Pórtico de Gramado este ano: boa produção latina. (Divulgação).

Pórtico de Gramado este ano: boa produção latina. (Divulgação).

Por Luiza Lusvarghi
De Gramado

O Festival de Cinema de Gramado chega à fase final de sua 43ª edição. Um dos mais tradicionais do país, sua trajetória de mais de quatro décadas reflete a história do nosso cinema e da cultura brasileira. O primeiro Kikito foi entregue em 1973, e desde então o Festival se reinventou – abrindo espaço para a mostra de filmes da América Latina Hispânica – e resistiu. A edição 2015 mantém o mesmo formato dos últimos anos com mostras competitivas de longas brasileiros e estrangeiros, curtas brasileiros e o Prêmio Assembleia Legislativa – Mostra Gaúcha de Curtas.

Apesar de baixas consideráveis, como o longa Que Horas Ela Vem?, da Anna Muylaert, premiado em Sundance, por conta do regulamento que não admite que o filme tenha estreado em território nacional ou tenha sido exibido em outro festival, as películas exibidas até agora vêm mantendo qualidade, o que também reflete o vigor e a diversidade da produção brasileira contemporânea.

A curadoria reúne a argentina Eva Piwowarski e os brasileiros Marcos Santuario e Rubens Ewald Filho, e as duas mostras competitivas apresentam 15 longas-metragens, sendo oito brasileiros e sete estrangeiros. Entre os curtas brasileiros, 15 títulos disputam o Kikito. Para o Prêmio Assembleia Legislativa – Mostra Gaúcha de Curtas, 14 curtas foram selecionados.

O longa "Presos" foi um dos destaques este ano. (Divulgação).

O longa “Presos” foi um dos destaques este ano. (Divulgação).

A grande noite de premiação acontece no dia 15 agosto. Um dos brasileiros favoritos da crítica é o longa Ausência, do paulista Chico Teixeira. A mostra da América Latina Hispânica, entretanto, vem conquistando crítica e público com a qualidade de narrativa, da direção e da performance dos atores, ainda que com muitos problemas técnicos.

O equatoriano Ochentaisiete, de Anahi Hoeneisen e Daniel Andrade, sobre amizade, sonhos e política nos anos 1980, Presos, de Esteban Ramírez Jímenez (Costa Rica), romance realista enfocando um presidiário e uma secretária, e a comédia dramática cubana Venecia, de Kiki Alvarez, mostrando as contradições da Havana de hoje através da noitada regada a sexo e drogas de três amigas, revelam a exuberância da produção de cinema e audiovisual da região.

Outra boa surpresa são os curtas nacionais. O hilário paulista Quando Parei de Me Preocupar Com Canalhas, de Tiago Vieira (SP/GO), baseado em HQ de Caco Galhardo, e produzido pelo sistema de crowdfunding, e o experimental e enigmático gaúcho O Corpo, de Lucas Cassales. A comissão de curtas brasileiros é formada por Andrea Gloria, produtora; Leonardo Garcia, roteirista; Marcos Petrucelli, jornalista e crítico; Rodrigo Grota, diretor; e Sandra Dani, atriz.

O Kikito de Cristal, a honraria de Gramado aos expoentes do cinema latino-americano, reconhece, este ano, a importância da figura do diretor, roteirista, ator e produtor argentino Fernando “Pino” Solanas, hoje também senador da república de seu país.

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