São Luiz, a grande estrela (Foto: Tiago Calazans)

O Janela Internacional de Cinema do Recife terminou neste domingo sua 5ª edição e anunciou os curtas-metragens vencedores das mostras competitivas internacional e nacional. Sobre o Abismo, de André Brasil (Minas Gerais), que teve premiere mundial no Janela, foi o vencedor de melhor filme da mostra nacional e Rodri, de Franco Lolli (França) é o grande vencedor da competitiva internacional. Segundo os organizadores, foram 12 mil espectadores este ano, em sessões concorridas no Cine São Luiz, no Centro do Recife e no Cinema da Fundação, no Derby, também no Centro.

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O destaque deste ano não foi um filme específico, mas sim o cinema São Luiz, que completou 60 anos. O festiva fez uma homenagem a uma das salas mais famosas do Estado com títulos clássicos como Tubarão, Veludo Azul, Psicose e Taxi Driver. Pelo segundo ano consecutivo, foi especialmente equipado com um projetor Christie de 30 000 Ansilumens (o projetor padrão usado no Festival de Cannes) e sistema de som digital Dolby.

Cena de “Rodri”, um dos filmes vencedores este ano (Divulgação)

“Uma coisa que não economizamos é nos equipamentos, pois um festival de cinema precisa deixar os realizadores que exibem seus filmes e o público que vai assistir de queixo caído. Sem esses dois, nós não temos um festival, e os filmes merecem todo o respeito. Além disso, com equipamentos excelentes, tudo funciona”, disse o produtor e diretor artístico do festival, Kleber Mendonça Filho, em nota. “A mostra de clássicos ilustra nosso amor pelo passado do cinema, que funde-se perfeitamente com o São Luiz como espaço afetivo para o festival e para a cidade. Apresentamos novos filmes e autores, fazemos parcerias com importantes festivais pelo mundo e não esquecemos os filmes que ajudaram a dar sentido ao próprio cinema ao longo das décadas. E o São Luiz se encaixa perfeitamente nessa idéia, um cinema onde os filmes e a tela se complementam”, comenta Kleber.

Sobre O Abismo, de André Brasil (Divulgação)

Olhando a cidade
Como no ano anterior, em que abriu espaço para cineastas que pensaram as transformações pelas quais passava a cidade, o festival desta vez lançou um olhar sobre a memória afetiva do Recife. A imagem oficial mostra a avenida Agamenon Magalhães nos anos 1960. A fotografia é do fotógrafo e homenageado desta edição, Alcir Lacerda, morto este ano.

Uma das vinhetas feita pelo cineasta Leonardo Lacca homenageia Lacerda ao colocar a famosa imagem em perspectiva com a avenida hoje, altamente engarrafada e alvo de uma polêmica reforma que prevê quatro viadutos que destruirão seu projeto inicial, além de derrubar prédios antigos de seu entorno.

Veja outros prêmios desta edição

PRÊMIO DA FEPEC – Federação Pernambucana de Cineclubes
Formado por: Carlos Silva, Ludimilla Wanderley e Pietro Félix
Competição nacional: A onda traz, o vento leva, de Gabriel Mascaro (Pernambuco)
Competição internacional: Dag (Adeus), de Tamar Van den Dop (Holanda)

PRÊMIO DA ABD/PE – Associação Brasileira de Documentaristas
Formado por: Iomana Rocha, Germano Rabello e Felipe André.
Melhor curta internacional: The Mass of Men, de Gabriel Gauchet
Melhor curta nacional: Animador, de Cainan Baladez e Fernanda Chicolet.

PRÊMIO DA OFICINA JANELA CRÍTICA
Formado por: Bruno Alves Ferreira, Elilson Gomes do Nascimento, Luciano Viegas da Silveira, Mário Rolim, Maria Olivia Silva de Souza, Rodrigo Silva Pereira e Mariana Vieira Gregorio
Melhor curta brasileiro: Quem tem medo de Cris Negão? de René Guerra (São Paulo)
Melhor curta estrangeiro: The Mass of Men de Gabriel Gauchet (Reino Unido)

JURI INTERNACIONAL
Formado por: Moacir dos Anjos (pesquisador e coordenador de artes visuais da Fundação Joaquim Nabuco); o cineasta Marcelo Caetano, vencedor de Melhor Curta Brasileiro no Janela do ano passado; e a cineasta Renata Pinheiro.

Melhor Som: Rafa, de João Salaviza (Portugal)
Melhor Montagem: O Que Arde Cura, de João Rui Guerra da Mata (Portugal)
Melhor Imagem: Manhã de Santo Antônio, de João Pedro Rodrigues (Portugal)
Premio especial do júri: Les Cheveux Courts, Ronde (Cabelo Curto, Gordinha e Baixinha), Petite Taille, de Robin Harsch (Suíça)
Melhor filme: Rodri, de Franco Lolli (França)

JURI NACIONAL
Formado por: André Dib, jornalista, pesquisador e crítico de cinema; o cineasta Sérgio Borges; e o cineasta Marcelo Lordello
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI – O Duplo, de Juliana Rojas (São Paulo)
MELHOR SOM – A Onda Traz, O Vento Leva, de Gabriel Mascaro (Pernambuco)
MONTAGEM – Sobre o Abismo, de André Brasil (Minas Gerais)
MELHOR IMAGEM – Porcos Raivosos, de Isabel Penoni e Leonardo Sette (Pernambuco)
MELHOR FILME – Sobre o Abismo, de André Brasil (Minas Gerais)

 

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