Leon Adan potencializa a sonoridade pernambucana em “Meu Maracá” com a participação de Nilton Junior

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(Foto: Amanda Sartor/ Divulgação)

A musicalidade difundida pela cultura dos mestiços do sertão e a percussividade de Leon Adan é um marco entre a tradição e a contemporaneidade, principalmente com a participação especial do Nilton Junior, ambos pernambucanos, Leon Adan e o fundador do Coco de Toré Pandeiro do Mestre celebram neste lançamento, o ritual da força da natureza, a ciência ancestral e a potência eletrônica com a produção musical assinada por Leo Gumiero (ímã, Mulamba, Klüber Roseane Santos, RESP, Ankou e Gume). 

A composição de Leon Adan é uma homenagem à trajetória de Nilton Junior que há mais de vinte anos fortalece a cultura musical pelo Coco de Toré Pandeiro do Mestre. “Meu Maracá” está disponível pelas plataformas de streaming a partir desta sexta (07). 

“Eu já havia visto vários shows do Nilton Junior e marcou demais o início da minha trajetória como artista e influenciou a minha sonoridade. Estando fora da minha terra e retomando o meu processo artístico, ao assistir um show dele em Curitiba, percebi ele como essa potência completamente distinta daquilo que eu vivenciava no sul. A conexão dele com a tradição e a forma como ele se dedica a cultura popular para manter viva esta história, tocando e ainda cantando, é uma potência inspiradora para a composição desta canção”, rememora Leon Adan sobre a composição realizada em 2019. 

Cinco anos depois, em “Meu Maracá”, o novo single de Leon Adan sintetiza a atual fase do artista. Além de impulsionar a cena paranaense, a partir de projetos musicais como o Bloco Araucoco, Fuá da Serra e a banda Macô. o pernambucano exalta as suas origens, mas também incorpora as suas experiências musicais ao lado de outros nomes da atual cena curitibana. 

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(Foto: Amanda Sartor/ Divulgação)

“Eu falei com o Leo Gumiero e disse a ele sobre a questão do diálogo entre a modernidade e a tradição para que a música possa ser ouvida, curtida e entendida. No entanto, ´Meu Maracá` tem um pé na tradição, mas não deixa de ter a relação com a contemporaneidade a partir dos sintetizadores e o fundamento com o Nilton Junior proporcionando essa vazão ao maracá”, ressalta Leon Adan sobre a produção musical do Leo Gumiero que também assinou o single mais recente do artista:“Acabou a Cheia”

Embora a composição seja de 2019, a homenagem rendeu o intercâmbio artístico entre a produção cultural paranaense e pernambucana. Em 2021, os laços da cultura popular entre o nordeste e o sul possibilitaram um eco relevante para unificar o toré e também o forró pé de serra, onde Leon já disseminava a sua pluralidade.

“Dois anos depois que eu escrevi a letra, recebi o convite da Júlia Moretti para poder fazer a produção da vinda dele para o sul após a pandemia. E desde lá, todo ano a gente traz o Nilton para participar dos projetos da Fuá da Serra que é a banda que eu tenho com a Júlia. Então, nós estreitamos os laços, e eu me sinto iniciado na arte da rima popular pelo Nilton. Sempre que ele vem, fica hospedado em casa, então nós temos a possibilidade de conversar sobre vários assuntos. Nos últimos shows dele, nós tocamos juntos, então essa admiração e o convite foi natural”, contempla Leon.  

Enaltecidos pela ancestralidade afro-indígena e a cultura popular, o single é uma declaração poética sobre a certeza de dois artistas que entendem a necessidade de mostrar para novos públicos o quanto o atual momento da música também pode ser influenciado pela riqueza dos povos e das culturas originárias. 

“O Nilton é descendente dos Xukuru que é uma etnia indígena presente em Pernambuco. Então, a música fala sobre a ancestralidade e a cultura popular. E essa relação do maracá que é um símbolo dos povos indígenas do nordeste pela manifestação do ritual do toré é uma simbologia muito importante para a ritualidade e para a comunicação entre o mundo dos espíritos e dos homens. Então, é extremamente significativo para mim”.