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Foto: Patrick Wymore/Netflix.

That ‘90s Show, spin-off de That ‘70s Show: O trunfo da série está em sua ligação com a história original

O retorno de Debra Jo Rupp e Kutwood Smith na interpretação de seus personagens é o ponto alto desta continuação da franquia

That ‘90s Show, spin-off de That ‘70s Show: O trunfo da série está em sua ligação com a história original
3.5

Em 1998, o mundo passava a conhecer um grupo de jovens reunidos num porão em Point Place, Wisconsin (EUA). Quatro rapazes, duas moças, três ou quatro casais que saíram disso, muitas descobertas da adolescência/vida adulta, cerveja e maconha. Isso tudo ambientado nos anos 1970 com uma narrativa que se baseava no humor pastelão, mas muito bem dosado. That ’70s Show, transmitida pela Fox por oito temporadas (1998-2006) foi um fenômeno estrondoso no mundo das sitcoms. E toda essa potência se perpetua como base do spin-off That ‘90s Show, da Netflix.

A série original, criada por Bonnie Turner, Terry Turner e Mark Brazill acompanhava a rotina de Eric Forman (Topher Grace), seus amigos Donna (Laura Prepon), Michael (Ashton Kutcher), Jackie (Mila Kunis), Fez (Wilmer Valderrama) e Steven/Hyde (Danny Masterson), e seus respectivos pais, com foco nos Forman, Red e Kitty (Kutwood Smith e Debra Jo Rupp). O mesmo trio criador expande o universo que retratava o período setentista, agora adaptados nos anos 1990, seguindo a jornada de Leia (Callie Haverda), filha de Eric e Donna, (casal principal da primeira história), quem vai passar as férias de verão na casa dos avós, onde fica o famoso porão.

That ‘90s Show se apoia na fórmula da série base ao mesmo tempo que traz refrescos e novas personalidades para compor o novo elenco. Nesta, o grupo de adolescentes está dividido num sistema mais igualitário de gênero. Leia, Gwen (Ashley Aufderheide), Nikki (Sam Morelos), o filho de Michael e Jackie, Jay (Mace Coronel), Nate (Maxwell Acee Donovan) e Ozzie (Reyn Doi) são os responsáveis por trilhar suas próprias histórias no porão dos Forman e ao longo de Point Place durante os 10 episódios desta primeira temporada.

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As semelhanças da série original são um dos pontos mais altos da produção. Os “mundos” das duas produções estão muito bem conectados e interligados, servindo até como uma continuação, o que permite a aparição de rostos que o público fã da franquia conhece e tem muito apreço. Fora Red e Kitty, que atuam como personagens regulares, os episódios contam com as aparições e participações de Eric, Donna, Michael, Jackie, o icônico Fez, que da safra original é o que mais dá as caras, além do velho maconheiro Leo (Tommy Chong), o pai de Donna, Bob (Don Stark) e Fenton (Jim Rash).

O roteiro traz, sem pudores, referências à série original, como reproduções de cenários, remakes de situações e até mesmo de narrativas. A diferença aqui é que o elenco jovem passa uma impressão de menos experiência que o grupo da série base. E é importante ressaltar que essa falta de experiência existe tanto nos personagens quanto nos atores. As idades, aparências e estéticas do elenco tornam a narrativa menos madura, mas com a mesma proposta de descobertas e conflitos da adolescência.

Um dos pontos comuns do processo de narrativa, é que ambos os shows estão abraçados intimamente aos contextos sociais de suas épocas retratadas, além, claro, das referências na caracterização, menções à cultura pop e etc. Na sitcom original, a crise econômica com o fechamento das fábricas e a insurgência de movimentos feministas eram pautas recorrentes, enquanto nesta nova, a chegada das novas tecnologias, como os computadores e até mesmo os DVDs aparecem na composição temporal. Em ambas, a maconha permanece na caixinha do tabu de proibição, mas deliberadamente naturalizada entre os mais novos.

Fica injusto comparar o impacto de uma série que se prolongou por oito anos no ar, com uma estreante que se sustenta neste legado, ao mesmo tempo que é inegável a percepção de que o elenco jovem ainda tem muito o que aprender em questão de humor, de interpretação e do “charme” que prende o telespectador, fator muito presente em That ‘70s Show. Assim como a série original, That ‘90s oscila no roteiro de sua comédia. A diferença aqui é que a quantidade reduzida de episódios torna isso mais aparente. Outro elemento também aparente, é a tentativa de trabalhar temas que exigem um drama mais carregado, o que fica de escanteio, superficial, pouco trabalhado, já que neste contexto, eles primeiramente focam em provar o seu humor.

O elenco jovem desta continuação da franquia, pelo menos nesta temporada, ainda não alcançou um potencial parecido com o do primeiro grupo. Porém, pensando mais numa questão de bastidores, é extremamente interessante assistir as trocas dessa nova safra com atores que já se apropriaram de seus personagens. O elenco veterano tem suas interpretações no gatilho, e a passagem de tempo tanto na ficção quanto fora dela, contribuiu para deixar tudo muito natural e espontâneo. A oportunidade que esses jovens estão tendo com profissionais como Debra Jo Rupp e Kurtwood Smith é coisa de escola.

Ainda sobre a dupla, é formidável vê-los tomando as rédeas da sitcom. Se o humor cai alguns degraus, tê-los no volante é uma garantia. O timing perfeito das piadas, a essência cômica dos personagens que se renovou por 17 anos e está mais afiada do que nunca é um dos pontos estruturadores da série e também o que faz com que haja esperança de que ela se renove para mais uma temporada.

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