, nova artista do funk e ativista LGBT lança o single “Bixa Preta”. A música fará parte do seu EP, previsto para abril.

Bicha, trans, preta e periférica, MC Linn é mais um nome do novo pop nacional a questionar padrões e privilégios. A faixa tem uma letra poderosa sobre se insurgir contra a violência. As bichas pretas não vão mais escutar caladas xingamentos, ameaças e gracinhas, este é o recado da faixa. A voz de Linn, em um grave altíssimo, é embalada por uma batida que tenta fugir do convencional ao mesmo tempo que tem apelo para pistas de dança.

A artista, que é formada na Escola Livre de Teatro de Santo André e estudou ballet clássico e dança contemporânea no Centro de Artes Pavilhão D, lançou recentemente o single “Enviadecer”, que tem produção da rapper Luana Hansen. A canção fala sobre imposições sociais no mundo LGBTQ+, que culturalmente exigem que uma parcela dos homens gay e cisgênero se comportem de forma machista, misógina e transfóbica.

“Eu sempre gostei muito de funk e de dançar. Mas me incomodava muito no gênero é que a maior parte das músicas são feitas única e exclusivamente para o macho e seu próprio prazer. Funk é poesia e movimento. Por isso, eu me senti impulsionada a ocupar também a música e a colocar as minhas ideias em letras de funk e mandar um papo reto sem amarras”, explica MC Linn, por e-mail.

“Eu falo de um lugar no qual eu me reconheço, falo da quebrada, com a quebrada e para a quebrada. Falo sobre movimento e resistência. Dançar sobre as ruínas desse patriarcado machista é libertador. Emitir essa mensagem a partir de um corpo preto, bixa, pobre, abjeto”, diz Linn, que é moradora de um bairro localizado na extrema Zona Leste de São Paulo

Antes de entrar de cabeça no mundo da música, a artista participou de diversas performances e coletivos. MC Linn colaborou com a formação da ONG ATRAVESSA (Associação de Travestis de Santo André) e atua como performer no Coletive Friccional, sendo co-criadorx da performance “DPósito” e a intervenção “Contar os Corpos e Sorrir?”. A primeira surgiu após pesquisas e entrevistas com garotas de programa e a segunda retrata a violência endêmica que o Brasil vive contra LGBTQ+.

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