Exposição e filme questionam caráter épico atribuído ao movimento que explodiu nas ruas de Paris

Para quem tem interesse num dos episódios marcantes do século 20 – o maio de 1968 na França – ainda dá tempo de ir conferir a exposição fotográfica No Coração de Maio de 68, em cartaz no Instituto Ricardo Brennand até o próximo dia 22 de julho. Nela, vamos encontrar 43 fotografias inéditas feitas durante os eventos do maio 1968, em Paris, pelo fotógrafo Philippe Gras. Elas foram encontradas nos arquivos de Gras após sua morte em 2007 e trazem um olhar diferente sobre os acontecimentos pela forma como Gras os registrou.

Os flagrantes revelam empatia pelo movimento, mas ao mesmo tempo fogem de um retrato épico do Maio 68. Se por um lado, Gras fotografou o filósofo Jean-Paul Sartre falando aos manifestantes no grande anfiteatro da Sorbonne ou o co-fundador do Living Theatre Julian Beck no meio da multidão do teatro Odeon, ele também registrou momentos anticlímax como um militante cansado dormindo sobre o capô de um carro, ou cartazes publicitários grafitados por anônimos nas estações de metrô.

Outro atrativo da exposição é uma série de dois filmes documentários intitulada Maio 1968, Uma Estranha Primavera, do historiador e cineasta Dominique Beaux. É uma obra que mais uma vez coloca em revisão os acontecimentos a partir de depoimentos de quem viveu os dias do conflito como objeto das contestações. Beaux ouviu políticos, sindicalistas, empresários, comunistas revolucionários, policiais de modo a abordar diferentes pontos de vista reformulando as opiniões tanto dos personagens quanto do público.

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