Lana Del Rey traz ao mercado mais um novo disco, Honeymoon, seu quarto trabalho. A cantora mantém estética retrô com pinceladas pin up que vem construindo desde 2010 em um modo de produção prolífico em que nem temos tempo de sentir falta. Inicialmente pensado para ser uma reedição do seu trabalho anterior, Ultraviolence, a cantora resolveu juntar-se a Kieron Menzies e Rick Nowels para finalizar o projeto. Seu novo trabalho circunda a mesma atmosfera sombria e nostálgica aos seus precursores e deixa resquícios de déjà vu.

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Lana é um tipo de artista que pode ser considerada uma ilusão dimensionada do estereótipo do glamour decadente da década de 1950. Elizabeth Grant (nome real por trás da cantora/personagem) consegue transpor em suas canções a melancolia da era de ouro de Hollywood e o avesso do sonho americano. Mas até quando ela insistirá nessa temática e imagem?

Honeymoon é disco bem feito dentro do molde estético bastante definido de Lana. Entretanto, a repetição da fórmula, depois de três discos, torna-se algo enfadonho a esta altura. Sempre em busca do um amor bandido, muitas vezes envolvendo-se com drogas e crimes, a cantora reverbera essa idealização amorosa que já foi narrada em diversas músicas de seu repertório.

É certo que a musicalidade de Lana está intrinsecamente ligada à sonoridade cinematográfica. Muitas músicas parecem ser parte de uma trilha sonora, variando entre o suspense e o drama. Essa característica, de certa forma, aguça possibilidades mais introspectivas. Entretanto, sua utilização é recorrente, o que acaba abusando a audição.

Seguindo esse viés, a música de abertura e também tema, “Honeymoon”, encerra-se em lânguidos aforismos melosos, o que não é de todo mal, já que harmoniza com os arranjos orquestrais da introdução e que seguem como alicerce ao longo da canção. Com elementos mais radiofônicos, “High By The Beach” cativa com o refrão chiclete “All I wanna do is get high by the beach / Get high by the beach, get high”. De longe, é a mais animadinha dentre a seleta fúnebre de músicas do disco.

O que seria uma surpresa, a regravação da canção Don’t Let Me Be Misunderstood, de Nina Simone, encerra o disco de maneira insossa e aguada, talvez por falta de versatilidade musical à cantora para interpretar a faixa. Aliás, a monótona recorrência aos sussurros mais parece que, ora a cantora não tem um registro vocal mais potente, ora não está disposta a cantar. “Lord knows I tried” destaca-se pelo remorso e consciência pesada. É, com toda certeza, uma carta de despedida de uma alma sofredora, nada mais adequado para um conjunto de obra que preza pela depressão e a angústia de se viver.

Lana Del Rey chega a um ponto em que sua ainda curta discografia já soa cansada. Não se pode afirmar, obviamente, se a real pessoa por trás dessa personagem suportará o fardo depressivo que é sofrer por amor em um passado que não lhe pertence. Resta-nos esperar que Elizabeth desperte desse ataúde cinquentista e perceba que para se ter noção de vida, talvez seja necessário algumas gotas de realidade.

Divulgação.

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