O Rec-Beat 2025 anunciou a escalação dos DJs que se apresentam na abertura e nos intervalos do evento. O festival este ano destaca a arte da discotecagem e a importância dos DJs como artistas essenciais na construção da atmosfera musical do evento. KAI, curador dessa escalação, publicou um manifesto reforçando a relevância desses profissionais para o mercado da música.
O festival ocorrerá de 1 a 4 de março, no Cais da Alfândega, no Bairro do Recife, com entrada gratuita.
Com foco na diversidade e na representatividade, o lineup das DJs de abertura e intervalos será inteiramente formado por mulheres. Entre as atrações confirmadas estão DJ Boneka, uma multiartista e pesquisadora de música preta, que apresentará um set com rap, trap e dancehall; DJ Gabnaja, um nome da cena underground, com uma proposta sonora que explora as dissidências do techno, guaracha, funk e hyperpop; DJ Vibra, que trará uma curadoria de afrobeat, funk e house com referências latinas, além de sua experiência como pesquisadora de música decolonial e produção musical para teatro e cinema; e Camila Paz, arquiteta e designer que combina influências negras com um repertório musical que transita entre funk, disco, house, jazz e samba.




A curadoria das DJs de abertura e intervalos foi realizada por Kai, DJ e pesquisador musical, conhecido por seu trabalho na valorização da profissão. Kai é também autor do manifesto DJ Pra Sempre, no qual destaca a importância da profissão do DJ e a sua valorização ao longo de todas as etapas da carreira. Em sua declaração, ele ressalta:
“A música, especialmente a música criada por DJs, é uma expressão emocional e técnica única que combina habilidades adquiridas ao longo do tempo com uma conexão genuína com o público. Ser DJ não é apenas sobre escolher faixas e misturá-las de maneira fluida – é uma arte que envolve criatividade, leitura da pista de dança, sensibilidade e, acima de tudo, uma paixão que transcende gerações”, afirma o DJ no manifesto. Leia na íntegra ao fim do post.
O Rec-Beat já anunciou algumas atrações deste ano. Estarão presentes a rapper baiana Duquesa, o trio fluminense Os Garotin, o projeto experimental paulista Maria Esmeralda e seis atrações internacionais: Yudith Rojas & Niccole Meza (Cuba/Venezuela), Enkelé (Colômbia), Catu Diosis (Uganda), Nídia (Portugal), Lander & Adriaan (Bélgica) e Pongo (Angola).
O Rec-Beat 2025 conta com o patrocínio da Fundação de Cultura Cidade do Recife, Secretaria de Cultura, Prefeitura do Recife e Livelo, e com o apoio de Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco, Consulado Geral da Alemanha no Recife, e Camões – Centro Cultural Português em Brasília. O evento é realizado pela Rec-Beat Produções, Leão Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal – Lei de Incentivo à Cultura.
Serviço:
Festival Rec-Beat 2025
Data: 1 a 4 de março, a partir das 19h
Local: Cais da Alfândega, Bairro do Recife
Entrada gratuita
A programação completa será divulgada em breve. Mais informações estão disponíveis nas redes sociais e no site oficial.
DJ PRA SEMPRE
Por Kai, pesquisador musical e DJ
A profissão de DJ, como qualquer outra forma de arte, merece ser valorizada em todas as suas etapas, seja na carreira de um jovem talento ou de um artista mais experiente. A música, especialmente a música criada por DJs, é uma expressão emocional e técnica única que combina habilidades adquiridas ao longo do tempo com uma conexão genuína com o público. Ser DJ não é apenas sobre escolher faixas e misturá-las de maneira fluida – é uma arte que envolve criatividade, leitura da pista de dança, sensibilidade e, acima de tudo, uma paixão que transcende gerações.
É inegável que a habilidade de discotecar evolui com o tempo. DJs mais experientes têm uma bagagem de conhecimento técnico e cultural adquirida ao longo de anos de prática, vivência e interação com diferentes públicos e estilos. Eles sabem o que funciona em diferentes contextos e sabem como criar atmosferas únicas que fazem a noite se tornar inesquecível. Porém, isso não significa que os jovens DJs não possam ser igualmente incríveis. A juventude traz consigo uma visão fresca e muitas vezes uma abordagem inovadora que pode dar origem a novas tendências e experimentações sonoras.
A arte de discotecar é multifacetada. Existe uma combinação de talento nato, técnica refinada e, acima de tudo, um coração pulsante que guia a escolha das músicas e a forma como elas são apresentadas. Alguns DJs, mesmo sendo novos no cenário, já demonstram uma habilidade impressionante de cativar a audiência, conectando-se com ela de maneira intensa. A paixão de um DJ jovem pode ser tão intensa quanto a de um veterano, e muitas vezes essa energia é o que faz a diferença em uma apresentação.
Entretanto, a importância de respeitar e valorizar os DJs mais experientes também não pode ser negligenciada. Eles são pioneiros de uma arte que evolui constantemente, e sua contribuição para a cena musical e cultural é fundamental. O legado construído por esses artistas ao longo dos anos deve ser celebrado, não apenas pela sua técnica impecável, mas também pela sua capacidade de abrir portas para os novos talentos, seja através da colaboração ou da inspiração.
Ao mesmo tempo, não podemos cair na armadilha de comparar ou diminuir os artistas mais jovens em favor dos mais antigos. Cada DJ, independentemente da sua experiência, traz algo único ao palco. A troca entre gerações, a colaboração, e o respeito mútuo entre os DJs mais novos e os mais experientes são fundamentais para a continuidade e a evolução dessa arte. O desenvolvimento de um DJ, assim como o de qualquer artista, não se limita ao tempo ou à idade; é um processo contínuo de aprendizagem, troca e crescimento.
Por isso, é crucial que, como comunidade e público, valorizemos todos os DJs, independentemente de sua experiência ou idade. A arte de discotecar é uma jornada única para cada um, e reconhecer o talento e a dedicação de ambos os novos e os veteranos enriquece ainda mais a cena musical como um todo. Afinal, a música é atemporal e, no final das contas, todos nós estamos conectados por ela.