“É um álbum que fala sobre entender os seus desejos e não se perder com isso”, define Pabllo Vittar sobre “LOST IN LUST”, seu sétimo álbum de estúdio. Em entrevista à Revista O Grito!, a cantora fala sobre a criação do disco, que reúne 12 faixas em inglês e espanhol, explora diferentes vertentes da música eletrônica e incorpora referências do pop, do tecnomelody, do forró, do funk e do rock. “É um álbum em inglês e espanhol, mas com muita brasilidade”, resume.
O trabalho nasceu sob influência do Club Vittar, projeto de discotecagem iniciado em 2025, e marca uma nova etapa de experimentação na carreira da artista. Com participações de Villano Antillano, Urias, Mahmood e La Cruz, o álbum também reflete a colaboração com produtores e compositores da cena LGBTQIAPN+. “Quero que ele ocupe na minha trajetória o espaço da experimentação, da novidade, da liberdade criativa”, afirma.
A noite, elemento central do universo de LOST IN LUST, aparece como território de desejo, celebração e acolhimento. Para Pabllo, esse espaço tem uma importância particular para a cultura drag e para a comunidade queer. “É um lugar de vivências, acolhimento e pertencimento, onde as pessoas podem ser quem elas são sem medo e julgamentos”, diz.
A dimensão internacional do projeto acompanha uma trajetória de dez anos, quatro turnês internacionais e apresentações em grandes festivais. A cantora também prepara um curta-metragem para o álbum, experiência inédita em sua discografia. “É algo diferente de tudo que eu já fiz”, conta.
Nesta sexta-feira (23), Pabllo Vittar chega a Pernambuco com o Halloween da Pabllo, que acontece no Classic Hall, em Olinda, com o espetáculo “Circo dos Horrores”. A apresentação integra a agenda de shows da artista em 2026 e aproxima o público pernambucano dessa nova fase, marcada pela liberdade criativa e pela exploração de diferentes sonoridades.
Em entrevista à Revista O Grito!, cantora fala sobre o sétimo álbum, a liberdade criativa, a noite como espaço de acolhimento LGBTQIAPN+ e a expansão internacional da carreira. Artista apresenta o Halloween da Pabllo, com o conceito “Circo dos Horrores”, nesta sexta-feira (23), no Classic Hall, em Olinda:
Em que momento você percebeu que LOST IN LUST seria o universo do seu próximo álbum?
O LOST IN LUST nasceu durante a fase das primeiras apresentações do Club Vittar, meu projeto como DJ. O Club é recente, nasceu em 2025, e teve forte influência nesse processo de criação do novo álbum. Foi nesse período que comecei a pensar na sonoridade do disco e nos produtores que queria comigo. Tem muito eletrônico, mas também muitos elementos do pop, do tecnomelody, do forró, do funk e do rock. É um álbum em inglês e espanhol, mas com muita brasilidade.
O título LOST IN LUST sugere tanto entrega quanto perda de controle. Você sente que o disco fala mais sobre se entregar ao desejo ou sobre tentar entendê-lo?
Escolhi o título pensando em uma definição para o que sinto quando escuto todas as faixas em sequência. O LOST IN LUST é um álbum nonstop, e a luxúria é um mundo de pressões constantes sobre nós. É algo que faz a gente se perder em promessas, amores falsos, ansiedade e nos próprios sentimentos. Quando a gente se permite sair um pouco do controle, existe um certo encantamento. O nome do PV7 traduz esse sentimento de se perder no encantamento que é a luxúria. É um álbum que fala sobre entender os próprios desejos e não se perder com isso.
A noite aparece como um espaço de desejo, prazer e também vulnerabilidade. O que mudou na sua relação com a noite ao longo da construção desse álbum?
Sempre gostei da noite porque é um espaço de liberdade, afeto e celebração! Principalmente para a cultura drag, a noite é um lugar de vivências, acolhimento e pertencimento, onde as pessoas podem ser quem elas são sem medo e julgamentos. O LOST IN LUST fala também da liberdade das pessoas queer na noite.
O disco foi lançado com 12 faixas em inglês e espanhol. O que cantar em outros idiomas possibilitou artisticamente?
Já gravei faixas em inglês e espanhol em outros momentos. O que mudou é que agora fiz um disco inteiro nesses idiomas, porque é um projeto com foco em levar meu trabalho para outros públicos, em outros países. É uma maneira de fazer minha música chegar a mais pessoas.
Há uma dimensão bastante internacional no projeto, tanto pelos idiomas quanto pelas colaborações. Como você pensa hoje a relação entre uma carreira cada vez mais global e suas raízes brasileiras?
O LOST IN LUST é um passo importante da minha carreira, com foco no mercado internacional, mas sou muito grata e realizada com todas as coisas que já conquistei nesses dez anos de carreira. Já fiz quatro turnês internacionais, cantei com artistas que amo e me apresentei em grandes festivais internacionais! Este ano, pela primeira vez, fui ao VMA, e foi algo incrível! Também realizei a primeira turnê internacional do Club Vittar. O lançamento do álbum é mais um passo desse trabalho que vem sendo construído ao longo dos últimos anos.

“ROCKSTAR” traz Villano Antillano, “BODY TYPE” tem Urias, “POLIZIA” conta com Mahmood e “BIG BANG” com La Cruz. Como essas parcerias foram escolhidas e o que cada artista acrescentou ao universo do álbum?
São artistas que amo! As parcerias do novo álbum nasceram de maneira muito natural. Trouxe para o projeto pessoas que admiro e cujo trabalho acompanho. Villano Antillano, Urias, Mahmood e La Cruz são artistas muito talentosos, e fiquei muito feliz de contar com a participação deles. Cada um enriqueceu muito o LOST IN LUST.
A Villano veio para São Paulo gravar comigo, o La Cruz participou do camping do álbum e o Mahmood é um cantor italiano de origem egípcia, com uma voz linda! A Urias é uma amiga muito querida e está comigo desde o início da carreira. Eu estava devendo aos meus fãs um novo feat com ela. É algo que eles sempre pediam, e fiquei muito feliz que deu certo fazer essa nova parceria em um álbum tão especial e importante para mim.
O álbum reúne muitos produtores e compositores diferentes. Como foi construir uma identidade coesa para o projeto diante de tantas sonoridades e processos criativos?
Reuni produtores e compositores da cena LGBTQIAPN+ muito talentosos para esse projeto! Todos participaram do processo criativo do álbum, que foi desenvolvido a partir da mensagem principal e do conceito que criamos para o LOST IN LUST. É um álbum eletrônico, mas tem muito do pop dos anos 2010, além de trance, electro trash e electro pop. É um trabalho eletrônico, mas sem perder a essência brasileira.

Que lugar você gostaria que “LOST IN LUST” ocupasse na sua trajetória?
Defino esse álbum como frenético, diferente e experimental! Quero que ele ocupe na minha trajetória o espaço da experimentação, da novidade e da liberdade criativa. É um projeto que me permite explorar novas sonoridades. É uma fase de novas descobertas, mas sem deixar de lado a minha essência.
Para quem vai ouvir o álbum pela primeira vez, você gostaria que essa pessoa dançasse, se apaixonasse, se perdesse ou se reconhecesse nele?
Acredito que, quando você ouve o álbum pela primeira vez, ele desperta o desejo de resgatar sua essência e não se perder nesse mundo de luxúria. Quero que as pessoas sejam felizes ao ouvir as músicas! Tem música para se apaixonar, para dançar e para refletir. É um álbum bem diverso.
Agora estou trabalhando no curta-metragem do álbum. É a primeira vez que faço um filme para um disco e me senti muito desafiada, porque é algo diferente de tudo o que já fiz. Foram seis dias de gravação, e estou muito feliz com o resultado desse trabalho. Estou ansiosa para dividir esse momento com o público!
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