inf
No Recife, a Escola do Sítio busca a cultura como perspectiva para o ensino. (Foto: Cam Leão/Divulgação. )

Acesso à cultura na primeira infância reverbera na vida adulta, mas acesso amplo está distante

O acesso à arte reverbera de forma complexa por diferentes áreas da vida do adulto. Investigamos a realidade de diferentes projetos e escolas no Recife que focam nessa fase

Uma criança bem cuidada se transforma em um adulto autônomo, produtivo e saudável. Já está comprovado que o impacto dos cuidados na primeira infância reverbera de forma complexa por diferentes áreas da vida adulta. Apesar disso, ainda são poucas as iniciativas que ampliam o acesso à cultura para as crianças. 

A 6ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha, demonstrou que cerca de 30% dos brasileiros afirmam deixar de frequentar eventos culturais por motivos financeiros, enquanto 31% citam insegurança e violência como principais razões para evitar esses espaços. O impacto financeiro é expressivo: 34% dos entrevistados afirmam que o custo é o principal obstáculo para participar de atividades culturais.

O estudo também destacou a desigualdade no acesso. Apenas 29,6% dos municípios brasileiros possuem museus; a presença de teatros e casas de espetáculos (23,3%) e cinemas (9%) é ainda menor. Isso se traduz em 31,4% da população vivendo em cidades sem museus, e percentuais ainda maiores para teatros (30,6%) e cinemas (42,5%).

Seja por questões econômicas, sociais ou pela ausência de oferta, o fato é que ainda são poucas as opções de acesso à cultura e à arte para a primeira infância. Além disso, muitos pais ainda não compreendem a real importância desse contato já nos primeiros anos de vida.

O professor e coordenador do curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Everson Melquiades, acredita que o contato com a arte traz benefícios para as crianças antes mesmo de nascerem. “Há pesquisas que demonstram que aquilo que a mulher grávida lê e a música que acessa já afetam a criança. Antes de ela nascer, tudo o que a mãe consome de literatura, arte e música já mexe com o feto”, afirma.

Fase da vida que vai do nascimento aos 6 anos e concentra o período de maior desenvolvimento humano, é na primeira infância que semeamos o pleno desenvolvimento para colhê-lo durante toda a vida. O Brasil saiu de uma realidade em que essa etapa era invisibilizada, para outro marcado por avanços significativos, embora ainda haja caminhos para melhorias.

Desde 2016, com o Marco Legal da Primeira Infância (Lei 13.257/2016), o país estabeleceu que deve reconhecer os direitos das crianças e implementar políticas públicas para garantir oportunidades de desenvolvimento integral. No ano passado, um decreto desdobrou o marco e consolidou a Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI).

A Revista O Grito! investigou e apresenta um panorama da importância do acesso às artes e à cultura nesse período e a realidade de diferentes projetos e escolas que focam nessa fase dentro do contexto recifense.

Período de desenvolvimento do cérebro

O desenvolvimento do cérebro começa antes mesmo do nascimento, por isso os cuidados durante a gestação são fundamentais, pois diversas estruturas estão em fase de formação e maturação. De acordo com o relatório da Primeira Infância do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), publicado em 2020, 90% das conexões cerebrais ocorrem até os seis anos de idade.

everson
Everson Melquíades (UFRPE). (Divulgação).

Já a pesquisa Ciência do desenvolvimento na primeira infância (2007), do Centro de Estudos sobre o Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard, apontou que, nestes primeiros anos, as conexões cerebrais se formam a um ritmo de 1 milhão por segundo. Em nenhuma outra fase da vida esse desenvolvimento será tão rápido e potente.

O cérebro humano é plástico o suficiente para possibilitar o aprendizado até o fim da vida, mas o ritmo de apreensão de conteúdos diminui após a primeira infância. É fato que os cuidados sobre as conexões cerebrais tornam os primeiros anos um período crucial. O desenvolvimento pleno da criança se dá pela maneira como ela se relaciona com o mundo: brincar, conversar, cantar e ler para bebês são alguns dos melhores estímulos.

Artes na Primeira Infância

“O acesso às artes desde cedo ajuda a criança a desenvolver a sua capacidade de raciocinar e a ampliar sua percepção e a compreensão do mundo ao redor dela. E com isso, ela consegue compreender a si própria e assim consegue mudar o mundo”, diz Melquíades. De acordo com o professor, é fundamental que as crianças tenham acesso às artes desde a escola. “É preciso que as crianças leiam obras de arte porque quando isso acontece elas ampliam sua capacidade de fazer leituras do mundo. E possibilita que a criança seja crítica e arguta”.

Hugo Monteiro Ferreira, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), coordenador do Núcleo do Cuidado Humano e diretor do Instituto Menino Miguel, afirma que a arte e a cultura interferem diretamente em elementos estruturantes do pensamento e do comportamento. “Quando estimulo uma criança com literatura, música, artes cênicas ou brincadeiras de rua, há uma probabilidade muito grande de ela aprender a lidar com o universo social de um jeito lúdico. Isso muda sua perspectiva de perceber, compreender e explicar a realidade”, explica o autor de A geração do quarto (Galera Record).

inf2
Aula na Escola do Sítio: A arte possibilita que a criança seja crítica e arguta, dizem pesquisadores. (Foto: Cam Leão/Divulgação).

Segundo Ferreira, crianças educadas com elementos artísticos tendem a ter imaginação mais aguçada, maior capacidade interpretativa e um repertório interrelacional sofisticado. Para o pesquisador, a melhor forma de naturalizar essa relação é adequar-se ao olhar infantil: “É uma perspectiva mais lúdica. Uma forma de você conseguir trazer isso para o dia a dia da criança é a partir da brincadeira, do brinquedo, da ludicidade, do elemento imaginário, do sonho”. Ele cita exemplos como contação de histórias, música e trabalhos manuais (colagem, modelagem), que exercitam o corpo e o tato.

Existem evidências econômicas, sociais e de saúde que provam a importância do investimento nessa fase da vida. Segundo o economista estadunidense James Heckman, prêmio Nobel de Economia, cada dólar investido em programas de qualidade na primeira infância traz um retorno de sete dólares ao ano. 

O estudo “Os Efeitos Duradouros da Educação Infantil”, de 2021, acompanhou crianças até os 54 anos e comprovou que aquelas que receberam apoio integral eram mais saudáveis e ganhavam, em média, 10 mil dólares a mais por ano do que o grupo de controle.

No Recife, já há algum tempo alguns projetos e escolas dedicam atenção especial aos alunos da primeira infância.

hug
O professor Hugo Monteiro Ferreira (UFRPE): a cultura é elemento estruturante do desenvolvimento. (Foto: Divulgação).

Escola do Sítio, um oásis na Zona Norte

Após se tornarem pais, a terapeuta Carina Albuquerque e o artista Tibério Azul passaram a se incomodar com a desconexão das escolas com o crescimento saudável. “Observamos uma lógica de mercado já desde a primeira infância nas escolas particulares, e isso nos incomodou”, explica Tibério.

“Nesse processo de inquietação e incômodo, nos mudamos para o Rio de Janeiro e lá a realidade era muito parecida. Contudo, conseguimos nos conectar com um grupo de educadores, pedagogos e pessoas ligadas à cultura que também estavam com esse mesmo pensamento”, completou o artista.

No Rio de Janeiro, o casal fundou a escola Casa da Mangueira, uma escola de educação infantil até o ensino fundamental 1 no bairro de Botafogo. “A ideia, inicialmente, era quase egoísta de ter um espaço para os nossos próprios filhos estudarem, mas foi ganhando uma proporção, as pessoas foram procurando e hoje ela é uma escola de médio porte, com cerca de 120 alunos”.

Na pandemia, o casal sentiu a necessidade de voltar para o Recife. Nessa volta pra casa, ainda decidindo se iam manter o projeto de trabalhar com educação, durante um passeio despretensioso, eles encontraram uma casa com um jardim imenso no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife. “Essa casa foi um achado, tem toda uma conexão de enraizamento que nos acreditamos, então decidimos fundar aqui uma escola”.

A Escola do Sítio foi fundada em 2022 e é um casarão fincado em um oásis verde ao lado do Sítio da Trindade, com um jardim enorme. Desde o seu início, a ideia era focar na primeira infância. Atualmente, são 30 alunos com três turmas agrupadas, uma com crianças de 0 a 2 anos, outra de 2 a 4 anos e a última com crianças de 4 a 6 anos.

Simplicidade e liberdade para a Primeira Infância

Os diferenciais da escola residem no que eles escolheram não fazer. “Não trabalhamos com sistema bilíngue, aula formal ou alfabetização precoce. Realizamos a preservação das infâncias”, diz Tibério. Carina detalha que o conceito respeita os diferentes contextos sociais, raciais e culturais.

“E quando falamos de infâncias, entendemos que existem várias infâncias de diferentes contextos sociais, culturais, econômicos, raciais”, detalhou Carina. A ideia do casal é manter o tempo da infância o mais natural e livre possível, respeitando a autonomia de cada criança.

“A lógica do mercado é a de que quanto mais rápido o meu filho aprender a ler, ele vai estar na frente dos outros, quanto mais rápido o meu filho desenvolver essa habilidade, ele vai estar na frente dos outros no mercado de trabalho, ele vai ser o CEO mais jovem. Nesse sistema, o que se faz é terminar precocemente a infância da criança”, defende Tibério Azul.

Cultura enraizada

A Escola do Sítio traz uma pedagogia enraizada no contato com a natureza, na liberdade de escolha das crianças, no contato com a cultura popular e na autonomia dos alunos. Os projetos desenvolvidos em sala de aula surgem dos interesses das crianças e são pensados por todos. O espaço conta com horta, muitas árvores, flores e uma casa de taipa, construída pelos próprios alunos.

“No final das contas, o que provemos com as crianças é um enraizamento, uma conexão com a terra e com o local onde ela está. Então, quando ela tira o sapato e vai para o quintal mexer na terra descalça, quando ela se conecta com isso é como se estivesse em um sítio mesmo. Organicamente ela está conectada com a cultura”, compara Tibério.

Um exemplo é o “Boi Fulô”, projeto que nasceu do interesse dos alunos pelas brincadeiras de boi no quintal. Com a mediação do músico Helder Vasconcelos, as crianças criaram a carcaça e o nome do folguedo. A cultura entra no cotidiano não como data comemorativa, mas como vivência, como a confecção de uma escultura do Caipora com o artista Ricardo Cavani Rosas.

A brincadeira de boi é típica do Nordeste, e envolve estampa de chitão, versos improvisados, chapéus, rostos pintados, roupas brilhosas e coloridas. Trata-se de um folguedo realizado durante todo o ano, com bois de carnaval, São João e Natal.

Na Escola do Sítio, as aulas são vivências com as crianças o tempo inteiro experimentando o mundo. Existe uma rotina que estrutura a manhã da escola, com uma roda na aula para receber os alunos, mas sem obrigatoriedade de participação.

O grande diferencial da Escola do Sítio é propor uma mudança na relação dos alunos com os conteúdos pedagógicos. Colocando as crianças no centro da proposta, mas seguindo as orientações e a base curricular comum.  “O Ministério da Educação indica uma série de caminhos pedagógicos, como a Base Nacional Comum Curricular, que todas as escolas precisam seguir e que tem uma sequência de aprendizados. E o que as escolas tradicionais fazem como forma de atender a esse processo? Coloca todo o mundo numa sala e faz uma atividade sobre isso”, explicou Tibério.

“O que nós fazemos? Invertemos a polaridade. Diversos estudos pedagógicos defendem que uma criança de 2, 3, 4 anos não tem energia para estar sentada prestando atenção. Isso é uma coisa que vem com a idade, as crianças estão inquietas. Ao invés do professor generalizar uma turma inteira e dar o check que ensinou aquilo, ele deixa as crianças livres e vai individualmente percebendo se a criança já domina esse processo ou não”, concluiu o músico.

A escola também levanta bandeiras como o letramento racial e identidade de gênero. “Acreditamos que levantar essas bandeiras na primeira infância é uma questão de equilíbrio na oferta, garantindo literatura de povos originários e autores negros na mesma proporção da padrão”, conclui Carina.

Atualmente, a Escola do Sítio conta com uma equipe formada por oito professoras, em um total de 14 profissionais. E funciona também no contraturno como um espaço de recreação para alunos de outras escolas.

infancia 12
Arte e dança para crianças no Em Cena. (Divulgação).

Em Cena, Arte e Cidadania

Fundada em 27 de novembro de 1998, o Em Cena Arte e Cidadania é uma associação sem fins lucrativos que funciona no prédio do Movimento Pró-Criança, no centro do Recife, com a ideia de contribuir para a educação artística, cultural e cidadã de crianças e adolescentes, através de atividades educativas, lúdicas, criativas e artísticas.

A escola Em Cena atende crianças e adolescentes da cidade do Recife e oferece atividades de dança, música e teatro. A iniciativa nasceu da vontade de um grupo de amigas em dar vazão ao seu amor pelas artes. “Foi fruto do desejo de três jovens apaixonadas pela arte, uma estudante de piano, uma bailarina e uma professora de teatro, que sou eu”, conta Betânia Gonçalves, coordenadora executiva da Em Cena.

Betânia é formada em Educação Artística e fundou a escola junto com suas amigas Larissa Araújo, bailarina e Cristiane Rodrigues, na época estudante de piano. Hoje, Larissa é bailarina da Escola Bolshoi em Joinville e Cristiane dá aula de piano no Conservatório Pernambucano de Música. Só Betânia ficou no Em Cena.

Mudança de perspectiva pela dança

“Estávamos em uma fase da vida em que queríamos uma mudança profissional. Queríamos algo diferente, como formar um grupo de dança e teatro forte na cidade”. Na época, a Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) passava por uma crise e havia muitas crianças em situação de vulnerabilidade nas ruas. “Pensamos então em trabalhar com crianças que não tinham acesso aqueles mundos que as artes apresentam”, explicou Betânia.

A ideia era oferecer possibilidades para as crianças que mais precisavam e que não podiam pagar por isso. “Um impasse que tínhamos com as crianças que podiam pagar é que elas tinham muitas atividades e possibilidades, mas queríamos alunos que pudessem estar lá no local por pelo menos três horas por dia”.

Na escola, a dança é o carro chefe desde o princípio. “Éramos três dançarinas. Apesar da minha formação ser em teatro, eu fiz dança popular também”, conta.

Betânia completa que as outras atividades da Em Cena vêm acompanhando a dança. “Nós percebemos ao longo do tempo a dança em si já era 80% do trabalho feito porque para a criança aprender a dançar, ela tem que aprender a ter disciplina, tem que ter regularidade, repetição, foco e isso são habilidades para a vida”.

“Porém, se a criança está com fome, não dança. Se ela não sabe ler, não consegue dançar. Não tem estrutura em casa, também não consegue ensaiar, é aí que começam as preocupações com outras questões sociais”, completou.

Para Betânia, ao desenvolver outras habilidades as crianças terão ferramentas para mudar a sua realidade e a realidade ao redor. Atualmente, a Em Cena conta com 48 alunos e as matrículas ficam sempre abertas, com aulas no contraturno. “Nós aceitamos todas as crianças, mas nosso enfoque principal são crianças que têm dificuldades econômicas. Mas não fechamos as portas pra ninguém”.

betania
Betânia Gonçalves, do Em Cena. (Divulgação).

Criatividade para trabalhar o coletivo

Além de dança clássica, a instituição também oferece aulas de criatividade, dentro do curso regular. Sempre no período vespertino, no horário das 14 às 17 horas. “Na aula de criatividade, o foco é leitura, escrita e a capacidade de construir as coisas em grupo”, contou Betânia. Além dessas atividades regulares, existem também as oficinas pontuais, com financiamentos próprios.

De acordo com Betânia, a cultura tem o poder de aproximar, trazer senso de pertencimento e identidade nas crianças. “A cultura agrega. E essa possibilidade das pessoas se juntarem para desenvolver uma atividade em conjunto é também um enraizamento. No sentido de fortalecer as raízes das crianças com um mesmo propósito”, comparou.

Entre aulas e vivências, Betânia relata que faz questão que as crianças da Em Cena passeiem e tenham atividades externas. “Já fomos pro Parque da Tamarineira, Fazenda Nova, Francisco Brennand e Ricardo Brennand, Teatro Santa Isabel e muitos outros lugares. Fazemos questão que as crianças vejam outras realidades e tenham acesso a esses espaços porque isso amplia o repertório e forma o cidadão”.

Atualmente, a Em Cena Arte e Cidadania conta com 12 profissionais, entre professores, administração, apoio e Conselho.

A cultura agrega. E essa possibilidade das pessoas se juntarem para desenvolver uma atividade ou em torno de algo é também um enraizamento. No sentido de fortalecer as raízes das crianças com um mesmo propósito

Betânia Gonçalves, coordenadora do Em Cena

Centro de Referência da Primeira Infância do Recife (CRIAR)

Recife conta com dois equipamentos destinados ao atendimento e a realização de atividades focadas no desenvolvimento integral de crianças de 0 a 6 anos, com unidades no bairro da Madalena (COMPAZ Miguel Arraes, na Avenida Caxangá), Zona Oeste da cidade, e no bairro da Mustardinha, na Zona Norte. Os Centros de Referência da Primeira Infância do Recife (CRIAR) ofertam atividades ricas em ludicidade e interatividade para essa fase tão importante.

“O CRIAR nasce a partir da compreensão de que a primeira infância é uma fase decisiva para o desenvolvimento humano. Entendemos que os seis primeiros anos de vida representam uma verdadeira “janela de oportunidades” para a formação de conexões neurais — e que, quanto mais ricas e qualificadas forem as experiências nesse período, maiores são as possibilidades de desenvolvimento integral da criança”, afirma Mirella Girão, psicóloga e coordenadora multidisciplinar do CRIAR Caxangá.

O CRIAR é um equipamento público vinculado à Secretaria de Educação, por meio da SEPIN (Secretaria Executiva da Primeira Infância), com investimentos na ordem de R$ 1,5 milhão da Prefeitura do Recife e foi concebido como um espaço que articula cuidado, educação e desenvolvimento, especialmente voltado para crianças em contextos de maior vulnerabilidade.

“Realizamos vivências estruturadas e mediadas por uma equipe multidisciplinar, que envolvem o brincar livre, a exploração sensorial, o movimento e a interação social. Na nossa dinâmica de trabalho também desenvolvemos ações de observação e acompanhamento do desenvolvimento infantil, articuladas com as escolas da Rede Municipal de Ensino, com o objetivo de fortalecer práticas mais qualificadas no cotidiano escolar. Esse trabalho também se estende às equipes escolares e às famílias, pois oferecemos momentos de escuta, orientação e troca de saberes sobre o desenvolvimento na primeira infância.”, disse Mirella.

criar
Sede do CRIAR, no Recife. (Foto: Divulgação).

O CRIAR atende, em média, 400 crianças por ciclo de atividades (que compreende o tempo de um bimestre escolar), considerando a participação das turmas das escolas da rede e as parceiras ao longo do período.

Mirella explica que o funcionamento do espaço se dá em rede com as escolas municipais. “O atendimento acontece por meio de vivências coletivas, organizadas por turmas escolares, em que as crianças participam de experiências planejadas a partir de intencionalidade pedagógica e do olhar para o desenvolvimento. Durante todo o tempo, elas são acompanhadas tanto pela equipe multidisciplinar do CRIAR quanto pelos profissionais da escola, garantindo segurança, vínculo e continuidade no cuidado.”

Além desse formato, o CRIAR também realiza atendimentos abertos à comunidade, por meio de demanda espontânea. Nesses momentos, as famílias inscrevem as crianças para participar de vivências de brincar livre às sextas-feiras, no turno da tarde.

Para Mirella, investir na primeira infância é investir na base de tudo e o projeto representa um novo passo da atenção destinada pelas políticas públicas para essa fase. “Em um espaço como o CRIAR, as crianças têm a oportunidade de vivenciar um brincar mais qualificado, que tem a capacidade de desenvolver autonomia, ampliar repertório e fortalecer habilidades socioemocionais. Do ponto de vista social, isso também contribui para a redução de desigualdades, a partir do momento em que oportunizamos o acesso à experiências que, muitas vezes, não estão disponíveis em outros contextos”.

O centro conta com uma equipe multidisciplinar formada por profissionais especialistas, como psicólogos, psicomotricistas, fonoaudiólogos, pedagogos, psicopedagogos e brinquedistas, totalizando 10 profissionais em cada unidade.

Leia mais reportagens