O chinês Kaili Blues, de Ban Gi. (Divulgação).

O chinês Kaili Blues, de Ban Gi. (Divulgação).

O festival Janela Internacional de Cinema divulgou a programação completa da edição deste ano. Serão 118 filmes de 21 países que incluem clássicos e novidades da produção audiovisual do mundo inteiro. Na mostra competitiva o Janela traz Boi Neon, novo longa de Gabriel Mascaro vencedor do prêmio Horizontes do Festival de Veneza.

As sessões acontecem de 6 a 15 de novembro nos três cinemas de rua da cidade, São Luiz, Cinema da Fundação do Derby e no Cinema do Museu, em Casa Forte, além do Portomídia.

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Junto à grade competitiva de longas e curtas, a programação do 8º Janela terá outros três destaques de peso. Uma delas é a mostra “Gothic: the dark heart of film” (“Gótico: o coração sombrio do cinema”), uma seleção do gênero British Gothic (Gótico Britânico), em parceria inédita com o British Film Institute (BFI) e com apoio do British Council. As outras novidades são o programa “Cinema de Rua”, uma seleção de curtas temáticos sobre os cinemas de rua e aqueles feitos na rua; e a mostra “Ocupe Estelita: Filmes de Ação”, com um apanhado de produções pernambucanas, nos últimos cinco anos, que usam o cinema como ferramenta de reação política.

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Entre os longas, dez títulos de nove países formam a mostra competitiva: A Academia das Musas (L’Accademia delle Muse, Espanha), de José Luís Guerín; Aspirantes (Brasil), de Ives Rosenfeld (melhor direção, ator e atriz coadjuvante no Festival do Rio 2015); Boi Neon (Brasil/Uruguai/Holanda), do pernambucano Gabriel Mascaro (prêmio especial do júri na mostra Orizzonti do 42º Festival de Veneza e vencedor do Festival do Rio em quatro categorias, incluindo melhor filme de ficção); Dead Slow Ahead (Espanha/França), de Mauro Herce (prêmio especial do júri na mostra Cineastas do Presente do Festival de Locarno 2015); Futuro Junho (Brasil/Holanda), de Maria Augusta Ramos (melhor direção de documentário no Festival do Rio 2015); Kaili Blues (China), de Gan Bi (prêmio de diretor emergente no Festival de Locarno 2015); Mate-me por favor (Brasil/Argentina), de Anita Rocha da Silveira (prêmio especial Bisato d’Oro na mostra Orizzonti do 42º Festival de Veneza e melhor direção de ficção e atriz no Festival do Rio 2015); O Movimento (El Movimiento, Argentina/Coréia do Sul), de Benjamin Naishtat (prêmio especial do júri no Festival de Valdívia 2015); O Tesouro (Comoara, Romênia), de Corneliu Porumboiu (prêmio Um Certo Talento da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes 2015) e Tropykaos (Brasil), de Daniel Lisboa.

Janela exibe o novo de Apichatpong Weerasethakul. (Divulgação).

Janela exibe o novo de Apichatpong Weerasethakul. (Divulgação).

As sessões especiais

As sessões especiais de longas e curtas também compõem a programação do Janela e trazem aos cinemas do Recife, pela primeira vez, filmes aguardados, homenagens e apostas. Vinte e dois títulos foram selecionados, entre eles As Mil e Uma Noites (Portugal), novo filme do realizador Miguel Gomes (do aclamado Tabu), dividido em três volumes com exibição programada no festival; Visita ou Memórias e Confissões, de Manoel de Oliveira, autobiografia de 1982 que ganha sessão em homenagem ao mestre do cinema falecido em abril deste ano. Era o seu desejo que esse filme só fosse visto após sua morte. A relação tem ainda Minha mãe (Mia madre, Itália), de Nanni Moretti; Mistress America (EUA), de Noah Baumbach (diretor de Frances Ha); O Evento (The Event, Holanda/Bélgica), de Sergei Loznitsa; Cemitério do Esplendor (Rak Ti Khon Kaen,Tailândia/Reino Unido/Alemanha/Malásia/França), de Apichatpong Weerasethakul, e Lugar Certo, História Errada (Right Now, Wrong Then, Coreia do Sul), de Hong Sang-Soo, vencedor do Leopardo de Ouro no Festival de Locarno 2015.

A seleção de longas brasileiros em sessão especial traz filmes premiados e já com sólida carreira em festivais, como Mais do que Eu Possa Me Reconhecer (RJ), de Allan Ribeiro; A paixão de JL (SP), de Carlos Nader; Para Minha Amada Morta (PR), de Aly Muritiba; e Seca (RJ), de Maria Augusta Ramos; e também uma reunião de apostas que inclui A Seita (PE), de André Antônio; Ralé (RJ), de Helena Ignez; O Espelho (RJ), de Rodrigo Lima; Santa Mônica (PE), de Felipe André Silva; Ramo (PE), de Hugo Coutinho, João Lucas, Pedro Andrade e Rafael Amorim; e Todas as Cores da Noite (PE), de Pedro Severien.

As Fábulas Negras. (Divulgação).

As Fábulas Negras. (Divulgação).

Os góticos

Este ano o Janela irá projetar, em parceria com o Conselho Britânico e o British Film Institute (BFI), prestigiada instituição de preservação da história do cinema e da cinefilia sediada em Londres (Reino Unido), e com o apoio do British Council, uma seleção de filmes de gênero britânicos, em cópias restauradas. A mostra “Gothic: The Dark Heart of Film” (“Gótico: o coração sombrio do cinema”) traz uma seleção com títulos como A Companhia dos Lobos (The Company of Wolves, 1984), de Neil Jordan, e A Múmia (The Mummy, 1959) de Terence Fisher, A Inocente Face do Terror (The Innocents, 1960, de Jack Clayton. As versões serão exibidas nos formatos 35mm e DCP.

Filas: parte do cenário do Janela (Divulgação).

Filas: parte do cenário do Janela (Divulgação).

As vendas online (enfim!)

Uma das novidades mais interessantes deste ano é que o festival passará a ter comercialização virtual de ingressos antecipada para as sessões de longas-metragens no Cine São Luiz. Ou seja: talvez seja o fim das extensas filas frente ao histórico cinema de rua do Recife, o que acabou se tornando parte do folclore do festival. Os bilhetes online poderão ser adquiridos na plataforma Eventick, para os dias 2 e 3 de novembro. Acrescido ao valor do ingresso (R$ 4 e R$ 2, meia, nas sessões de longas da mostra competitiva e dos clássicos), será cobrada a taxa de R$ 1 na venda virtual. No ato da compra, o sistema gera um bilhete que pode ser validado na entrada do Cine São Luiz, sem a necessidade de troca do voucher, somente a apresentação de um documento de identificação com foto. Paralelo a isso, a venda física antecipada no São Luiz se mantém nos dias 4 e 5 de novembro. Para atender o público nessa segunda opção e, posteriormente durante o festival, operando exclusivamente com tíquetes impressos, o Cine São Luiz contará, a partir deste ano, com sistema de bilhetagem eletrônica.

Juliano Cazarré em cena de Boi Neon. (Foto: Divulgação.)

Juliano Cazarré em cena de Boi Neon. (Foto: Divulgação.)

A abertura

A sessão de abertura do Janela, dia 6 no Cinema São Luiz, traz um esperado filme pernambucano: o longa Boi Neon, de Gabriel Mascaro, que estreou no último Festival de Veneza e vem angariando prêmios por onde passa. Somente este mês, o filme ganhou o Prêmio da Crítica do Festival de Cinema de Hamburgo, na Alemanha, e o de melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Adelaide (Austrália). Mês passado, já havia recebido a Menção Honrosa do Toronto International Film Festival (TIFF).

E junto com a sessão de abertura do filme de Mascaro, às 22h, o festival exibe o curta Faz que Vai, projeto da brasiliense Bárbara Wagner e do alemão Benjamin de Burca, artistas visuais que, inspirados na relação entre corpo, câmera e movimento, investigam o frevo e a estética do videoclipe. Mais cedo, às 17h, o Janela programou sessões de pré-abertura: Não É um Filme Caseiro (No Home Movie, Bélgica/França), último filme de Chantal Akerman, falecida em outubro, dois meses após sua primeira exibição, no Festival de Locarno, onde a curadoria do Janela viu o filme.

Logo após, às 19h, ocorre a sessão de abertura do programa “Gothic Films”, com A Inocente Face do Terror, de Jack Clayton, eleito por Martin Scorsese um dos melhores filmes de terror de todos os tempos.

Como Era Gostoso Meu Cafuçu. (Divulgação).

Como Era Gostoso Meu Cafuçu. (Divulgação).

Veja a lista completa de filmes.

COMPETIÇAO DE LONGAS (10):

O Tesouro, Corneliu Porumboiu – ROM, 89’
Dead Slow Ahead, Mauro Herce – ESP/FR, 74‘
Kaili Blues, Bi Gan – CHINA, 110’
O Movimento, Benjamín Naishtat – ARG/COR, 67’
A Academia das Musas, José Luis Guerín – ESP, 92’
Boi Neon, Gabriel Mascaro – BR, 101’
Mate-me por favor, Anita Rocha da Silveira – BR, 105’
Futuro Junho, Maria Augusta Ramos – BR, 100’
Aspirantes, Ives Rosenfeld – BR, 71’
Tropykaos, Daniel Lisboa – BR, 82’

SESSOES ESPECIAIS (25):

A Seita, André Antônio, 2015, 70’
As Mil e Uma Noites Volume 1, O Inquieto, Miguel Gomes
As Mil e Uma Noites Volume 2, O Desolado, Miguel Gomes
As Mil e Uma Noites Volume 3, O Encantado Miguel Gomes
Visita ou memórias e confissões, Manoel de Oliveira
Cemitério do Esplendor, Apichatpong Weerasethakul
Mia Madre, Nanni Moretti
Right Now, Wrong Then, Hong Sang-So
No Home Movie, Chantal Akerman
A paixão de JL, Carlos Nader
Ralé, de Helena Ignez
Mais do que eu possa me reconhecer, Allan Ribeiro
Mistress América, Noah Baumbach
Todas as Cores da Noite, Pedro Severien
The Event, Sergei Loznitsa
Santa Monica, Felipe André Silva
Seca, Maria Agusta Ramos
Ramo, de Hugo Coutinho, João Lucas, Pedro Andrade e Rafael Amorim
O Espelho, de Rodrigo Lima
Para Minha Amada Morta, Aly Muritiba

Curtas:
Como era Gostoso meu Cafuçu, de Rodrigo Almeida, 15’
Virgindade, de Chico Lacerda, 16’
Soledad, de Flavia Vilela, Daniel Bandeira e Joana Gatis, 22’
Faz que Vai, de Bárbara Wagner e Benjamin de Búrca, 12’
Catimbau, de Lucas Caminha

CLASSICOS: Cinema de Rua (12)

BRIEF ENCOUNTER, David Lean, 1945, 86’, Inglaterra
THE BIG LEBOWSKI, Joel Coen, 1998, 117’, EUA
JACKIE BROWN, Quentin Tarantino, 1997, 154’, EUA
WEST SIDE STORY
THE WARRIORS
LITTLE SHOP OF HORRORS, Frank Oz, 1986, 84’, EUA (Director’s Cut)
AN AMERICAN WEREWOLF IN LONDON, John Landis, 1981, Inglaterra/EUA
CRÍA CUERVOS, Carlos Saura, 1976, 110’, Espanha – DCP
NORTH BY NORTHWEST, Alfred Hitchcock, 1959, 136’, EUA
CITY LIGHTS, Charlie Chaplin, 1931, 87’, EUA

Sessão Especial 1 : FANTASIA, Norm Ferguson, 1940, 125’, EUA
Sessão Especial 2 : Amigos de Risco, Daniel Bandeira

GOTHIC: THE DARK HEART OF FILM (BFI Programme) (7):

The Wicker Man, Robin Hardy, 1973, 88’, DCP
The Innocents, Jack Clayton, 1961, 100’, DCP
Witchfinder General, Michael Reeves, 1968, 86’, DCP
Night of the Demon, 1957, 95’, DCP
The Company of Wolves, Neil Jordan, 1984, 95’, DCP
Don’t look now, Nicolas Roeg, 1973, 110’, DCP
THE MUMMY, Terence Fisher, 1959, 88’, 35mm

Ocupe Estelita – Filmes de Ação (6)

[projetotorresgemeas] – 19’
Velho Recife Novo – 16’
Fight The Power! – 1min20
Recife, Cidade Roubada – 13’
A Copa do Mundo no Recife – 15’
Novo Apocalipse Recife – 6’

Competiçao Internacional de Curtas (42):

A Glória de Fazer Cinema em Portugal/The Glory of Filmmaking in Portugal (Portugal), de Manoel Mozos
A Field Guide to the Ferns (Inglaterra), de Basma Alsharif
Caravan (Austrália), de Keiran Watson-Bonnice
(Portugal), de Rodrigo Areias
Coro dos Amantes/Chorus (Portugal), de Tiago Guedes
Estratos de la Imagen/Strata of the Image (Espanha), de Lois Patiño
Fora da Vida/On the Side (Portugal), de Filipa Reis e João Miller Guerra
Fuligem/Soot (Portugal), de David Doutel e Vasco Sá
Iec Long (Portugal), de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata
I’m in Pittsburg and It’s Raining (EUA), de Jesse McLean
La Fin du Dragon/The Dragon’s Demise (França), de Marina Diaby
La Impresión de una Guerra/Impression of a War (Colômbia), de Camilo Restrepo
Livreur/Delivery (Bélgica), de Vladilen Vierny
Par ce Chemin Descendent les Ombres/Shadows (França), de Didier d’Abreu
Riot (EUA), de Nathan Silver
The Old Jewish Cemetery (Holanda), de Sergei Loznitsa
The Shadow of Your Smile (Rússia), de Alexei Dmitriev
The Vast Landscape (Croácia), de Lea Vidakovic
Under the Heat Lamp an Opening (EUA), de Zachary Epcar
Wayward Fronds (EUA), de Fern Silva
Why? (Israel), de Nadav Lapid

Competição Nacional de Curtas:

A Clave dos Pregões (Pernambuco), de Pablo Nóbrega
A Festa e os Cães (Ceará), de Leonardo Mouramateus
A Invenção da Noite (Paraná), de Tomás von der Osten
A Outra Margem (Mato Grosso do Sul), de Nathália Tereza
Biquini Paraíso (Ceará), de Samuel Brasileiro
Cidade Nova (Ceará/Distrito Federal), de Diego Hoefel
Command Action (São Paulo), de João Paulo Miranda
De Terça pra Quarta (Ceará), de Victor Costa Lopes
E (São Paulo), de Alexandre Wahrhaftig, Helena Ungaretti e Miguel Antunes Ramos
Estudo de Persistência (Paraná), de Krefer
História de Abraim (São Paulo), de Otavio Cury
Imóvel (Rio de Janeiro), de Isaac Pipano
Lembranças de Mayo (Minas Gerais), de Flávio C. von Sperling
Macapá (Maranhão), de Marcos Ponts
MoBios (São Paulo), de Carlos Eduardo Nogueira
No Dia em que Lembrei da Viagem a Bicuda (Rio de Janeiro), de Vitor Medeiros
Outono Celeste (Rio Grande do Sul), de Iuri Minfroy
Outubro Acabou (Rio de Janeiro/Portugal), de Miguel Seabra Lopes e Karen Akerman
Quintal (Minas Gerais), de André Novais Oliveira
Rapsódia para o Homem Negro (Minas Gerais), de Gabriel Martins
Retrato de Carmen D. (Rio de Janeiro), de Isabel Joffily
Submarino (São Paulo), de Rafael Aidar
Superquadra-Sací (Pernambuco), de Cristiano Lenhardt

Programa Cine Rua

Curtas 1: MEMORIAS DO CINE ARGUS (2014), de Edivaldo Moura 20′, O QUE SE MEMORA (2014), de Caio Dornelas 10′, CENSURA LIVRE (1980), de Ivan Cordeiro 28′
Curtas 2: O CONTADOR DE FILMES (2010), de Elinaldo Rodrigues, 15′, CINEMA IMPÉRIO (2009), Hugo Coutinho, 26′, MARROCOS (2015), de Andréa Nero 8′, CASA DE IMAGEM (1992), Kleber Mendonça Filho, 13′
Longa 1: Un importante pre estreno, de Santiago Calori, 72’
Longa 2: JOÃO BÉNARD DA COSTA — OUTROS AMARÃO AS COISAS QUE EU AMEI de Manuel Mozos, 75’

Programa Toca o Terror

As Fábulas Negras, Rodrigo Aragão

Programa Juventudes

Mais Uma História de Amor Sem Título, Grenda Lisley, Ceará, 10’
Sunset/Sunrise, Júnior Cândido, Paraná, 21’
Takotsubo (Broken Heart Syndrome), Nicolas Thomé Zetune, São Paulo, 12’
Taba, Júlio Pereira, Matheus Beltrão e Nuno Aymar, Recife, 7’
A Pequena Bailarina de 14 Anos, Lucas Fratini, Rio de Janeiro, 25’

Cachaça Cinema Clube
Guerra Conjugal, Joaquim Pedro de Andrade, Brasil, 1975, 90’

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