Apoie
  • Música
    Música

    Resenhas, playlists e novidades da cena independente e pop

    diiv

    DIIV tenta fazer retrato das desilusões dos EUA em seu disco pop pop, “ZIRP”

    Editors image 1

    Editors retorna sem muito a dizer no nostálgico “Surface, Echo & Sound”

    Copia de Novos Sons Site 3 1

    Novos sons da semana com Megan Thee Stallion, Emilia, Dennis e JISOO

    • Crítica — Disco
    • Novos Sons da Semana
  • Quadrinhos
    Quadrinhos

    Nossa cobertura de HQs: lançamentos, entrevistas, resenhas e notícias

    065 MG 7952 Mesas FIQ BH 2022 ⓒ Laura Campregher

    Festival Internacional de Quadrinhos chega à 13ª edição com o tema “Caminhos da leitura: quadrinhos e cidadania” 

    Clara Chotil

    Papo com Clara Chotil, autora de “Tekoha”: “Este livro é sobre o apego à terra, sobre a herança e as raízes”

    clara 2

    “Tekoha”, nova HQ de Clara Chotil sobre a luta Guarani, tem lançamentos no Brasil

    • Crítica — HQ
    • O Grito! HQ
    • Novos Quadrinhos
    • HQ de Fato
  • Cinema
    Cinema
    IMG 2394

    Janela de Cinema 2026 foi uma vitrine excepcional para filmes LGBTQIA+

    01112026 XVIIJANELA fotoVictorJuca DSC 3843

    Entre afetos, memória e humor, Janela de Cinema encerra edição com Recife em evidência

    IMG 2444

    Janela de Cinema leva para tela do São Luiz a memória viva de figuras marcantes da vida brasileira

    • Crítica — Cinema
    • O melhor do streaming
  • Livros
    Livros
    065 MG 7952 Mesas FIQ BH 2022 ⓒ Laura Campregher

    Festival Internacional de Quadrinhos chega à 13ª edição com o tema “Caminhos da leitura: quadrinhos e cidadania” 

    lisa lee

    Lisa See resgata tradição de mergulhadoras coreanas em “A Ilha das Mulheres do Mar”

    miolos

    Feira Miolo(s) reúne 300 expositores independentes na Biblioteca Mário de Andrade

  • Teatro
    Teatro
    santana

    Um papo com Santana Blossom, vencedora do Lipsynca: “O drama me atrai muito”

    IMG 3327

    “Mulheres de Nínive” chega ao Teatro do Parque em apresentação única no dia 30 de outubro

    Elineudo Meira

    Primeira Virada Indígena do Brasil acontecerá em São Paulo este ano

  • Artes Visuais
    Artes Visuais
    Mozart 28092026 Ph Julia Thompson 30

    Exposição “Delicado é o Espinho”, de Mozart Santos, reúne produção inédita que atravessa Sertão e periferia

    Victor Yves. Credito Rafaela Pimenta Divulgacao

    Livro com compilado de 70 anos de capas de cordel será lançado no Recife

    Parque Nilo Coelho de Esculturas 1985 por Jose Faustino da Costa e colaboradores Brejo da Madre de Deus Foto Genilson Brejo

    Plataforma Pernambuco Arte Pública mapeia cerca de 100 obras instaladas em espaços urbanos do Estado

  • Reportagens
    Reportagens

    Acompanhe os nossos conteúdos especiais

    d6a0574

    “Primavera Brasileira”: como ato de estudantes virou onda global contra extrema direita

    governo

    Principais candidatos ao Governo do Estado de Pernambuco têm bons programas para o setor cultural

    Palacio do Planalto GGFD8938 Editado

    Para a maioria dos candidatos à presidência, cultura tem pouco espaço nos programas de governo

  • Críticas
    Críticas
    diiv

    DIIV tenta fazer retrato das desilusões dos EUA em seu disco pop pop, “ZIRP”

    Editors image 1

    Editors retorna sem muito a dizer no nostálgico “Surface, Echo & Sound”

    harlem

    Janela de Cinema 2026: “Era uma vez no Harlem” reverencia uma geração pioneira da cultura negra nos EUA

  • Loja
  • Mais
    • Listas
    • Opinião
    • Cobertura
    • Melhores do Ano
    • Entrevistas
    • O Grito! Interior
    • TV
    • Moda
  • Apoie
Leitura
Resenha: O corpo metamorfoseado em O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
CompartilharTweet
Cinema

Resenha: O corpo metamorfoseado em O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues

Por João Nóbrega·5 de abril de 2017, 11:59·5 minutos de leitura
ornitologo

Longa do cineasta português aborda a vocação erótica do cristianismo em uma narrativa que subverte fórmulas clássicas do cinema

Se quisermos definir O Ornitólogo, do cineasta português João Pedro Rodrigues, por associações aproximativas, poderíamos dizer que o filme é uma espécie de Stalker (Tarkovsky, 1979) movido por pulsões pasolinianas. Se bem que essa definição não faça jus ao todo do novo filme de JPR, ela é capaz de revelar aspectos relevantes da obra. De Stalker temos a jornada espiritual entre a natureza (hostil ou estéril?), ainda que em JPR essa espiritualidade seja mais auto-irônica do que movida por um objeto concreto de fé, tal como ocorre em Tarkovsky. De Pasolini, o gosto pela iconoclastia e pela profanação, isto é, pela ressignificação anárquica – mas nunca aleatória – de uma ostensiva iconografia cristã.

Leia Mais
As ruínas e a resistência de Era o Hotel Cambridge
O enigma em Personal Shopper
A ausência da resposta em Silêncio, de Martin Scorsese
A natureza humana em Até o Último Homem

Em linhas gerais (porque para este filme em especial estas linhas só poderiam ser generalistas), o filme traz Fernando (Paul Hemy), um ornitólogo que se encontra na região de fronteira entre Portugal e Espanha para observar os espécimes locais. Navegando em seu caiaque, distraído com as aves da região, Fernando acaba por ser levado pela corredeira. Mais tarde, ele será salvo por duas peregrinas chinesas que acabaram por se desviar do Caminho de Santiago de Compostela, o qual originalmente elas trilhavam. Após Fernando manifestar sua falta de fé, as chinesas punem o homem, e partir daqui a jornada do ornitólogo será progressivamente insólita, mas sempre guiada pelos pássaros.

Fernando é metáfora para o cineasta do Primeiro Cinema (aquele praticado entre 1895 e 1915), encarnando o velho desejo cientificista, e colonialista, de apreender o mundo em sua totalidade, possibilidade há muito abandonada pelos contemporâneos. Fernando é cineasta de Ciência, ele observa para catalogar, para dispor e colecionar. Assim o filme, de início, estabelece a condição contemplativa observacional e seu tecido complexo: observamos Fernando, que observa os pássaros, que devolvem olhares a Fernando. E assim vai ser até o fim do filme: a Natureza possui olhos. O sonho cataloguista do protagonista, no entanto, será logo levado pela correnteza. Uma vez salvo pelas peregrinas chinesas, dotadas de um catolicismo sincrético, o ateísmo do até então ornitólogo é confrontado e punido.

ornitologo2
Devoção: a transformação do protagonista em Santo Antônio. (Divulgação).

As chinesas abrem o olhar do espectador para o simbolismo que irá perpassar todo filme, e que vai sendo aos poucos enunciado pelas duas. As peregrinas como que condensam toda a tendência sadomasoquista do catolicismo, aquela inclinação para ver no autoflagelo, e no flagelo do outro, a expiação de todos os pecados – inclinação muito bem conhecida por um Mel Gibson, por exemplo.

Aliás, essa vocação erótica do cristianismo parece ser tudo o que mais interessa JPR na lida com tal iconografia. Assim, após as duas amarrarem Fernando à uma árvore, numa espécie de bondage ritualístico, associado também ao desejo de castração, elas lançam uma espécie de maldição santa a Fernando: “Você vai encontrar seu caminho! ”.

Após livrar-se das sadomasoquistas, o protagonista segue à deriva e encontra parte de seus pertences (inclusive o caiaque destruído), como restos de um ritual primitivista que mais tarde seremos levados a contemplar junto a Fernando. Aqui se inicia uma metamorfose à revelia do metamorfoseado, ou assim parece, uma vez que as forças que levam a cabo à transformação de Fernando ou são desconhecidas (como as suscitas pelo ritual), ou são obstáculos naturais, ou ainda são forças naturais imponderáveis. De qualquer forma, estas forças se revelam sempre inelutáveis. E assim acompanhamos a longa transformação de Fernando em Santo Antônio, aparentemente o santo ao qual as chinesas são devotas.

É a partir daí que JPR se aprofunda em uma de suas questões centrais: o alcance da transcendência através da experiência da matéria. Fernando, desacordado após manifestar o ritual pagão, acorda e se depara com um jovem deleitando-se nas tetas de uma cabra, chupando-lhe o leite vigorosamente. Com esse jovem, de nome Jesus, Fernando irá levar a cabo o ato sexual. O sexo, será novamente ressignificado enquanto sadomasoquismo, pela justaposição à cena em que, invertendo as polaridades da cena anterior, transforma o sexo em apunhalada. Fernando então fica cada vez mais à deriva, vagando, buscando ocupar um espaço que lhe rejeita, mas também lhe chama, através da pomba branca do Espírito Santo, para o coração da floresta.

ornitologo3
De um cinema documental para uma narrativa contemporânea, onde o corpo assume o centro do filme. (Foto: Divulgação).

Testemunhamos, então, não só a metamorfose de Fernando, mas também a transformação de um cineasta, e do cinema como um todo. Quando Fernando finalmente conclui sua transformação em Santo Antônio, o santo é interpretado, na verdade, pelo próprio João Pedro Rodrigues. JPR faz uma transição do Primeiro Cinema, que rimava com as aspirações científicas do ornitólogo, para um cinema essencialmente contemporâneo, em que o corpo assume o protagonismo. Como objeto, esse corpo se insere no filme a partir de uma subjetividade que interage com os objetos do mundo de maneira fragmentada. Aqui é interessante observar como essas duas formas de cinema se tocam e se afastam: se no primeiro cinema, a observação e a contemplação tinham a pretensão de capturar a realidade, de modo documental; no cinema contemporâneo, a observação e a contemplação (que geram essa sensação de eterno retorno tão afeita ao cinema atual) buscam justamente estudar esse corpo em relação ao espaço.

Ver também
2.5
Editors image 1
Crítica: Disco

Editors retorna sem muito a dizer no nostálgico “Surface, Echo & Sound”

3 de novembro de 2026, 06:05

JPR parece consciente destes pontos de contato e de afastamento entre os dois cinemas, utilizando-se, no primeiro terço do filme, de uma linguagem próxima aos documentários. Gradualmente, no restante do filme, o diretor vai colocando o corpo de Fernando no centro do filme, desestabilizando-o, progressivamente, através da perversão de diversos gêneros cinematográficos: cria-se suspense sem razão aparente, enuncia-se a chegada de criatura maligna que nunca se concretiza, e se reencena o duelo dos Westerns, com desajeito e estranheza. O roteiro, em si, é também perversão da fórmula clássica, é uma jornada do herói às avessas, que quebra, uma a uma, nossas expectativas.

Assim como o filme disseca e perverte fórmulas, a transformação do corpo, em O Ornitólogo, acontece pela perversão do sadismo, que, ao final, é condensado pelo índice da corda do bondage e pelo ritual de queimar as próprias digitais, a ferro quente. A metamorfose, antes movida por forças sempre externas, penetra o corpo de Fernando, e torna-se voluntária, sendo apenas consagrado por Amazonas modernas (tão lógicas quanto insólitas).

O ORNITÓLOGO
João Pedro Rodrigues
[O Ornitólogo, POR, 2016 / Vitrine Filmes]
Com Paul Hemy

  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Bluesky(abre em nova janela) Bluesky
  • Compartilhar no Threads(abre em nova janela) Threads
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) X

Encontrou um erro? Fale com a gente

Assuntos
João Pedro RodriguesO Ornitólogo
Categorias
Cinema Crítica: Cinema Críticas Destaques: Cinema

Ajude a Revista O Grito! a continuar no ar!

O nosso jornalismo cultural é totalmente gratuito, mas custa dinheiro. As nossas reportagens, críticas e investigações envolvem trabalho duro e muita dedicação. Para continuarmos, precisamos da sua ajuda! Apoie o nosso trabalho com uma assinatura.

Apoie hoje
João Nóbrega
Estudante de Cinema na FAAP, queria ter nascido Rimbaud ou Belchior, curte cappuccino, e (insira aqui outras casualidades típicas de um perfil pretensamente descolado).
Acompanhe nossa cobertura de quadrinhos

HQ de Fato

Untitled 1

Pedagogia da desinformação

DESTAQUES

rnp.pc

REC’n’Play 2026 será palco de tecnologia e criatividade no Recife

55547706029 061aa2288a o

Classe artística cobra Lula por troca no comando do Ministério da Cultura

065 MG 7952 Mesas FIQ BH 2022 ⓒ Laura Campregher

Festival Internacional de Quadrinhos chega à 13ª edição com o tema “Caminhos da leitura: quadrinhos e cidadania” 

IMG 2394

Janela de Cinema 2026 foi uma vitrine excepcional para filmes LGBTQIA+

diiv

DIIV tenta fazer retrato das desilusões dos EUA em seu disco pop pop, “ZIRP”

Crítica de quadrinhos

destaque reflexosdomundo trabalhaeviver fabientoulme nemo 16122024

Fabien Toulmé mostra a força do jornalismo em quadrinhos para refletir o mundo contemporâneo

4
STARMAN bowie

HQ autobiográfica retrata como David Bowie e Ziggy Stardust tornaram-se uma só pessoa

Adormecida capa editora hipotetica

“Adormecida – Cem Anos Para Sempre” faz releitura perturbadora do mito da Bela Adormecida

Críticas

3.5
diiv

DIIV tenta fazer retrato das desilusões dos EUA em seu disco pop pop, “ZIRP”

2.5
Editors image 1

Editors retorna sem muito a dizer no nostálgico “Surface, Echo & Sound”

4
WORSTGIRLINAMERICA

Slayyyter prova que o caos é a ordem para o sucesso em “WOR$T GIRL IN AMERICA”

Novos Sons

Copia de Novos Sons Site 3 1

Novos sons da semana com Megan Thee Stallion, Emilia, Dennis e JISOO

Críticas

IMG 2394

Janela de Cinema 2026 foi uma vitrine excepcional para filmes LGBTQIA+

harlem

Janela de Cinema 2026: “Era uma vez no Harlem” reverencia uma geração pioneira da cultura negra nos EUA

3.5
15TBR ODYSSEY READINGLIST fwmj superJumbo

“A Odisseia”: a ambição homérica de Christopher Nolan

Assine nossa newsletter gratuita

Entrevistas

Clara Chotil

Papo com Clara Chotil, autora de “Tekoha”: “Este livro é sobre o apego à terra, sobre a herança e as raízes”

Últimas

Primeiro Curta no Brejo 2024 Alef Pontes3

Mostra Curta no Brejo exibe produções nacionais e locais em praça pública no Agreste

WhatsApp Image 2026 10 15 at 10.36.52

3° Festival de Cinema OLAR – Observatório Latino-americano de Realizadoras abre inscrições para oficinas gratuitas de formação audiovisual

FOX00808

Documentário “Mulher do Bordado” revela a força das mulheres que transformam tradição em futuro em Passira

Parque Nilo Coelho de Esculturas 1985 por Jose Faustino da Costa e colaboradores Brejo da Madre de Deus Foto Genilson Brejo

Plataforma Pernambuco Arte Pública mapeia cerca de 100 obras instaladas em espaços urbanos do Estado


A Revista O Grito! é um site jornalístico que cobre arte e cultura pop. Nossa missão é promover o espírito crítico e consciência social a partir da produção artística.

Membro da AJOR

  • Siga

MAIS SOBRE O GRITO!

  • Sobre nós
  • About Us (In English)
  • Anuncie
  • Princípios editoriais
  • Política de privacidade
  • Expediente

CONTEÚDO

  • Música
  • Cinema
  • Quadrinhos
  • Agenda Cultural
  • Newsletter
  • HQ de Fato

© 2026 O Grito! Mídia e Produção Ltda. Todos os direitos reservados. Recife, Brasil.

  • Música
    • Crítica — Disco
    • Novos Sons da Semana
  • Quadrinhos
    • Crítica — HQ
    • O Grito! HQ
    • Novos Quadrinhos
    • HQ de Fato
  • Cinema
    • Crítica — Cinema
    • O melhor do streaming
  • Livros
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagens
  • Críticas
  • Loja
  • Mais
    • Listas
    • Opinião
    • Cobertura
    • Melhores do Ano
    • Entrevistas
    • O Grito! Interior
    • TV
    • Moda
  • Apoie

Assine

  • Notícias
  • Reportagens
  • Críticas
  • Agenda cultural
  • Música
  • Cinema
  • Quadrinhos
  • Livros
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Moda
  • Políticas
  • HQ de Fato
  • Revista Plaf
  • Loja
  • O Grito! HQ
  • Sobre nós
  • Anuncie
  • Princípios editoriais
Comece a digitar para ver os resultados
Coquetel Molotov Carnaval Oscar Marvel Comics DC Comics
Ver todos os resultados