Era uma sexta-feira, final de tarde, quando recebi um e-mail indicando que um leitor havia deixado um recado na coluna. O ‘textículo’ era o seguinte:

Oi, Rainha. O Mauricio de Sousa leu seu texto sobre ele e ficou muitíssimo feliz. Por isso, pediu que eu entrasse em contato contigo. Pode me mandar um e-mail para conversarmos a respeito?

Grato
Sidney Gusman”

Oi? Alguém aí sabe quem é o profissional em questão? Sabe não, ignorante? Então nunca leu quadrinhos de verdade. Confira aqui.

Não fosse o e-mail corporativo com o endereço ‘turmadamonica.com.br’ (lógico, não vou deixar o endereço dele aqui, né?) eu sequer acreditaria no que estava lendo. Ele havia deixado um recado por um texto precedente publicado aqui mesmo, na Revista O Grito! sobre o meu processo de alfabetização: feito em casa com minha mãe e com as revistinhas da Turma da Mônica.

Respondi. Num misto de estupefação e euforia, alegria e curiosidade. Seguem trechos da réplica do e-mail: os ‘XXXX’ são as partes referentes à minha privacidade, certo?

Caro Sidney,

Em primeiro lugar, deixa eu me apresentar: meu nome é XXXX, sou jornalista e que, na Revista O Grito usa a alcunha de Rainha do Maracatu Roubada de Ouro (coisa de piadinhas internas). Atuo com comunicação estratégica na XXXX, empresa sediada em Recife, mas com atuação nacional.

Te confesso que o seu e-mail me pegou de sopetão, de surpresa mesmo, quase caí da cadeira de susto. Deixa ver se eu me explico melhor:

Lá pelos idos de 2002 eu cheguei a fazer uma cartinha pro Maurício de Sousa e enviei pro e-mail institucional da empresa. Nunca tinha obtido qualquer resposta e acredito até que ele tenha recebido milhares de correspondências desta natureza: de pessoas que foram alfabetizadas através de suas obras. Quando eu recebi este presente da minha cunhada, meu coração não cabia no peito de tanta alegria. Era como se aquilo fosse uma mágica que tivesse se concretizado e, de alguma forma, alcançado uma menina de 32 anos do outro lado do mundo.

Por ser consciente do poder dos quadrinhos, sempre procurei utilizar este suporte na minha vida profissional (…) Minha monografia de pós-graduação em comunicação empresarial foi ‘A Comunicação Social como agente para a conscientização de problemáticas urbanas: O caso dos quadrinhos e XXX na Região Metropolitana do Recife’.

(…) por mais que eu me mexa, eu sempre me deparo com quadrinhos aqui e acolá. É gratificante.

Tudo isso pra dizer que Maurício de Sousa, como se vê, marcou muito a minha vida – pessoal e profissional. E o seu e-mail me deixou mais uma vez criança com a simples sentença “O Mauricio de Sousa leu seu texto sobre ele e ficou muitíssimo feliz”.

Ele é que me fez feliz. A vida toda. E ainda faz.

Então, aqui estou e cumpri direitinho a minha tarefa: respondi ao seu e-mail e abaixo seguem os meus contatos. Estou absolutamente à sua disposição para o que você desejar.

Abraços cordiais
XXX (Rainha do Maracatu Roubada de Ouro)

Pronto. Findo o mistério, esperei a resposta do Sidney. Ele não me escreveu. Me ligou!

Isso mesmo. Pra dizer que, naquela sexta-feira (dia 19 de setembro), TODOS os funcionários da Maurício de Sousa haviam recebido cópia deste texto publicado na Revista O Grito.

Preciso dizer que eu chorei? Que fiquei boba? Que coisas bisonhas como essa acontecem de verdade? Assim e por acaso; do meio do nada, graças à revolucionária e encantadora Internet?

Juro que se estivesse num botequim e te conhecesse agora na mesa em meio a uma cervejada com mortadela você me dispararia na cara, em alto e bom tom a sentença: ‘Que mentira da gota serena!!!’

Então tá. Maurício de Sousa me leu. E – por cinco minutos que sejam – eu consegui deixar ele feliz.

PS.: Além do Maurício de Sousa, é preciso que se registre que o Papel Pop e o Blog do Antônio Carlos Miguel Editor-assistente do Segundo Caderno, de O Globo) citaram a revista O Grito essa semana. Ou seja: toda a equipe está muito feliz.

— —
[+] A Rainha do Maracatu Roubada de Ouro é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.

Sem mais artigos