de movimentos para se engajar na campanha pela democracia nesse segundo turno.