Projeto X se inspira em Bruxa de Blair para criar obra cheia de clichês sobre adolescentes dos EUA

Da Revista O Grito!

Existe algo tentador para dar crédito a Projeto X como um filme ousado. Afinal, ele coloca drogas, sexo e manda às favas temas caros do politicamente correto norte-americano. Mas, no fundo, sob essa máscara cool, é um filme bem conservador nas ideias e cheio de personagens bem previsíveis.

Dirigido por um nome saído do mercado publicitário, Nima Nourizadeh e produzido por Todd Phillips, responsável pelo sucesso de Se Beber, Não Case, o longa é uma ode às aspirações da juventude classe média ianque: seja popular, não importa a qual custo. Nem que seja para causar um transtorno em todo o seu bairro e quase matar seus convidados.

O mote do filme é mostrar uma festa na casa de um estudante nerd e loser, Thomas (Thomas Mann, bem convincente). Ele tem ajuda de dois amigos, Costa (Oliver Cooper), o cabeça da ideia e Jonathan Daniel Brown, o garoto gordinho. Além deles, existe o misterioso Dax, que filma tudo, o que fez do filme uma mistura de A Bruxa de Blair e Superbad – É Hoje. Vai fundo num gênero conhecido como “found footage”, em que tudo fica mais legal por ter cara de reality show.

Hollywood foi pródiga em criar obras que retratem a adolescência nos EUA, com diferentes doses de escapismo. O problema é que o filme é tão grosseiro que está longe dos melhores títulos do gênero. Com personagens previsíveis, parece a versão idealizada de adultos frustrados. A complexidade da puberdade não tem espaço no filme, como vimos no ótimo Superbad.

Ninguém precisa ter a sensibilidade de Gus Van Sant, o cineasta que melhor retrata adolescentes no cinema, mas seria mais interessante um pouco mais de convicção na construção de personagens. O trio de protagonistas novatos até se esforçam, numa tentativa de interpretarem a si próprios, mas sem um texto bom, ficam sem carisma.

O melhor do filme é mesmo a festa tão citada, que comemora o aniversário de Thomas, o protagonista. Programada para no máximo 50 pessoas, ela foi divulgada por Costa em programas de rádio e na internet, o que levou ao local milhares de pessoas. Algumas cenas são muito boas, o que cria um envolvimento com o espectador: todos querem estar ali. A trilha tem pequenas boas surpresas, como Bonde do Rolê e Animal Collective.

Como um flic (pequenos vídeos postados na web) adolescente, a dica é curtir Projeto X como um imenso videoclipe. O longa foi bastante trabalhado nas redes sociais antes da estreia e grande parte das cenas foram gravadas pelo elenco usando celulares. Quando saiu a classificação proibida para menores nos EUA, o hype aumentou ainda mais, o que deu a ideia de que seria uma obra transgressora. Nada disso. Projeto X não chega a ser controverso como Kids, de Larry Clark, nem sensível e engraçado como Superbad.

Cheio de pretensão, não passa de algo urgente, grosseiro e lotado de clichês. O ideal é levar tudo na brincadeira e assistir ao filme como se vê um vídeo no YouTube, clicando pra depois esquecer. [Paulo Floro]

PROJETO X
Nima Nourizadeh
[Project X, EUA, 2012]
Warner Bros.

Nota: 5,5

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