O SOL DA MEIA NOITE
Taylor Hackford
[White Nights, EUA, 1985]

Após realizar um pouco de emergência na Sibéria, renomado bailarino (Mikhail Baryshnikov), desertor do regime soviético e exilado nos EUA, é descoberto e preso por agentes da KGB. A pedido do governo da URSS, um americano negro (Gregory Hines) e exímio sapateador, o vigiará de perto. O que os une em tão inóspita região? O amor pela dança, que nos brinda com cenas belissimamente coreografadas.  Não haveria melhor roteiro para o bamba Baryshnikov brilhar também nas telas, onde sua co-estrela destrói (positivamente) com seu sapateado de gênio. A trilha é outro passo certeiro, com canções de Lionel Ritchie (a vencedora do Oscar “Say You, Say Me”) e Phil Collins (“Separate Lives”), que na edição especial do DVD (e Blu-Ray) ainda contam com um making of (que pena, sem legendas) e comentários do versátil diretor Hackford (o mesmo da biopic Ray, do suspense Advogado do Diabo e drama Eclipse Total). [Daniel Herculano]

NOTA: 8,0

BERNARD E DORIS: O MORDOMO E A MILIONÁRIA
Bob Balaban
[Bernard e Doris, EUA, 2006]

É um drama simples, que conta o relacionamento entre o dedicado mordomo Bernard Lafferty (Ralph Fiennes) e sua patroa, a milionária (e meia) Doris Duke (Susan Sarandon). Um relacionamento de entrega, mimos, muitas conversas e revelações. Eles formaram uma dupla que se completavam. Era quase um casal. Quase, pois não havia nada de romance ou sexo. Centrado em sua amizade verdadeira – do começo ao fim e polemizado pela sociedade e advogados – a história baseada em fatos reais (ou nem tanto, como avisam os letreiros) é um ótimo drama, valorizado a cada segundo pelas sensacionais atuações de Fiennes e Sarandon. Não se pode dizer quem está melhor, se o minimalista (e curioso) Bernard, ou a colorida e falastrona Doris. Já disponível em DVD, guardando uma curiosidade: foi produzido em 2006, mas lançado somente em 2009 pela HBO/Warner. Como resultado colheu as principais indicações no Globo de Ouro, melhor filme (para TV), atriz (Sarandon) e ator (Fiennes).[Daniel Herculano]

NOTA: 7,5

QUASE IRMÃO
Adam McKay
[Step Brothers, EUA, 2008]

Tão interessante quanto o próprio resultado da comédia, é perceber que sua consistência está exatamente no antagonismo de ter seus dois protagonistas como crianças de 40 anos, mas exatamente (e talvez por isso) ter um humor extremamente adulto de abordagem desbocada, hilariante e até emotiva. Will Ferrell e John C. Reilly são quarentões mimados – ainda moram com os pais – e têm suas vidas modificadas ao se tornarem meio-irmãos. Além da química, deixam explodir uma sinergia indecorosamente engraçada. Seus conflitos e associações vão sempre até o extremo das piadas, que se desdobram em situações até embaraçosas (positivamente). Seu excepcional elenco de apoio conta com a categoria (e até o charme) do casal Mary Steenburgen e de Richard Jenkins. Já disponível em DVD ou Blu-Ray, recheados de extras (incluindo uma versão sem cortes).[Daniel Herculano]

NOTA: 8,0

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