Em RAPINA, projeto assinado por Caio Dornelas e Renatto Mendonça e composto por dois curtas-metragens independentes, mas conectados por um mesmo tempo, espaço e universo cinematográfico, é do céu que vem a ameaça: a sombra de uma ameaça que paira sobre o Sítio Ambé, em plena preparação para as festas de São João, e o olhar atento de uma mulher que carrega a dor da perda do filho e a transforma em caça. Bandeirolas, fogueiras e fogos de artifício compõem uma paisagem de festa em que a violência, no entanto, nunca está longe.
Em HARPIA, uma comunidade rural pernambucana luta para permanecer na terra, sob a liderança política e espiritual de Inalda. O título faz referência à harpia, ave de rapina associada à força, à vigilância e à ameaça, elementos que atravessam a construção narrativa e visual do curta. Já em PULSATRIX, dirigido por Mendonça, Neta, caseira de uma chácara, vê o próprio trauma se converter em uma espiral de vingança, num suspense psicológico que tensiona classe, gênero e os limites entre a vítima e o agressor.
Neste mês de novembro, RAPINA levanta voo para fora do país. HARPIA tem estreia mundial no dia 7, às 20h, no Savoir-faire Shorts Film Festival, realizado no âmbito da 40ª edição do Fort Lauderdale International Film Festival, nos Estados Unidos. PULSATRIX segue para a Polônia, onde faz sua estreia internacional no 20º Lublin Film Festival, com exibições entre os dias 21 e 29 de novembro, no Centrum Kultury.

Em entrevista à Revista O Grito!, Caio Dornelas e Renatto Mendonça comentam mais sobre o projeto.
Harpia e Pulsatrix ainda são inéditos no Recife? O lançamento em festivais na Flórida e na Polônia é uma estratégia de distribuição ou é apenas pelo fato de eles terem sido selecionados para esses eventos?
Como estratégia de distribuição buscávamos uma estréia internacional quase simultânea para ambos os curtas e em sincronia com uma estreia nacional. O Harpia tem estreia em Recife confirmada agora em novembro na III edição da Mostra Internacional de Cinema Atlântico – Correnteza, enquanto o Pulsatrix tem exibições confirmadas em Jaboatão do Guararapes e em Garanhuns através da IX Mostra Sesc de Cinema – Panorama Pernambuco. Está em nosso radar também promover algumas sessões conjuntas de ambos os curtas em festivais nacionais ao longo do próximo ano.
Desde o início os dois trabalhos foram pensados para estabelecer uma relação entre eles dentro dessa ideia do projeto Rapina. Como foi a concepção dos dois filmes dentro dessa perspectiva?
Os dois realizadores trabalham juntos em muitos projetos, além de serem conterrâneos, ambos de Goiana, na Zona da Mata de Pernambuco. Embora os dois curtas tenham nascido separadamente, tanto Caio como Renatto acompanharam o desenvolvimento dos roteiros um do outro e já havia um universo de referências compartilhadas, entre cores, paisagens, tons, temporalidades. Ao colocar os dois roteiros lado a lado, percebemos que havia uma liga entre os universos, as histórias e seus personagens. O desejo de movimentar os roteiros e as estruturas de realização para a construção dessa obra conjunta foi imediato e muito instigante.
Outros filmes serão produzidos dentro do projeto?
Nós já desenvolvemos outros arcos dramáticos que derivam da mesma premissa e compartilham do mesmo conceito e universo do RAPINA. Figura no nosso horizonte a realização de novos curtas para transformar o Rapina numa espécie de franquia ou, ainda, desdobrá-lo como uma minissérie.
Vocês têm expectativas sobre a recepção para plateias internacionais?
Acreditamos que as histórias são carregadas de elementos socioculturais muito próprios do Brasil, mais precisamente do interior de Pernambuco, ao mesmo tempo em que flerta com o cinema de gênero, algo muito universal. Acreditamos que essa articulação tem potência para despertar atenção, interesse e estranhamento no público internacional.


