PASSIONAL
Documentário sobre apaixonada torcida do Corinthians já lucrou mais que outro famoso filme sobre futebol, Pelé Eterno
Por André Azenha, de São Paulo

FIEL – O FILME
Andrea Pasquini
[Fiel – O Filme, BRA, 2009]

No início da projeção o expectador é informado: “Um filme oficial do Sport Club Corinthians Paulista”, o que já define o seu público alvo. Dirigido e escrito por corintianos fanáticos, Fiel – O Filme é extremamente eficaz perante sua finalidade: emocionar o corintiano.

No primeiro final de semana em cartaz no país, o longa arrecadou mais que outro documentário sobre futebol, Pelé Eterno.  Esse fator ganha maior projeção devido ao fato da obra cinematográfica não ser um veículo para o apreciador do futebol em âmbito geral, como acontecia com o antigo Canal 100, mas um registro primoroso da relação religiosa e intensa de pessoas de todas as classes sociais para uma agremiação fundada por operários, num tempo em que o futebol era esporte de gente rica.

Em 2010, o Sport Club Corinthians Paulista comemora o seu centenário, e Fiel foi a largada para uma série de documentários que irão mostrar eventos importantes da trajetória do clube – quem produziu foi a mesma empresa que realizou o DVD de um certo time do Morumbi.

Fiel – O Filme, cujo título define bem o perfil do torcedor corinthiano, não tem a intenção de recontar a história do Corinthians, e é focado num momento crucial para sua torcida: o período entre o rebaixamento do time para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, e o retorno no ano seguinte à Divisão principal do futebol nacional.

Porém, não deixa de citar marcos importantes destes cem anos de paixão, como o título do Campeonato Paulista de 1977, que foi a quebra do jejum de 22 anos sem conquistas no Paulistão; o primeiro título Brasileiro, em 1990, e a vitória no Mundial de Clubes da Fifa, dez anos depois. E ainda são lembradas as duas “invasões” corintianas ao Maracanã, no Rio de janeiro. A primeira contra o Fluminense, pela semifinal do Brasileirão de 1976, quando entre 80 mil “fiéis” dividiram a arquibancada com a torcida local; e a final do Mundial em 2000, contra o Vasco, jogo que recebeu cerca de 30 mil corintianos. Tudo isso sem precisar recorrer a imagens desses jogos, narrado pelos torcedores entrevistados de maneira nostálgica e emocionada.

E essas pessoas, de diferentes etnias e classes sociais (o que representa bem a abrangência da “nação” corintiana, que possui mais de 22 milhões de pessoas), são flagradas com câmera na mão pela diretora, experiente no gênero documentário (fez o premiado Os Melhores Anos de Nossas Vidas).

Dessa forma, nos deparamos com suas (nossas) alegrias, o sofrimento e manias (como o garoto que não deixa mais o pai ir ao banheiro durante a transmissão dos jogos, porque em outras ocasiões essa ida ao sanitário aconteceu enquanto ocorreram gols de times adversários), fato que faz a plateia ora ficar com os olhos lacrimejados, ora dar risadas.

Alguns jogadores também foram entrevistados: Dentinho, Lulinha, Douglas, Chicão, entre outros, mas sempre narrando o diferencial de jogar em um time cuja torcida é especial, diferente em relação a qualquer outra, e que sempre acompanha o time onde ele vai.

Não é uma produção realizada por corintianos para o Corinthians. Mas sim um presente do clube para sua torcida.

NOTA: 8,0

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