MÚSICA PARA VER
Longa mostra a influência que o visionário Leornard Chess teve na música dos anos 1950
Por Daniel Herculano

CADILLAC RECORDS
Darnell Martin
[Cadillac Records, EUA, 2008]

Quem conhece um pouquinho de música já deve ter ouvido falar em pelo menos em um desses nomes: Etta James (Beyoncé Knowles), Chuck Berry (Mos Def), Muddy Watters (Jeffrey Wright), Little Walter (Columbus Short) e Howlin´Wolf (Eamonn Walker). Todos talentosos músicos negros surgidos na década de 50 em Chicago, que só se tornaram célebres por causa de um homem chamado Leonard Chess (Adrien Brody). Willie Dixon (Cedric The Enterteiner) também foi importante, mas se não fosse esse branco visionário, despido de qualquer tipo de problemas com a cor alheia, ele fundou a Chess Records, gravadora e estúdio que descobria e lançava os talentos dessa geração.

História real (sem chororô) e até romance povoam o muito bacana Cadillac Records (Idem, 2008), escrito e dirigido por Darnell Martin. Mais uma vez o cinema desenterra uma história emocionante, daquelas que precisamos conhecer, assistir e, sobretudo ouvir. Como uma trilha arrasadora, acompanhamos o início de tudo. Do clube barra pesada do subúrbio aos Cadillacs. Sim, pois a Chess Records era conhecida como Cadillac Records, onde cada estrela da companhia recebia um emblemático Cadillac por suas apresentações, por suas músicas, pelo seu sucesso.

Seu elenco se esconde maravilhosamente bem dentro dos seus personagens. Comediante falastrão, Cedric dá a imponência merecida ao grande Willie Dixon. Eamonn Walker vai além da voz mansa e poderosa de Wolf. Mos Def entra em Cuck Berry, canta, dança, interpreta como se fosse o tal. Adrien Brody mais uma vez prova seu valor de grande ator, destilando emoção e carinho pelo personagem. Little Walter de Columbus Short tem a impaciência e o senso de urgência necessária para até antipatizarmos o personagem, mas vibrarmos à primeira gaitada. Até Beyoncé desaparece como estrela e transformasse (e dá formas) à diva Etta James. Mas o maior destaque é o carrancudo Muddy Waters de Jeffrey Wright. Assim como o talentoso músico, Wright brilha do início ao fim, seja em cenas dramáticas, nas musicais e ou até seduzindo.

Com uma direção de arte e cenários tinindo, figurinos corretos, e o clima perfeito, Cadillac Records passeia bem entre o drama, tem toques de romance e por parte da vida musical dos retratados, como uma música para ver. Só há um porém. Suas músicas deveriam ser legendadas, pois algumas delas falam muito do dia-a-dia e acontecimentos do belo longa.

Nos bons extras, cenas deletadas, especiais sobre o filme e sua histórica história musical e comentários da diretora do longa.

NOTA: 8,0

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