SEM 18 QUILATES
De volta ao papel da rainha inglesa Cate Blanchet e seu figurino faustoso são a única razão para o ouro de Elisabeth
Por Júlio Probo

No filme Elizabeth – A Era de Ouro a monarca inglesa Elizabeth I (vivida novamente por Cate Blanchet), em pleno séc. 16 vivencia o conflito existencial da mulher moderna em sua busca por tornar compatíveis a carreira bem-sucedida e a vida amorosa em combustão. A alcunha de “Rainha Virgem” que deixou para a posteridade, capitulou, já que a “carreira” de Vossa Majestade inclui proteger sua Inglaterra protestante contra a ameaça católica em expansão.

Sob o comando do rei da Espanha Felipe II (interpretado por Jordi Molla), uma guerra santa pra difundir o catolicismo se inicia envolvendo Vaticano, a Inquisição e membros da própria família real inglesa. O plano era matar Elizabeth, rainha protestante, para que sua prima católica Mary Stuart (Samantha Morton), rainha escocesa, assumisse o trono.

Mesmo na iminência de uma guerra sangrenta, a solitária Elizabeth sucumbe aos galanteios do aventureiro Walter Raleigh (Clive Owen). Por um momento ela deixa transparecer, sob o pesado e luxuoso figurino de rainha, a mulher comum na sua frágil vulnerabilidade de apaixonada. Mas a inconveniente fertilidade de sua dileta criada Bess (Abbie Cornish) traz contornos de trágica realidade ao idílio Real.

Embora o senso de realidade não ocupe exatamente o topo na lista de prioridades dessa produção Reino Unido/França/Alemanha, a opção do diretor indiano Shekhar Kapur em adicionar fortes pitadas de ficção aos fatos históricos termina por condimentar excessivamente sua receita. Do seu “background bollywoodiano” mantém intacto o gosto por belos planos e o figurino impecável. Cate Blanchet troca de roupas e acessórios a cada aparição evidenciando o esmero da figurinista Alexandra Byrne na sua tentativa de conquistar o Oscar da categoria.

Na trilha composta por Craig Armstrong e A.R.Rahmn há uma determinação pleonástica em embalar as cenas do filme numa música grandiloqüente disposta a acentuar a atmosfera de épico. Recurso tão desnecessário quanto melodramático. Em contrapartida, foi negligenciada toda a dramaticidade contida no difícil caminho daquela rainha protestante rumo à resistência e conseqüente triunfo sobre seus numerosos inimigos católicos. A batalha final tem resultado pífio.

elizabeth-a-era-de-ouro-cartaz.jpgElizabeth – A Era de Ouro mantém os atores Cate Blanchet e Geoffrey Rush (conselheiro Francis Walsingham) mais o diretor Shekhar Kapur do filme Elizabeth realizado em 1998. Embora haja uma década entre as duas produções (duas partes de uma possível trilogia sobre a vida da rainha) o salto histórico na tela é de quase 20 anos. Cate Blanchet consegue a proeza de repetir a sua indicação ao Oscar de melhor atriz pelo mesmo papel que a consagrou no passado. Mas o fato de concorrer simultaneamente ao Oscar de atriz coadjuvante pelo papel de Bob Dylan no filme Não Estou Lá a torna favorita nesta última categoria.

Seja como for, a atuação madura e visceral dessa brilhante atriz australiana é a única razão compreensível para o OURO no título do filme.

ELIZABETH -A ERA DE OURO
Shekhar Kapur
(Elizabeth: The Golden Age, Ingleterra, 2007)

NOTA : 5,0

OSCAR 2008

Melhor atriz
Melhor Figurino

 

 

 

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