Divã (Foto: Divulgação)

PARA RIR E SE EMOCIONAR
Filme brasileiro é outra prova da força que as comédias leves tem na bilheteria
Por Daniel Herculano

DIVÃ
José Alvarenga Jr.
[Divã, BRA, 2009]

Adaptação de um livro (de Martha Medeiros) que já fora uma peça de sucesso por onde passou, Divã (Idem, 2009) de José Alvarenga Jr., é uma passarela para a talentosíssima Lilia Cabral brilhar. Munido de um texto bem escrito ela o faz, com honras, com risos sinceros e traz até uma pontinha de emoção.

Aos 40 anos Mercedes (Lilia Cabral) tem um casamento morno e custa acreditar que a felicidade é apenas sua realidade. Assim procura um psicanalista para conversar sobre suas experiências de vida, perspectivas e necessidades.

Dona do filme desde a primeira cena, Lília Cabral (que já havia feito a peça Divã em mais de 150 apresentações) está sensacional. Tempo de comédia, tiradas inteligentes e frases que saem com naturalidade. O bem escrito texto ajuda, mas ela é sua energia vital, atuando como uma força da natureza, tanto em momentos felizes quanto tristes. Seduz, e hilariantemente conduz a sua história, com a delicadeza de uma dama em todos os momentos.

Impossível não rir em cenas como no salão de beleza, nas festas das boates (onde suas costas travam) ou mesmo no banheiro (tirando as meias à força). E discutir a relação com o marido (um correto José Mayer) em plena final de campeonato é de fazer chorar de rir. Mas o mais belo dos momentos acontece quando ela está “sonhando” (como diz Reynaldo Gianecchini), desnuda, olhando pela janela as estrelas num céu de chuva.

Divã só peca por não mostrar exatamente seu psicanalista, funcionando como um espelho para a situação e revelando a teatralidade do texto. Mas isso não exime nenhum de suas qualidades, que tem uma Lília Cabral maravilhosa, palavras inteligentes, bom uso de canções, cenas hilariantes e até uma emoção guardada para seus últimos momentos.

NOTA: 7,5

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