Crítica: Hoje Eu Durmo Cedo diverte com sonhos transformados em quadrinhos
NOTA7.5

Criar narrativas oníricas é sempre um desafio imenso. O autor precisa ter uma segurança grande em relação às próprias pretensões para conseguir convencer seu leitor a embarcar naquela viagem. As quadrinistas cariocas Mayara Lista e Paula Cruz conseguiram driblar essa pressão com um gibi com toques de humor e ironia, que trata com descontração algo tão profundo quanto os devaneios humanos. Hoje eu Durmo Cedo é tanto uma investigação artística com ecos Jungueanos quanto a exploração de um meme de mesmo nome onde pessoas nunca cumprem a expectativa de ir pra cama cedo

 

As autoras decidiram quadrinizar sonhos reais e afirmam não terem mexido muito na história em relação ao que foi realmente sonhado (quer os sonhos sejam das autoras ou não). São quatro histórias muito boas onde elas conseguem explorar bem o lado surreal dos sonhos com composições de quadros criativos, fora do óbvio. Sem pesar a mão no experimentalismo elas decidiram manter uma narrativa sóbria, mas com boas ideias no modo de narrar. As melhores foram “Golpe”, que traz uma versão (ainda) mais assustadora do presidente Temer e “Cândida”, onde uma possível DST ganha contornos de filme de terror.

É uma obra curta que serve para apresentar o talento dessas duas novas quadrinistas. Bom ficar de olho nas farpas.

HOJE EU DURMO CEDO
De Mayara Lista e Paula Cruz
[Farpa Editora, 34 páginas, R$ 20 / 2018]
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