Editors
Surface, Echo & Sound
Play It Again Sam, 2026, Rock
Em seu novo trabalho, o grupo britânico Editors volta ao básico para entregar aquilo que os ouvintes esperam que nunca mude: indie rock com inspiração post-punk, ecos dos anos 1980 e de shoegaze. Surface, Echo & Sound desacelera o projeto de experimentar em outros gêneros para seguir com melodias que remetem aos dois primeiros (e melhores) registros do grupo, The Back Room (2005) e An End Has a Start (2007).
Produzido pelo guitarrista da banda, Justin Lockey, o álbum ensaia uma aproximação com o folk em alguns momentos, mas temos aqui faixas que trazem as guitarras meio dançantes, carregadas de drama, como no hit “Munich”, de 2005. Mas nenhuma faixa chega nem perto de despertar a mesma emoção. “Call It In” é simpática e vai agradar os mais nostálgicos. “The Rush” tem uma das melhores letras, com reflexões sobre vida e amadurecimento sem cair em clichês.
O restante do disco, infelizmente, vai atender mesmo os fãs mais devotos. Há poucos momentos que farão desse disco um potencial ponto de partida para quem nunca ouviu o grupo. E as letras carecem de imaginação, são quase literais, como a balada “Seriously”.

Parte da renovação do rock na virada dos anos 2000, o Editors passou incólume pelas décadas seguintes sem conseguir alcançar o mesmo sucesso ou relevância daquele início. Outras bandas da mesma época seguiram na mesma toada, com alguns bons lançamentos, mas nada espetacular para furar a bolha dos fãs fiéis que nunca os abandonaram.
Estamos falando de uma geração inspirada pelo post-punk e pela new wave oitentistas que contou com nomes como The Walkmen, Black Rebel Motorcycle Club e Kasabian. Em um patamar acima estão referências do mesmo movimento, como Yeah Yeah Yeahs, Interpol e The Strokes.
No caso do Editors, vale mais a pena revisitar The Back Room, um álbum de estreia carregado de emoções exacerbadas, feito pra chorar na pista de dança.
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