A Revista O Grito! estreia nesta quarta (7) o novo blog, Femme Fatale, escrito por Luiza Lusvarghi. A proposta será falar de cinema e TV tendo como foco maior a produção latinoamericana noir. Luiza vai também dar atenção especial às questões de gênero.

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Jornalista e crítica de cinema, Luiza Lusvarghi tem pós-doutorado pela ECA-USP e é autora do livro Cinema Nacional e World Cinema (2010). Ela vem estudando as narrativas criminais na América Latina no cinema e na TV. Faz parte do coletivo Elviras e da Abraccine. Aqui na Revista O Grito! ela já assinou a coluna “Transvia” e colaborava com resenhas e coberturas de festivais de cinema, como Gramado.

A ideia do blog é compartilhar suas descobertas sobre o tema. “[A ideia] surgiu quando eu comecei a me aprofundar no estudo do noir para minhas pesquisas sobre as narrativas criminais audiovisuais primeiro no Brasil, e depois nos demais países da América Latina”, diz.

Ela explica mais sobre a proposta e o nome do blog. “A femme fatale não nasce no cinema. Mas se transforma num autêntico ícone pop por meio do cinema e também das HQs e da pulp fiction moderna. No entanto é no ciclo noir, conforme estudo seminal de Sylvia Harvey, intitulado Women In Film Noir, uma mulher com projeto autônomo, totalmente desvinculada da mocinha que quer formar uma família, é que mesmo quando morre no final, não é claramente punida, torna-se uma espécie de anti-heroina”, explica.

O blog quer romper com o imaginário da mulher na tela. “As fronteiras entre o bem e o mal estão borradas hoje, na vida é a ficção. A femme fatale como ícone nunca foi tão atual. Na verdade, enquanto arquétipo, ela representa o medo que a sociedade patriarcal tem da ascensão feminina e da mulher celibatária que não devota sua vida à construção de uma família.”

O blog vai dar uma atenção especial na produção da América Latina, mas também à representação da mulher nas produções do continente. “A representação feminina é baixa no cinema mundial. Em geral as televisões e algumas novas janelas de exibição são mais inclusivas. Nunca fiz um levantamento efetivo para comparar, mas nas narrativas criminais, por exemplo, nas séries policiais, a mulher é totalmente estereotipada. Mas as hollywoodianas não sao melhores”.

Acesse o blog revistaogrito.com/femmefatale, salve nosso feed e aqui o Twitter de Luiza Lusvarghi.

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